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ZOO de Luján (Argentina)

ZOO de Luján (Argentina)
ZOO de Luján (Argentina)

Minha viagem a Buenos Aires incluiu meus filhos, meus pais, minha irmã caçula e minha sobrinha. Eu gosto de viajar com algumas atividades programadas e queria que essa viagem fosse a melhor possível. Depois de muito pesquisar sobre quais programas incluir, decidi pelo Zoo de Luján, situado a cerca de 80 km de Buenos Aires. Deveria ser passeio de um dia e fui estudar como chegar até lá.

Dentre as opções possíveis, resolvi entrar em contato com Las Superguías. Ao procurar a página do Zoo no Google, o site delas aparecia logo no início dos resultados e, ao procurar por recomendações no Trip Advisor, as avaliações eram ótimas. Quando entrei em contato, recebi de imediato um e-mail da Diana, com todo seu bom humor. Ela me explicou que podiam ser fechados outros passeios com elas, o tour pela cidade, o transfer de/para o aeroporto, entre outras coisas. Infelizmente, eu não soube disso antes e já tinha me comprometido com outra pessoa. (Depois de conhecê-las, eu me arrependo ainda mais, porque elas foram absolutamente incríveis.)

Acabei fechando o passeio para uma data específica e acreditei estar tudo acertado. Nesta etapa, tivemos um pequeno contratempo ou dificuldade de comunicação, porque eu acreditei estar tudo definido, mas da parte delas não estava. Na data em questão, estávamos todos esperando no lobby do hotel desde às 8 horas. Quando eram 8:20, resolvi entrar em contato. O agendamento não havia sido concluído e não havia nada programado para nos levar ao passeio. Mas as crianças estavam eufóricas e ansiosas. A Diana foi muito hábil e muito gentil e organizou uma ida às pressas. Em menos de 1 hora, elas estavam em nosso hotel para nos buscar.

Éramos nós 7 e 3 Superguías (Diana, Lili e Gabi). Eu fui com a Diana até o Zoo e ela foi me contando toda a história do surgimento do Zoológico. Nitidamente, ela era uma pessoa apaixonada pelo zoológico e pelos animais. Ela contou desde o primeiro animal que foi acolhido por aquele fazendeiro, que dedicou a fazenda, o dinheiro e a vida dele a cuidar daqueles animais. Geralmente, os animais chegavam feridos, encontrados nas matas, vindos de circos, recolhidos de apreensões de tráfico ilegal. Eram tigres, leões, onças pardas, quatis, galos, cachorros, gatos (incontáveis) e assim por diante. Ele não sabia negar a acolhida aos animais.

Há um casal de ursos que ele acolheu ainda bebês (são irmãos). Os ursos dormiam com a filha dele, até que ficaram grandes demais e tiveram que construir um anexo à casa para eles. Por causa de todos os animais, para que não enfrentasse um problema legal, transformou sua fazenda em um Zoológico. Mas tem uma estrutura e um conceito completamente diferentes.

Os animais selvagens, enquanto pequenos, passaram a ser criados juntos de cachorros e em contato próximo de pessoas. Alguns permaneciam muito dóceis e mantendo uma amizade com os cães, como se fossem irmãos. Durante o dia, os cães permanecem nas jaulas dos ursos, dos tigres, dos leões, do elefante, e assim por diante.

 

ZOO de Luján
ZOO de Luján

 

Os pequenos felinos vão sendo acostumados com as carícias desde pequenos. Os próprios funcionários do Zoo (que são extremamente atentos e cuidadosos com os animais) passam a identificar quais os animais que aceitam esse contato e esse toque sem irritação. Assim, vão identificando os mais dóceis e os mais agressivos. Há mais de 40 leões no Zoo e eles procriam e já tiveram inúmeros filhotes. Nem todos aceitam esse contato humano. Mas alguns são realmente muito tranquilos na presença dos tratadores e, desde que, seguidas as recomendações de segurança.

Eu já li em publicações da Internet, inúmeras denúncias sobre sedação de animais ou até de lugares que arrancam as presas para que pessoas possam se aproximar deles. É muito provável que isso aconteça. Mas não acredito que isso aconteça nesse Zoo. Não acho possível. Os animais estão totalmente despertos, bem alimentados, bem cuidados, com as presas intactas, ativos (os tigres pulavam um sobre o outro), rugindo. Não havia qualquer sinal de irritação ou sonolência.

O que eu notei foram tratadores muito atentos às reações dos animais, percebendo o momento de alimentá-los ou o momento de substitui-los. Não são sempre os mesmos animais que ficam expostos. Eles são trocados de acordo com essa percepção. E à noite, eles são soltos em um espaço mais amplo, onde podem correr e se exercitar.

 

ZOO de Luján
ZOO de Luján

 

Eu já visitei inúmeros Zoológicos em diferentes países. Nunca vi animais tão bem tratados. Os poucos animais que apresentavam alguma sequela ou ferimento tinham sido acolhidos doentes e recebiam os cuidados no Zoo (dois galos gêmeos e uma arara vermelha).

Eles têm a estrutura de hospital veterinário e construíram, inclusive, um espaço para dar palestras e explicar a estratégia de criação e cuidados desses animais.

 

ZOO de Luján
ZOO de Luján – um tucano pegando um pedaço de tomate da minha boca !!!

 

Entramos na jaula de um dos leões. Demos comida na mão para: renas, cervos, pavões, cabras, macacos, dromedário, elefante, arara, tucano. Alimentamos o urso (demos um doce de marmelo preparado no próprio Zoo) e depois uma das guias lhe deu algo diretamente da sua boca. E também alimentamos um tigre branco, um animal absolutamente maravilhoso!

As crianças se encantaram com os leõezinhos, que elas puderam acariciar (já tinham recebido as vacinas e já podiam entrar em contato com as pessoas). Elas também andaram de trenzinho, pegaram coelhos e cabras no colo.

Entramos em uma grande jaula com 5 tigres e 1 leoa. Os tigres ficavam andando e pulando. Em um momento em que dois deles começaram a “brincar” de forma mais agressiva, um dos tratadores deu 2 palmas e eles se afastaram imediatamente! Ficamos impressionados!

 

ZOO de Luján
ZOO de Luján

 

E uma história impressionante: um leãozinho precisou ser colocado junto a bebês tigres, porque sua mãe tinha morrido. A tigresa o adotou e ele cresceu junto dos irmãos tigres. Depois de crescido, ele acabou se “encantando” por uma de suas irmãs e, de tanto insistir, acabou tendo sucesso na conquista. Dessa união, nasceu uma fêmea, cruzamento de um leão e de uma tigresa: uma ligresa. Um dos poucos animais desse tipo no mundo.

 

ZOO de Luján
ZOO de Luján – LIGRESA

 

Antes de irmos embora, nesse dia absolutamente fantástico que Las Superguías nos proporcionaram, ainda visitamos a jaula de outro leão. Essa visita foi um presente especial. O leão era o Pablo, o pai da ligresa, e ele aceita beijos no rosto!

Nossa viagem a Buenos Aires foi incrível! Mas esse dia no Zoo foi absolutamente fabuloso! Fantástico! Excepcional! O carinho das 3 guias foi algo que nunca vi antes. Vai além do habitual; é algo de quem se importa, de quem gosta do que faz.

Ainda tivemos o enorme prazer de passar mais uma manhã na companhia da Lili. Ela nos acompanhou por Buenos Aires e nos indicou um restaurante, onde fomos super bem tratados por conta de sua solicitação.

O passeio ao Zoo é maravilhoso. Com Las Superguías é excepcional. E vale para todas as idades: minha sobrinha tem 7 anos e meu pai 74 anos. De um extremo a outro, todos se divertiram muito!

 

ZOO de Luján
ZOO de Luján – Um beijo no Pablo

 

– Sílvia Souza

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6 Comments
  • claudio kambami disse:

    Vixe…pensei que fosse apenas tirar uma fotos passando a mão de longe nos bichanos…que nada, tá com mais coragem que eu, rsss. Beijos, adorei as imagens. <3

    • Que bom que você gostou!
      Foi um teste para meu coração… não preciso nem fazer Teste Ergométrico esse ano…
      😀

      • claudio kambami disse:

        Com certeza, mas jamais pensei que fosse ir tão longe na interação com eles, confesso que me impressionou, sei que não citou mas viu um animalzinho lindo que se chama Mara, uma “mistura” de paca, com coelho que me parece só existir ai na Argentina. São lindas também e bem dóceis. 🙂

  • Carlos Moya disse:

    Olá Silvia, ficou impressionado com o seu artigo. Os animais parecem muito confortável na companhia de pessoas. Um irmão da minha mãe era zelador de gatos no jardim zoológico de Barcelona, em que o contato não é permitido. Um beijo.

    • Olá, Carlos!
      Acho que esse contato é algo muito, muito raro. Só conheço esse zoológico.
      Quando estávamos lá, um dos tratadores disse que um dos leões tinha sido comprado por um santuário de animais no México e que um dos tratadores tinha ido para levar o leão e ficaria trabalhando lá. Parece que eles estavam montando algo com o mesmo conceito.
      Sei que fiquei impressionada. E foram os felinos mais bem cuidados que já vi.
      Um beijo!

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