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“A legião estrangeira” #2: “A repartição dos pães”

“A legião estrangeira” #2: “A repartição dos pães”
“A legião estrangeira” #2: “A repartição dos pães”

Nesta publicação, vou comentar mais um conto de Clarice Lispector. Todos os contos que ela escreveu foram reunidos neste livro da Editora Rocco e a Marcia Cogitare do Blog Surtos Literários me convidou para comentar com ela cada um deles. A publicação da Marcia pode ser acessada clicando aqui.

Este é um conto muito curto. São cerca de 3 páginas falando sobre uma refeição que, embora não dito de forma explícita, me parece uma refeição judaica do Shabat.

Era um sábado e estávamos convidados para o almoço de obrigação.

Ela não entra em detalhes sobre quem eram os convidados ou quem era a anfitriã.

Passamos afinal à sala para um almoço que não tinha a bênção da fome. E foi quando surpreendidos deparamos com a mesa. Não podia ser para nós…

Era uma mesa para homens de boa vontade. Quem seria o conviva realmente esperado e que não viera? Mas éramos nós mesmos. Então aquela mulher dava o melhor não importava a quem? E lavava contente os pés do primeiro estrangeiro. Constrangidos, olhávamos.

Eu não sei muito das festas e tradições judaicas. Sei que também há uma festa que dá comida aos pobres e que, se não me engano, chama-se Purim. O escritor Elias Canetti descreve em seu livro A língua absolvida quando sua família preparava essa festa e chamada todos os ciganos para participarem e comerem com eles. Não sei exatamente qual é a festa descrita por Clarice Lispector neste conto.

Não havia holocausto: aquilo tudo queria tanto ser comido quanto nós queríamos comê-lo. Nada guardando para o dia seguinte, ali mesmo ofereci o que eu sentia àquilo que me fazia sentir. (…) Mas teu prazer entende o meu. Nós somos fortes e nós comemos. Pão é amor entre estranhos.

Eu não sou religiosa, mas gosto das festas que levam à reunião das pessoas, das famílias, onde as diferenças são deixadas de lado e tenta-se focar nas coisas boas que temos em nós.

 

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2 Comments
  • Marcia Cogitare disse:

    Silvia realmente me pareceu algo mais religioso, gostei deste conto curtinho, acho muito importante as pessoas terem este tempo para se conectarem e a comida é uma ponte muito boa para isso.

    Hug

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