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“Todos os Contos” de Clarice Lispector – Primeiras Histórias #10: “Mais dois bêbados”

“Todos os Contos” de Clarice Lispector – Primeiras Histórias #10: “Mais dois bêbados”
“Todos os Contos” de Clarice Lispector – Primeiras Histórias #10: “Mais dois bêbados”

Este é o último conto da parte “Primeiras Histórias” do livro Todos os Contos de Clarice Lispector. Este projeto foi idealizado pela Marcia Cogitore do Blog Surtos Literários e a publicação dela sobre o conto pode ser lida clicando aqui.

Este é um daqueles contos que não me atingiram e talvez eu não consiga fazer uma análise adequada.

Um homem, de boa condição financeira e de boa formação, embebeda-se em bares na cidade. É ele que narra o conto. Com a ajuda do álcool, ele tenta esquecer sua condição de mortal e o fato de não encontrar um sentido para a existência. Ele é noivo de uma moça chamada Ema, mas que não compreende suas angústias.

Ema tinha vaga ideia de que eu era diferente e debitava nessa conta tudo que de estranho eu pudesse fazer.

Já alcoolizado, ele buscava alguém que o entendesse, alguém a quem ele pudesse fazer algo bom, alguém que pudesse precisar dos seus conselhos. E encontra outro bêbado, um homem sozinho, a quem paga as bebidas e espera que o homem desabafe seus problemas e fale de sua vida. Mas o outro bêbado não parece querer falar e permanece monossilábico em suas respostas. O homem que narra a história tenta provocar o outro, mencionando os problemas, mas o bêbado continua silencioso, apenas escutando e quase dormindo.

E o narrador desabafa o que o incomoda:

Eu… eu por mim não suporto. Dói-me aqui, no centro do coração, ter que morrer um dia e, milhares de séculos depois, indiferenciado em húmus, sem olhos para o resto da eternidade, eu, EU, sem olhos para o resto da eternidade… e a lua indiferente e triunfante, mãos pálidas estendidas sobre novos homens, novas coisas, outros seres. E eu Morto! – respirei profundamente. – Pense, amigo. Agora mesmo ela está sobre o cemitério também. O cemitério, lá onde dormem todos os que foram e nunca mais serão.

E a conversa continua na incoerência típica que o álcool provoca.

 

– Sílvia Souza

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4 Comments
  • Marcia Cogitare disse:

    Silvia, estes personagens foram bem atípicos. Fechar este bloco de primeiras histórias com um conto de dois bêbados, foi uma gozação e galhofada da Clarice rs. Acho que realmente ela não se levava a sério, o que é muito bom rs.

    Hug

    • Olá, Marcia!
      Sabe, estes primeiros contos foram escritos quando ela era muito jovem. Tenho a sensação de que a visão dela foi mudando ao longo da vida.
      Minha impressão é de que os contos foram ganhando uma carga dramática, mais melancólica, talvez reflexo das insatisfações e dificuldades que vamos enfrentando.
      Beijo!

  • Mariel F. Fernandes disse:

    Muito concordo com a Márcia. E, no fundo, penso que ela nos achava a todos um pouco bêbados.

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