8.07.2016
Convento de Cristo, Tomar, Portugal

Convento de Cristo, Tomar, Portugal

 

Sou lúcido
Nada de estéticas com coração: sou lúcido
Merda! Sou lúcido.

Álvaro de Campos. Fernando Pessoa.

  Sou lúcido Nada de estéticas com coração: sou lúcido Merda! Sou lúcido. Álvaro de Campos. Fernando Pessoa.


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7.07.2016
Biblioteca Joanina, Universidade de Coimbra, Portugal

Biblioteca Joanina, Universidade de Coimbra, Portugal

 

Estou cansado da inteligência.
Pensar faz mal às emoções.
Uma grande reação aparece.
Chora-se de repente, e todas as tias mortas fazem chá de novo
Na casa antiga da quinta velha.
Pára meu coração!
Sossega, minha esperança factícia!
Quem me dera nunca ter sido senão o menino que fui…
Meu sono bom porque tinha simplesmente sono e não ideias que esquecer!
Meu horizonte de quintal e praia!
Meu fim antes do princípio!
Estou cansado da inteligência.
Se ao menos com ela se percebesse qualquer coisa!
Mas só percebo um cansaço no fundo, como baixam internas
Aquelas coisas que o vinho tem e amodorram o vinho.

Fernando Pessoa (Álvaro de Campos, 18.06.1930)

  Estou cansado da inteligência. Pensar faz mal às emoções. Uma grande reação aparece. Chora-se de repente, e todas as tias mortas fazem chá de novo Na casa antiga da quinta velha. Pára meu coração! Sossega, minha esperança factícia! Quem me dera nunca ter sido senão o menino que fui… Meu sono bom porque tinha […]


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9.06.2016
Vale do Douro, Portugal

Vale do Douro, Portugal

 

Paira à tona de água
Uma vibração,
Há uma vaga mágoa
No meu coração.

Não é porque a brisa
Ou o que quer que seja
Faça esta indecisa
Vibração que adeja,

Nem é porque eu sinta
Uma dor qualquer.
Minha alma é indistinta
Não sabe o que quer.

É uma dor serena,
Sofre porque vê.
Tenho tanta pena!
Soubesse eu de quê!…

Fernando Pessoa (14-3-1928)

  Paira à tona de água Uma vibração, Há uma vaga mágoa No meu coração. Não é porque a brisa Ou o que quer que seja Faça esta indecisa Vibração que adeja, Nem é porque eu sinta Uma dor qualquer. Minha alma é indistinta Não sabe o que quer. É uma dor serena, Sofre porque […]


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