14.03.2016
Castelo de Bragança, Bragança, Portugal

Castelo de Bragança, Bragança, Portugal – A fotografia foi compartilhada do Blog “A Terceira Dimensão – Fotografia Aérea” (http://portugalfotografiaaerea.blogspot.com.br/)

 

Duvido, portanto penso.

Fernando Pessoa

  Duvido, portanto penso. Fernando Pessoa



9.03.2016

janelas 01

 

Sei que nunca prostituirei com luxúria ou vício o talento que possa ter. Sei que nunca defenderei coisas falsas. Mas serão bons e puros os atos da minha vida – os atos privados, próximos de mim? O que reserva o futuro – o futuro de que ‘perda’, de que ‘ganho’ sou ‘eu’?

Fernando Pessoa

  Sei que nunca prostituirei com luxúria ou vício o talento que possa ter. Sei que nunca defenderei coisas falsas. Mas serão bons e puros os atos da minha vida – os atos privados, próximos de mim? O que reserva o futuro – o futuro de que ‘perda’, de que ‘ganho’ sou ‘eu’? Fernando Pessoa



5.03.2016

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Súbita, uma angústia…

Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!

Que amigos que tenho tido!

Que vazias de tudo as cidades que tenho percorrido!

Que esterco metafísico os meus propósitos todos!

 

Uma angústia,

Uma desconsolação da epiderme da alma,

Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço…

Renego.

Renego tudo.

Renego mais do que tudo.

Renego a gládio e fim todos os deuses e a negação deles.

 

Mas o que é que me falta, que o sinto faltar-me no estômago e na circulação do sangue?

Que atordoamento vazio me esfalfa no cérebro?

 

Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?

Não: vou existir. Arre! Vou existir.

E-xis-tir…

E–xis–tir…

 

Meu Deus! Que budismo me esfria no sangue!

Renunciar de portas todas abertas,

Perante a paisagem todas as paisagens,

Sem esperança, em liberdade,

Sem nexo,

Acidente da inconsequência da superfície das coisas,

Monótono mas dorminhoco,

E que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!

Que verão agradável dos outros!

 

Deem-me de beber, que não tenho sede!

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. (20-06-1930)

  Súbita, uma angústia… Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma! Que amigos que tenho tido! Que vazias de tudo as cidades que tenho percorrido! Que esterco metafísico os meus propósitos todos!   Uma angústia, Uma desconsolação da epiderme da alma, Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço… Renego. Renego tudo. […]


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