27.03.2016
Castelo de Silves, Silves, Portugal

Castelo de Silves, Silves, Portugal

 

Vive o momento com saudade dele

Já ao vivê-lo…

Fernando Pessoa. Obra Essencial de Fernando Pessoa.

  Vive o momento com saudade dele Já ao vivê-lo… Fernando Pessoa. Obra Essencial de Fernando Pessoa.



20.03.2016
Country Garden With Sunflowers de Gustav Klimt (1906)

Country Garden With Sunflowers de Gustav Klimt (1906)

 

Esse espaço funciona para mim como um exercício diário de escrita. Procuro dedicar-me a ele um pouquinho por dia, praticando a organização das palavras ao materializar meus pensamentos e ideias. Essas não faltam. Há infinitas. Falta-me tempo para escrever tudo o que gostaria.

Mas existem momentos em que não consigo organizar esses pensamentos. Eles correm desordenados e indócis. Estou em um desses momentos. Faltam-me concentração e foco. Estou dispersa. Praticamente não consegui escrever nessa semana que passou.

Perdi ainda mais a vontade de fazer coisas que me davam prazer. Encontro cada vez menos o sentido dessa vida sofrida e angustiante. Não quero sair da cama quando a manhã chega. Espero pelo sono eterno, mas ele acontece para a pessoa que tem tanto desejo de vida e tantos planos de futuro.

Canso-me do autocentrismo das pessoas, seu egoísmo inconsciente, e apercebo-me de que eu talvez seja assim também. Não consigo olhar para mim mesma e fazer uma análise neutra. Há momentos em que sou excessivamente crítica e, em outros, olho para meu eu repleta de autopiedade.

Não consigo sair de casa e encontrar pessoas. Visto-me, perfumo-me, dirijo até aonde deveria ir, mas desisto; encontro sempre uma justificativa para não descer do carro, para não enfrentar as situações que me angustiam.

Evito mensagens, contatos imediatos, respostas rápidas. É como se eu precisasse do meu tempo para refletir, responder, assimilar, digerir. Até acho que as ações urgentes conseguem tirar de mim uma boa velocidade de pensamento, atitudes eficientes e acima da média. Mas elas me esgotam; após o evento agudo e emergencial, minhas energias findam e preciso de dias para me recuperar.

Depois surgem as reflexões, as dúvidas sobre as atitudes a tomar, as mudanças necessárias dos rumos daqui para a frente. Sei que irão acontecer, porque não sou de fugir em momentos de transformação. Enfrento com coragem. Mas não posso dizer que seja fácil; algumas cicatrizes permanecerão.

Tenho o dom de afastar as pessoas de mim. Não é proposital. Talvez seja minha necessidade de mostrar minha autossuficiência e capacidade de enfrentamento. Sonho com as pessoas. Elas me vêm ao pensamento várias vezes ao dia. Gostaria de saber delas, ter notícias. E receio escrever e que perguntem de mim e eu sinta obrigação de falar sobre as coisas que não quero verbalizar. Porque não sei mentir; se me perguntam, sei que irei dizer e contar, mesmo que seja algo alheio à minha vontade. Haverá uma forma de mudar?

Penso em como tocamos a vida de outras pessoas e como essas tocam nossas vidas. Influenciamos uns aos outros de forma profunda e irreversível, com cada uma de nossas ações e de nossas palavras. Será que eu tenho a consciência real do quanto causo de bom e de mau para as pessoas que interagem comigo?

Sinto falta de muitas pessoas. Algumas que partiram para sempre; outras que partiram da minha vida. Sobre as primeiras, que não deixaram mais do que lembranças, fica uma saudade profunda e as recordações dos bons momentos. E as pessoas que vivem, mas não estão mais na minha vida? Vejo notícias e penso nelas; nesses momentos ainda percebo alguma crença em algo superior, porque rezo para que esteja tudo bem. Sonho em rever essas pessoas enquanto houver vida no meu corpo.

A questão é que não sei quando meu corpo vai cair inerte. Ninguém sabe. Não importa desejar viver ou morrer. Não tenho a decisão sobre o momento da minha morte, a menos que eu escolha tirar minha própria vida. Então, mesmo que eu deseje muito reencontrar algumas pessoas nessa minha única existência, pode ser que não haja tempo.

Mas se for eu a partir, já não restará nem mesmo a saudade. E eu não saberei. Simplesmente será o fim.

– Sílvia Souza

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  Esse espaço funciona para mim como um exercício diário de escrita. Procuro dedicar-me a ele um pouquinho por dia, praticando a organização das palavras ao materializar meus pensamentos e ideias. Essas não faltam. Há infinitas. Falta-me tempo para escrever tudo o que gostaria. Mas existem momentos em que não consigo organizar esses pensamentos. Eles […]



11.03.2016

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Eu queria entender o porque de sempre se pensar em aspectos físicos quando a palavra BELEZA é mencionada. Se ela está associada a uma pessoa, seja homem ou mulher, imagina-se aquela pessoa com face simétrica, corpo dentro dos padrões aceitáveis, pele perfeita… é o ideal nunca alcançado, simplesmente porque a perfeição não existe. E beleza não é, necessariamente, sinônimo de perfeição.

Sem recorrer a cirurgias plásticas ou procedimentos estéticos caros, dolorosos ou demorados, conseguimos mudar os cabelos, engordar ou emagrecer, enrijecer os músculos, escolher roupas que possam valorizar o corpo (enaltecendo as qualidades e disfarçando os defeitos) e usar boa maquiagem. Fisicamente, é o que podemos fazer.

E se pensássemos na inteligência, cultura, conhecimento, mudança de atitude, gentileza?

Uma pessoa que lê bons livros, que se esforça por fazer coisas boas para outras pessoas, que seja educada, gentil, prestativa, não é uma pessoa bela? Muitas vezes, passamos, inclusive, a perceber suas características físicas de outra forma. As qualidades interiores, essas que vêm da alma ou da energia de cada pessoa, conseguem colocar o brilho nos olhos, a sedução no sorriso, a luz que emana de todo o corpo.

Da mesma forma, a pessoa mais perfeita fisicamente pode se tornar repugnante em uma fração de segundos após um ato de grosseria, intolerância ou superioridade.

Se nossa beleza interior consegue afetar de forma tão evidente a beleza física, porque as pessoas se preocupam muito mais com a segunda, que é mais difícil de ser conquistada (depende muito da genética) e muito mais passageira?

Já escutei de tantas pessoas que seriam felizes quando conseguissem emagrecer 5 kg que engordaram nas festas de final de ano… que a falta de um namorado era pelos seios pequenos… ou outras coisas do gênero. Mas quantas se preocupam em melhorar, em aprender mais (sem se tornarem arrogantes)?

Quantos dão bom dia a um desconhecido? Quantos sorriem para a moça que serve o café? Quantos fazem um gracejo para aquela que está atendendo no caixa ou pergunta como ela está passando? Quantos olham para uma pessoa no metrô e tentam imaginar todos os problemas pelos quais ela está passando e que isso pode justificar a cara fechada? Quantos carregam as sacolas de uma mãe cujo bebê dorme no seu colo?

Eu sei que há pessoas maravilhosas no mundo. Sou apenas uma daquelas pessoas que está tentando melhorar; que para 5 minutos todos os dias antes de dormir e revê o dia vivido, analisando o que fez de bom para os outros, quantos abraços distribuiu ou quantos sorrisos ajudou a colocar nos lábios de quem nunca tinha cruzado seu caminho.

Não estou desconsiderando a beleza física. Acho que buscamos nos sentir bem, ter saúde, mostrar que nos cuidamos e nos importamos conosco. Apenas gostaria que as pessoas pensassem nas duas… elas são complementares. Apenas quem tem a luz que vem da alma é verdadeiramente belo.

– Sílvia Souza

Rosa

  Eu queria entender o porque de sempre se pensar em aspectos físicos quando a palavra BELEZA é mencionada. Se ela está associada a uma pessoa, seja homem ou mulher, imagina-se aquela pessoa com face simétrica, corpo dentro dos padrões aceitáveis, pele perfeita… é o ideal nunca alcançado, simplesmente porque a perfeição não existe. E beleza não […]






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