Amigo Secreto de Páscoa
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Uma homenagem ao meu cunhado, Dr. Aloísio

O inexplicável
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Uma homenagem ao meu cunhado, Dr. Aloísio
Uma homenagem ao meu cunhado, Dr. Aloísio

Alguns acontecimentos fazem-nos parar para repensar em nossas vidas, nossas crenças, nossas prioridades e nossos planos para o futuro.

Acredito que eu e minha família estejamos vivendo um desses momentos, após uma fatalidade ocorrida no domingo dia 13 de março. Tivemos que enfrentar o falecimento precoce e impensável de meu cunhado Aloísio.

Embora o Aloísio tivesse 52 anos, ele tinha o espírito e a disposição de alguém de 30. Estava sempre disposto a sair, passear, viajar, mantendo o bom humor e a alegria. Fazia piadas e brincadeiras com as pessoas à sua volta, mas sempre sabendo o momento de parar. Nunca se excedia. Adorava receber amigos e familiares em casa. Mantinha as portas sempre abertas para mim e para meus filhos durante minhas férias e feriados em Presidente Prudente. Nunca se mostrava incomodado. E se algo o estava perturbando, ele iria falar abertamente, sem causar mágoas ou desconforto.

Falsidade e hipocrisia não faziam parte do seu vocabulário e de suas ações. Preenchia suas atitudes de atenção, carinho, dedicação, disposição e generosidade.

Nasceu para a Medicina. A Medicina antiga, de conceitos verdadeiros, com o desejo sincero de fazer o bem, salvar vidas, trazer conforto para os doentes e seus familiares, independente do que ganharia com isso. Trabalhava o dia inteiro, fazia plantões, cuidava de pacientes internados nos finais de semana. Fazia tudo sem reclamar ou demonstrar irritação.

Fazia tudo pelas filhas. Não sabia negar nenhuma solicitação. Não era de sua personalidade deixar de atender o que quer que elas lhe pedissem. Afinal, seu entendimento do benefício de trabalhar e ganhar dinheiro era poder aproveitar os pequenos prazeres, dar vazão aos contentamentos que levariam a um sorriso, um abraço, uma satisfação.

O Aloísio causou uma reviravolta na vida da minha irmã. Ele fazia questão de alegria em tudo: na forma de ela se vestir, nas cores das roupas, no incentivo em sua autoconfiança e sua valorização pessoal. Eles construíram uma parceria sólida, cimentada de muito bem querer, fortalecida pelos mesmos princípios de vida e os mesmos objetivos de futuro.

Ele tinha essa capacidade de se fazer presente, encorajar, estimular e reconhecer as qualidades das pessoas. Era fácil se sentir melhor ao seu lado. E isso acontecia com pequenas atitudes ou algumas palavras, algo tão discreto, mas sincero, que vinha como um presente. Nunca o vi engrandecer suas próprias qualidades com interesse de diminuir alguém. Se ele se autovalorizava em algum momento, tinha o dom de levar todos os que estivessem à sua volta junto dele, na valorização coletiva das qualidades de cada um.

Gostava da união da família. Saía de casa todos os domingos pela manhã para tomar o café da manhã na casa dos meus pais, provocando o encontro de todos. Programava viagens e adorava agregar outras pessoas à sua programação, tornando qualquer viagem um acontecimento a ser lembrado pelo resto da vida.

Sabia resolver os conflitos, sem nunca deixar de dar sua opinião, colocando panos quentes sem falsidade. Não sei como era capaz de tanta maestria ao lidar com egos e personalidades antagônicas.

É claro que tinha seus defeitos. Alguns poucos eu conhecia. Devia haver outros apenas compartilhados com a família íntima.

Construía tantos planos e projetos de futuro. A construção de uma casa nova. A viagem para a Disney com a pequena Carolina. O desejo de conhecer Paris.

E essa vida cheia de brilho e alegria foi encerrada de forma abrupta e precoce. Uma infecção desconhecida… uma septicemia fulminante, que não deu uma chance para os antibióticos nem para a resposta do seu próprio corpo. Esse bicho assassino ainda não identificado privou a esposa, as filhas, os irmãos e todos os outros familiares de continuarem compartilhando de sua alma iluminada.

Não é fácil aceitar algo assim. Sentimos como se fosse injusto e violento. Violento com os que aqui permaneceram, que terão que continuar vivendo sem seu incentivo, sem suas palavras de conforto, sem seu carinho, seu cuidado, sua atenção.

Nenhuma vida vale mais do que outras vidas… ou vale? O fato é que não conseguimos digerir um evento como esse, a privação abrupta de sua alegria. E parece que a qualquer minuto ele vai surgir, como se tudo não tivesse passado de um pesadelo.

Gostaria de ter palavras melhores para minha irmã, para minha sobrinha, para a Mariana, mas não consigo encontrá-las. Posso apenas pedir para que elas, apesar de toda a dor desse momento, continuem vivendo com as lembranças boas, escutando a voz do Aloísio em cada escolha difícil, em cada choro ou momento de tristeza… ouvindo seu sussurro de estímulo, de bom humor, de regozijo… e tentem seguir em frente com o exemplo que tiveram. Exemplo de vida, de luta, de trabalho incansável e de disposição para abraçar a vida e aproveitá-la com intensidade.

– Sílvia Souza

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11 Comments
  • Alex André disse:

    As pessoas boas levam uma vida injusta, pois são vítimas de violência, falsidade, crimes, e por fim, morrem antes do que mereciam. Enquanto os maus…
    Minhas condolências para a sua irmã e para sua sobrinha.
    Um grande beijo

  • Anas há muitas disse:

    Paz á sua alma e que o seu modo de vida tenha sido passado aos que cá ficam!
    Beijo
    Ana

  • claudio kambami disse:

    Primeiro Silvia gostaria de levar meu conforto a todos vocês. Sei como é difícil essa “ficha” cair, onde apenas o tempo pode amenizar a dor. Acredito que como descreveu a vida de Aluísio foi tão intensa e tão cheia de bons momentos que ele completou seu álbum de boas imagens muito rápido e lembre-se, alguns médicos são anjos disfarçados de gente. Que esteja ele agora na paz continuando com a alegria aos enfermos do plano superior. <3

    • Concordo com você em tudo o que você escreveu, Claudio…
      Mas não é muito fácil… Principalmente para minha irmã e meus pais…
      Depois que o tempo amenizar a dor, acho que eles conseguirão voltar a uma rotina mais normal…

  • Beatriz Aguiar disse:

    Silvia, sinto a sua dor. Perder uma pessoa tão boa e nova é realmente difícil de aceitar.
    Quanto à sua irmã e sobrinhas, dê apenas o seu ombro, o seu carinho e amor.. de nada adiantaria falar nessas horas mesmo.
    E pode ter certeza, os bons morrem cedo. Pois a missão deles se cumprem antes das outras pessoas que aqui ficam vários anos :((
    Depois de perder minha mãe precocemente e de forma tão rápida, posso compreender melhor a vontade de Deus de levar os bons primeiro.

    Um forte abraço minha querida. Fica bem. ♥

  • Beatriz Aguiar disse:

    Silvia, sinto a sua dor. Perder uma pessoa tão boa e nova é realmente difícil de aceitar.
    Quanto à sua irmã e sobrinhas, dê apenas o seu ombro, o seu carinho e amor.. de nada adiantaria falar nessas horas mesmo.
    E pode ter certeza, os bons morrem cedo. Pois a missão deles se cumpre antes dos aprendizados das outras pessoas que aqui ficam vários anos para evoluir :((
    Depois de perder minha mãe precocemente e de forma tão inesperada, posso compreender melhor a vontade de Deus de levar primeiro as boas pessoas.

    Um forte abraço, minha querida. Fica bem. ♥

    • Obrigada, Bia…
      É isso o que penso também… Parece que as pessoas boas vêm com a missão de deixar exemplos e ajudar na melhora das outras pessoas que têm a sorte de contar com sua presença…
      Mas superar o sofrimento demora um pouquinho, não é?
      Um beijo grande com todo meu carinho!

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