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Uma Pessoa Altamente Sensível

Uma Pessoa Altamente Sensível
Uma Pessoa Altamente Sensível

Como é possível ainda descobrir tantas coisas sobre mim mesma após tantos anos de vida?

Acho que eu passei tanto tempo buscando me enquadrar em algum perfil específico, que não parei para escutar a voz que vinha de dentro de mim. Eu achava que eu PRECISAVA ser como os outros.

Mas buscar me tornar algo que não era natural em mim apenas trazia sofrimento, falta de autoestima, maior desconhecimento do meu “eu” e desprezo pelas minhas qualidades.

De repente, caiu na minha frente um texto sobre pessoas altamente sensíveis. E, de repente, me encaixei em (quase) todas as características descritas.

Acontecem algumas coincidências na minha vida que são difíceis de explicar. Quando eu estava me separando, muitos textos sobre divórcio, casamento e felicidade surgiam como se nunca tivessem existido antes. Quando passei por um grave problema de saúde, textos espirituais e ensinamentos budistas fizeram com que eu não me entregasse à doença.

E, nesse momento, essa identificação com esse perfil de personalidade específico tem mudado a forma de eu olhar para mim mesma, meus defeitos e qualidades. Tenho conseguido me aceitar mais e perceber que sou sensível e não fraca ou triste.

Essa característica das pessoas altamente sensíveis não foi descrita agora. E a pesquisadora que começou a estudar mais profundamente foi a Dra. Elaine Aron em 1991. E agora praticamente consigo me descrever.

  1. Sinto desconforto em lugares barulhentos ou com grande aglomeração de pessoas: há uma sensibilidade maior em captar emoções, expressões faciais, energia, estímulos, gerando maior desconforto, desgaste e dor de cabeça. Normalmente, sinto necessidade de buscar um lugar calmo, silencioso e isolado.
  2. Cresci escutando que eu era “sensível demais”, sempre em tom pejorativo. Isso sempre fez com que eu me sentisse diferente, porque reagia de forma exagerada a qualquer coisa que acontecesse, mesmo que fosse alguma bobagem como alguém ser mais ríspido ao falar comigo.
  3. Prefiro ficar sozinha em casa a frequentar festas, em especial se não houver amigos próximos que possam me fazer companhia. Segundo as pesquisas da Dra. Aron, 70% das pessoas com esse traço de personalidade são introvertidas. E eu, certamente, me encaixo nesse grupo. Essa necessidade de solidão acaba se expressando também durante atividade física ou no ambiente de trabalho. Não gosto de academias cheias de pessoas. Eu me sinto inibida e desconfortável. No trabalho, especificamente por causa da minha profissão, não preciso dividir o espaço com inúmeras pessoas. Mas houve fases da minha vida em que isso aconteceu. E eu também me sentia incomodada.
  4. Situações de violência ou de sofrimento, sejam elas reais ou ficcionais, causam grande desconforto em mim. Aqui, percebi que há aspectos diferentes. Posso assistir “Mercenários 2” com Sylvester Stallone, em que morrem centenas de pessoas e isso não me afeta. Mas assistir a um filme como “Um Crime Americano” ou inúmeros outros em que a tortura e o sofrimento realmente soam reais, faz com que eu seja tomada por uma tristeza profunda e que me afeta pelo resto da vida.
  5. Eu atraio o desabafo das outras pessoas. Há alguma coisa em mim que faz com que muitos tenham empatia e confiança para contar seus problemas. Se me incomoda? Não! Na verdade, faz com que eu me sinta bem, útil; faz com que eu sinta uma satisfação de poder ajudar, nem que seja com um abraço ou com um silêncio repleto de significado.
  6. É muito mais difícil, para mim, tomar uma decisão. Como essa característica faz com que alguns detalhes chamem mais atenção, geralmente há muitos aspectos a considerar em toda escolha ou decisão.
  7. E quando a decisão (finalmente) tomada parecer “errada”, vem uma enorme tristeza, como se um erro suplantasse todas as coisas boas que eu possa ter feito na minha vida.
  8. Essas dificuldades em aceitar erros (aos quais todos nós estamos sujeitos) ou pequenos deslizes em questões éticas trazem uma forte tendência à ansiedade e à depressão, em especial por causa de inúmeras experiências negativas e de sofrimentos que já tive em minha vida.
  9. O choro é parte constante da minha vida, seja por alegria ou por tristeza.
  10. Há uma consciência muito grande do certo e do errado, quanto às normas sociais, ao respeito às outras pessoas, às preocupações com o meio ambiente, ao sofrimento das pessoas. É claro que isso tem um lado muito positivo. Mas sofro por ver que nem todos têm o mesmo respeito ou as mesmas atitudes.
  11. Tenho uma dificuldade enorme para aceitar críticas. Tudo é amplificado. Dessa forma, qualquer desaprovação a uma atitude, um trabalho, qualquer coisa, ganha proporções muito acima do esperado (pelo crítico) e nenhum elogio, mesmo que seja muito maior do que o ponto criticado, poderá ganhar destaque.

O que representa tudo isso? Agora que eu reconheci esses meus traços como uma característica minha e não como uma fraqueza, posso buscar caminhos para aprender a tirar o melhor proveito possível das qualidade associadas.

Mas posso garantir que nas quatro primeiras décadas da minha vida, tudo o que vivi foi sofrimento. Esse mundo é o mundo do imediatismo, da falta de valores, de desrespeito por tudo e por todos. Como enfrentei tudo isso?

Passei minha vida sendo criticada por ser tímida, retraída, por evitar festas e grandes eventos sociais. Sempre chorei em momentos impróprios, quando sentia energias ruins me cercando. Nunca soube explicar ou justificar esses comportamentos.

Hoje entendo. E vejo que há um lado muito bom. Essa “intuição” proveniente dessa sensibilidade exacerbada sempre me “protegeu” e continua protegendo de pessoas com índoles ruins e falsas.

E, mesmo assim, fui muito magoada. Tive que aprender a lidar e superar tudo isso cobrindo as feridas e retomando a caminhada. Mas agora, vou aprender a escutar mais minha voz interior e o que há de bom em mim.

E quem quiser gostar de mim, será assim… terá que gostar e aceitar uma pessoa altamente sensível!

– Sílvia Souza

(06/07/2015)

 

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13 Comments
  • M.Raydo disse:

    Pois é! Olha eu aqui novamente comentando… aguenta!kkk
    E não é que me encaixo em vários quesitos desta longa lista de uma pessoa sensível?! Mas, creio que descobri alguns bons disfarces para não aparentar tanto! Hoje, em especial, me encontro numa forte queda de energia, graças ao nosso país maravilhoso, de clientes que me escaparam [rsrsrs] e aquele maldito medo em relação ao futuro! Mas, tudo bem… creio que sobreviverei! rsrsrs
    Acho que não há problema nenhum em perceber certas diferenças em nossa forma de ser, é justo que corremos uma forte tendência de perdermos boas oportunidades! O que fazer?! Sigamos em frente e que aceitem esta mulher sensível aí e este cara maluco que vive aqui!!! Tentarei ser feliz com estas diferenças mesmo assim! 🙂

    • Sílvia Souza disse:

      Acho que o medo em relação ao futuro não é uma exclusividade sua… Acho que é o que realmente me desanima e apavora!
      Sabe aquela sensação de tantos sonhos que terão que ser deixados para trás, porque nunca deixarão de ser sonhos…
      Quanto aos disfarces, esse é meu problema: não consigo usá-los.
      Mas hoje até estou animada… a semana será curta…
      😉

      • M.Raydo disse:

        E não é que teremos uma semana reduzida?! Mas em compensação poucos dias para fechar trabalhos! Que seja uma ótima semana de qualquer forma! Aguardemos! 🙂

        • Sílvia Souza disse:

          Puxa… Será que não era pra contar que sou de SP? 😁
          Você sabe, eu também deveria me preocupar com o fato de semana mais curta = menos dinheiro.
          Mas tenho precisado dessas pausas pra recuperar o ânimo…
          Ótimo dia!

  • M.Raydo disse:

    kkk! Fique tranquila, prometo que não sou um maluco… tudo bem saber sua terra tão querida! Ei! Bom feriado e descansa mesmo! Também estou precisado!!! 🙂

  • ANGELO disse:

    Bom dia. Hoje aos 42 anos descobri através deste artigo que sou uma pessoa definada como Altamente Sensivel.
    Já havia tentado mudar e ser diferente, tentar não ligar para os detalhes e não ser tão pensativo sobre atitudes dos outros. Mais percebo que sou assim mesmo, esse sou eu e não vou mudar.Já chorei no serviço e já me chateie muito com palavras ditas por namora ou pessoas próximas a min. Já fui zombado como delicado, pois homens não são assim. Mais Deus é maior e eu hoje me aceito do jeito que sou e sinto orgulho de ser assim e não ser um grosso e insensível. Fico contente por não estar sozinho e por ter profissionais como a Dr Aron que se didacaram tanto por este estudo, para que nós PAS encontrássemos a luz.

    • Bom dia, Angelo!
      Fico muito feliz de que meu artigo tenha sido de alguma ajuda.
      Acho que o maior problema de ser altamente sensível é justamente essa questão de passar anos (ou até uma vida) tentando se enquadrar às exigências da nossa sociedade, que valoriza justamente aqueles mais extrovertidos, mais fortes e decididos. Mas o mundo precisa desesperadamente de pessoas como nós.
      Você leu o livro da Dra. Elaine Aron?
      Ela fez um filme também sobre essa característica de personalidade. O segundo filme deverá sair em breve e será sobre relacionamentos.
      Eu tenho procurado ler bastante a respeito e escuto alguns Podcasts também.
      Se houver algo que eu possa ajudar (nem que seja apenas trocar experiências), não deixe de me avisar.
      Meu e-mail é: reflexoes@outlook.com.
      Um grande abraço!

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  • […] Cheguei a escrever um post no início de julho sobre minha descoberta pessoal (Uma Pessoa Altamente Sensível). […]

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