Biografia de Thomas Mann
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Tic Tac Tic Tac

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Há cerca de um ano, minha vida parecia organizada. Não estava perfeita. Apenas organizada. Eu tinha meu horário de cada atividade programado: meu trabalho, meu Pilates, minha dança, as atividades dos meus filhos, o momento de praticar escrita, de meditar, de ler, o dia do supermercado, de pagar as contas… e assim por diante. Poucas coisas saíam da programação. Tudo cabia dentro das 24 horas do meu dia de forma inédita. Eu mesma não entendia o que tinha acontecido, o que eu havia feito para ter esse resultado.

De repente, as coisas começaram a mudar. Pessoas foram entrando na minha vida: fui conhecendo pessoas incríveis através de comentários e trocas dos blogs; retomei contato com amigos que estavam distantes; aumentaram meus contatos profissionais; precisava dar mais atenção aos meus filhos, meus pais e minhas irmãs.

E fui abrindo mão da minha vida organizada e com tempo para todas as minhas atividades, para que eu pudesse retomar os relacionamentos, contatos humanos, amizades. Não que eu precisasse dar atenção aos outros. Eu queria dar atenção aos outros; isso me fazia um bem enorme!

O problema é que sou do tipo de pessoa que não sabe se impor um limite; meu limite é a exaustão… aquele ponto em que não cabe nem mais uma gota no copo ou ele transborda. Passei a querer participar de tudo com as pessoas que eu queria bem; passei a querer acompanhar cada texto, cada comentário, cada foto… tudo, tudo, apenas pelo prazer de estar mais perto das pessoas que me eram caras.

Aconteciam conversas, trocas de ideias, leituras conjuntas, filmes assistidos simultaneamente, a tentativa de responder a todas as demandas dentro dos prazos que me eram solicitados.

Eu fui dando o máximo de mim em cada coisa, abrindo mão da minha organização, porque as pessoas são mais importantes do que cumprir as obrigações da agenda. Até o ponto em que não consegui mais…

Continuo tendo amizade e admiração profundas por muitas pessoas. Mas já não consigo mais me fazer presente. Estou com cada uma delas em pensamento… carrego cada uma delas no meu coração… mas não consigo escrever para saber como cada uma delas está…

E sinto uma frustração profunda, porque acho que elas não saberão entender minha ausência e minha demora. Fico imaginando que possam fazer mau juízo de mim; que não entendam minhas dificuldades humanas de não conseguir controlar o tempo.

Volto a querer organizar minha programação, meus horários. Mas deixando o tempo para dar um “OI” para as pessoas que plantaram uma sementinha de amizade no meu peito. Entretanto, tenho que conciliar tudo, as obrigações, as coisas que me são importantes, as pessoas todas…

Queria que meu dia tivesse horas infinitas… tempo para tudo… Mas não tem.

A cada pessoa a quem tenho carinho entrego um beijo de energia, um beijinho soprado que chega como uma cócega na orelha. E perdoem-me aqueles que acham que sumi… só estou precisando de mais horas no meu dia.

– Sílvia Souza

 

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4 Comments
  • Carlos Moya disse:

    Pela minha parte conciderese perdoado da sua ausência, até atingir o estatuto de titular pensionista e vai descobrir que não há tempo suficiente para ficar entediado. Um abraço.
    É brincadeira e realidade que hoje andam de mãos dadas.

  • Como compreendo bem esse sentimento, Silvia! Lindo domingo e excelente semana! Beijos!

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