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Um recomeço

Um recomeço
Um recomeço

Vou fazer minha mala e partir. Vou já, sem demora e sem dizer adeus. Não quero levar muita coisa. Vou cortar os laços com o que passou e me abrir para o que vier. Não quero cobrar ninguém pelas minhas escolhas, pelos meus erros e acertos. Quero romper as amarras, quebrar os moldes, me libertar das expectativas. Talvez mude meu nome, pinte o cabelo e faça tudo o que não esperam de mim.

Para meus filhos desejo: que eles sejam felizes; que não se obriguem a realizar os sonhos de outras pessoas; que defendam sua própria opinião; que não sintam necessidade de fazer algo porque todos fazem ou usar algo porque está na moda.

Tenho consciência que ensinei o respeito às pessoas, nosso papel em melhorar o mundo e em procurar saídas para os problemas do nosso planeta. Ensinei que todos os seres humanos são iguais; que temos liberdade enquanto não invadirmos o espaço de outra pessoa; que nunca devemos fazer a alguém alguma coisa que não gostaríamos que fizessem conosco; que não vale a pena dizer algo apenas por dizer, que não traga alguma coisa de bom a quem fala ou a quem escuta; que não temos como retirar as palavras que foram ditas.

Sei que ensinei porque fui exemplo. Fui exemplo do certo. E fui exemplo do errado, porque soube voltar atrás, reconhecer meu erro, pedir desculpas. Não fui mãe de certezas absolutas nem da palavra definitiva. Fui mãe de discutir opções, pedir opiniões e contar minhas experiências de vida.

Obriguei sim a algumas coisas. Obriguei a dar “bom dia”, dizer “por favor” e “obrigado”. Obriguei a ler livros, mesmo quando isso pudesse ser a última opção dentre as atividades do dia; mas dei a liberdade da escolha sobre o que ler.

Com certeza cometi muitos erros. Mas acertei várias vezes. Acertei apesar da minha humanidade, apesar da minha imperfeição.

Cumpri meu papel. Mas sou mais do que mãe. E meus filhos sabem disso. Eles não me idealizam como a mulher sagrada. Eles me reconhecem como a mulher cheia de falhas, mas com um amor infinito e incondicional por eles; a mãe que nunca poupou abraços e beijos e declarações de “eu te amo”!

Sou mulher e tenho sonhos. Muitos sonhos. Parto em busca deles. Não sou um modelo. Não deixarei de fazer coisas boas. Mas vou pensar também em mim. Vou seguir meu coração.

Parto agora! Tchau!

– Sílvia Souza

 

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