7.03.2016

20744497

 

Título Original: Klingsors letzter Sommer

Primeira Publicação: 1919

Tradutor: Pinheiro de Lemos

Editora: Record (2003)

ISBN13: 9788501002402

Sinopse: O último verão de Klingsor é uma reunião de três pequenas obras-primas escritas na mesma época em que Hermann Hesse produziu duas de suas mais celebradas criações – Demian e Sidarta. 

O primeiro dos contos, Alma de criança, explora a gênese do sentimento de culpa e da angústia, através do relato das emoções de um garoto em relação ao pai. “Todos esses sentimentos de manifestavam no coração da criança da mesma forma que permaneceram: dúvida do meu valor pessoal, indecisão entre a auto-estima e o desânimo”. Como um Kafka às avessas, o autor constrói uma narrativa extremamente delicada, analisando o confronto entre o estranhamento, a mentira e a autoridade. 

Com o segundo episódio, Klein e Wagner, o que parece uma incursão de Hesse no gênero policial, mostra-se um mergulho ainda mais profundo nos temas já sugeridos a primeira narrativa, com uma história complexa de crime, castigo e redenção. “Sempre houve dois Friedrich Klein, um visível, outro secreto, um funcionário público e um criminoso, uma pai de família e um assassino”. Aqui o autor analisa a angústia, a culpa e o estranhamento conjugando a saga de um fugitivo com passagens de clássicos da filosofia de Schopenhauer e das obras de Goethe. 

Hesse oferece-nos uma alegoria repleta de discussões sobre o amor, a representação do mundo, a arte, a posteridade e a magia em O último verão de Klingsor. O autor narra os últimos meses de vida de um pintor expressionista, considerado por muitos como um retrato literário da natureza do escritor. É um ponto de partida para um relato que une a sabedoria de poetas chineses com a angústia de um artista diante das vicissitudes de sua vida e do legado de sua obra.

 

flrlines40

 

Apesar de Hermann Hesse ter sido Nobel de Literatura em 1946, apenas vim a conhecê-lo em 2013. Pode ser que tenha lido alguma citação sua antes disso, mas tenho que reconhecer minha ignorância sobre esse escritor.

De certa forma, acho que isso foi uma coisa boa. Afinal, acredito que Hermann Hesse tenha entrado na minha vida no momento correto, estando eu já pronta para assimilar tudo o que ele escreveu em suas obras. Aconteceu a mesma coisa com outros grandes escritores, que chegaram no tempo certo; mas sobre os outros, contarei em outras oportunidades.

Eu passava por um problema de saúde e um enorme sofrimento emocional. Tentava buscar conforto em algumas leituras indicadas. Uma amiga tinha sugerido a leitura de “Amor em Minúscula” de Francesc Miralles. Foi uma leitura maravilhosa e que me apresentou a inúmeros outros escritores, além de me levar através de uma história de amor impossível (mostrando que eu não era a única que sofria por amores impossíveis).

No livro, Francesc Miralles coloca algumas citações de obras de Hermann Hesse que me trouxeram boas sensações. Fui atrás das obras do escritor e comprei “O Lobo da Estepe”, “Demian” e “Sidarta”. Foi um amor imediato!

Passei a procurar todas as publicações de Hermann Hesse em português, sendo que alguns livros de contos encontrei apenas em sebos; alguns se desfazendo de tão antigos. Li absolutamente tudo o que encontrei. Faltava esse livro e um último que está aguardando na minha estante, chamado “Felicidade”.

O livro “O último verão de Klingsor” é composto de 3 contos:

  1. Alma de Criança
  2. Klein e Wagner
  3. O último verão de Klingsor

Os contos desse livro são diferentes de outros contos dele que eu já tinha lido. Eles trazem um grande componente do egoísmo dos homens, do lado vil e mesquinho. Mas associado a esse componente, vem a percepção do errado e a culpa que castiga; aquela sensação de que alguém nos olha de forma estranha, quando somos nós mesmos que estamos nos sentindo errados perante nossa consciência.

Em “Alma de Criança”, ele conta a história de um menino que rouba alguns doces de uma gaveta do pai, quase como uma peraltice. Mas ele se nega a reconhecer o ato quando questionado e vai aumentando seu pecado ao inventar inúmeras mentiras na tentativa de escapar do crime. O grande cerne do texto é que o menino sabe que errou e que está errando sucessivamente e se condena enormemente por isso.

Os atos de nossa vida, que julgamos bons e dos quais falamos sem reservas, são quase todos daquela primeira categoria “fácil” e facilmente os esquecemos. Outros atos, dos quais temos dificuldade em falar, nunca mais os esquecemos; são de certo modo mais nossos do que os outros e projetam longas sombras sobre todos os dias de nossa vida.

Em “Klein e Wagner”, há mais uma história de um delito, cometido por um homem que está em sua fuga da Alemanha para a Itália. Ele tenta levar uma vida normal, tenta se aproveitar do fruto de seu crime. Mas sua consciência vai sugando suas atitudes para um fim do qual ele não consegue escapar.

Sim, era melhor dirigir por si mesmo e com isso ficar reduzido a cacos do que ser sempre conduzido e dirigido pelos outros.

Em “O último verão de Klingsor”, conto que dá nome ao livro, Hermann Hesse nos fala sobre um pintor expressionista, já consagrado, que começa a demonstrar algum cansaço com a vida, uma vida onde ele não se encaixa mais. Ele vive cercado de pessoas, amigos, mulheres, mas não consegue mais sentir uma harmonia entre suas ideias e aquelas das pessoas à sua volta.

Por que existia o tempo? Por que tinha de haver sempre essa idiota sucessão de uma coisa a outra e não uma simultaneidade ardente e capaz de saciar?

Gostei muito dos 3 contos. Foi um livro de leitura agradável, muitas reflexões, muitos ensinamentos… tudo o que eu gosto.

– Sílvia Souza

Sonnenblume_02_KMJ

  Título Original: Klingsors letzter Sommer Primeira Publicação: 1919 Tradutor: Pinheiro de Lemos Editora: Record (2003) ISBN13: 9788501002402 Sinopse: O último verão de Klingsor é uma reunião de três pequenas obras-primas escritas na mesma época em que Hermann Hesse produziu duas de suas mais celebradas criações – Demian e Sidarta.  O primeiro dos contos, Alma de criança, explora a gênese do […]






%d blogueiros gostam disto:
DESIGN POR JESS