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Terror

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Quando começou a entrada de refugiados na Europa, eu achei a postura da Alemanha admirável, por acolher um grande número deles. Eu tenho esse lado meio ingênuo, que acredita que todas as pessoas são honradas, têm um lado bom, ainda mais por terem a possibilidade de saírem de uma guerra e entrarem em uma das principais potências do mundo atual.

A Segunda Guerra ainda está muito viva e presente nas lembranças de muitos que sobreviveram e, possivelmente, de filhos de sobreviventes que passaram por toda a reconstrução da Europa, em especial da Alemanha.

E eis que acontecem os ataques a centenas de mulheres alemãs em Colônia. E a maior parte dos mais de 1.000 homens envolvidos é de imigrantes que entraram agora ou em outros momentos.

Segundo a polícia de Colônia, 533 queixas criminais foram feitas por mulheres da cidade, 45% delas por ataques sexuais. O Ministério do Interior disse que “quase todos” os autores destes ataques tinham algum histórico de imigração em suas vidas.

O relatório descreveu o modus operandi dos ataques como “taharrush gamea”, que em árabe significa assédio sexual em multidões e os comparou aos ocorridos na Praça Tahir, no Cairo, durante as revoltas no Egito.

BBC Brasil

Será que o choque de culturas e a falta de respeito às mulheres e aos valores ocidentais vão impedir que haja uma ajuda aos que sofrem com a guerra em seus países?

Eu vi um vídeo com a abordagem de uma das mulheres que foi atacada. Ela foi carregada por dezenas de homens e gritava, sem obter ajuda. Eu fiquei com náuseas de ver aquilo.

É natural que a Alemanha reveja a política de ajuda aos refugiados. É natural que os imigrantes envolvidos nos ataques sejam deportados. É natural que todos os países europeus se fechem e aumente a intolerância baseada na etnia e em aspectos religiosos. Eu sei que não podemos nunca generalizar. Mas como se proteger de novas atrocidades como essas que aconteceram?

E fiquei impressionada também pela repercussão quase inexistente na imprensa brasileira. Eu sei que estamos vivendo uma crise horrível (política e econômica); não faltam horrores em nossos jornais. Mas a população tem que saber. E não ser visto como apenas um evento trágico em um país distante.

Os ataques em Colônia revelam a verdade nua e crua: o relativismo cultural é prejudicial para as mulheres. E as feministas que se recusam a chamar de sexismo, por temerem ser chamadas de racistas, estão prestando às mulheres um desfavor.

A realidade é que algumas culturas são mais favoráveis ao sexo feminino do que outras. Esta não é uma declaração intolerante, mas real. Em 2014, no ranking do Fórum Econômico Mundial dos melhores e dos piores países para ser uma mulher, os países islâmicos preenchiam 16 das 20 piores nações. A Síria era a quarta última. O Gráfico do The Guardian sobre os direitos das mulheres revela que as mulheres no Oriente Médio desfrutam o menor número de direitos entre as mulheres de todo o planeta. E a discriminação de gênero não afeta apenas as mulheres que vivem lá. A lista dos países mais seguros do mundo para mulheres viajantes preparada pelo Centro Internacional de Viagens da Mulher conclui com a frase: “Neste momento, não podemos recomendar viagens para qualquer país no Oriente Médio.”

Tasha Kheiriddin

A maioria das notícias que eu achei online são de jornais europeus e americanos. Pode ser que eu esteja meio alheia às notícias, mas não escutei muitos comentários a respeito em nossa mídia.

Eu gostaria de ligar meu lado otimista e inocente e imaginar que coisas como essa nunca mais se repetirão. Mas eu não acredito nisso. Na verdade, em meio a essa história toda, estou bastante pessimista. Acho que vão aumentar os casos de ódio, intolerância, violência, terrorismo, limitações de trânsito aos países, medo. E a estabilidade (instável) que parecia haver no mundo moderno parece estar chegando ao seu fim. Os conflitos nunca pararam na África, no Oriente Médio e em outras regiões do planeta. Mas eu vejo o crescimento, na extensão e na seriedade dos conflitos.

Juro que estou torcendo para estar errada. Eu gostaria de deixar um mundo melhor para os meus filhos.

– Sílvia Souza

 

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6 Comments
  • hangferrero disse:

    Preocupante ! Belíssima matéria e bem contextualizado !

  • sibilahonda disse:

    Estou tão (ou mais) pessimista que você.

  • Paulo Mello disse:

    Estamos todos bastante pessimistas seja com nossos terroristas domésticos (atualmente no governo) ou com o terrorismo de qualquer outra origem. Acredito que exista uma luz no final do tunel sim, mas este deve ser o mais longo tunel da história, e o que é pior: se começarmos a fazer tudo certo em nosso país, somente em 40 a 45 anos vamos chegar perto do que é o Chile hoje, POrtugal e Espanha 55 a 60 anos Canadá e EUA? Mais de 100, enfim é triste…

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