4.03.2016
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Açores, Portugal

 

Às vezes tenho ideias, felizes,

Ideias subitamente felizes, em ideias

E nas palavras em que naturalmente se despejam…

 

Depois de escrever, leio…

Porque escrevi isto?

Onde fui buscar isto?

De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu…

Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta

Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?…

Álvaro de Campos – Livro de Versos. Fernando Pessoa (18-12-1934)

  Às vezes tenho ideias, felizes, Ideias subitamente felizes, em ideias E nas palavras em que naturalmente se despejam…   Depois de escrever, leio… Porque escrevi isto? Onde fui buscar isto? De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu… Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta Com que alguém escreve a […]



3.03.2016
Flor de Cera

Flor de Cera

 

Aquela falsa e triste semelhança

Entre quem julgo ser e quem eu sou.

Sou a máscara que volve a ser criança,

Mas reconheço, adulto, aonde estou,

 

Isto não é o Carnaval, nem eu.

Tenho vontade de dormir, e ando.

O que passa, ondeando, em torno meu,

Passa (…)

 

Dormir, despir-me deste mundo ultraje,

Como quem despe um dominó roubado.

Despir a alma postiça como a um traje.

 

Tenho náusea carnal do meu destino.

Quase me cansa me cansar. E vou,

Anónimo, (…) menino,

Por meu ser fora à busca de quem sou.

Álvaro de Campos – Livro de Versos . Fernando Pessoa.

  Aquela falsa e triste semelhança Entre quem julgo ser e quem eu sou. Sou a máscara que volve a ser criança, Mas reconheço, adulto, aonde estou,   Isto não é o Carnaval, nem eu. Tenho vontade de dormir, e ando. O que passa, ondeando, em torno meu, Passa (…)   Dormir, despir-me deste mundo […]


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2.03.2016
Amarante, Portugal

Amarante, Portugal

 

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.

Sentir tudo ele todas as maneiras.

Sentir tudo excessivamente

Porque todas as coisas são, em verdade excessivas

E toda a realidade é um excesso, uma violência,

Uma alucinação extraordinariamente nítida

Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,

O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas

Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.

Álvaro de Campos (Heterônimo de Fernando Pessoa)

  Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir. Sentir tudo ele todas as maneiras. Sentir tudo excessivamente Porque todas as coisas são, em verdade excessivas E toda a realidade é um excesso, uma violência, Uma alucinação extraordinariamente nítida Que vivemos todos em comum com a fúria das almas, O centro para onde tendem as […]


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