28.02.2016
Pintura de Silva Porto

Pintura de Silva Porto

 

O que nós vemos das coisas são as coisas.

Porque veríamos nós uma coisa se houvesse outra?

Porque é que ver e ouvir seria iludirmo-nos

Se ver e ouvir são ver e ouvir?

 

O essencial é saber ver,

Saber ver sem estar a pensar,

Saber ver quando se vê,

E nem pensar quando se vê,

Nem ver quando se pensa.

 

Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!),

Isso exige um estudo profundo,

Uma aprendizagem de desaprender

E uma sequestração na liberdade daquele convento

De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas

E as flores as penitentes convictas de um só dia,

Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas

Nem as flores senão flores,

Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.

“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa

  O que nós vemos das coisas são as coisas. Porque veríamos nós uma coisa se houvesse outra? Porque é que ver e ouvir seria iludirmo-nos Se ver e ouvir são ver e ouvir?   O essencial é saber ver, Saber ver sem estar a pensar, Saber ver quando se vê, E nem pensar quando […]



23.02.2016
Pauliteiros de Miranda

Pauliteiros de Miranda

 

As sociedades são conduzidas por agitadores de sentimentos, não por agitadores de ideias. Nenhum filósofo fez caminho senão porque serviu, em todo ou em parte, uma religião, uma política ou outro qualquer modo social do sentimento.

Se a obra de investigação, em matéria social, é portanto socialmente inútil, salvo como arte e no que contiver de arte, mais vale empregar o que em nós haja de esforço em fazer arte, do que em fazer meia arte.

Fernando Pessoa, in ‘Notas Autobiográficas e de Autognose’

  As sociedades são conduzidas por agitadores de sentimentos, não por agitadores de ideias. Nenhum filósofo fez caminho senão porque serviu, em todo ou em parte, uma religião, uma política ou outro qualquer modo social do sentimento. Se a obra de investigação, em matéria social, é portanto socialmente inútil, salvo como arte e no que […]


Comentários desativados em São os Sentimentos que Conduzem as Sociedades, não as Ideias


22.02.2016
Aveiro, Portugal

Aveiro, Portugal

 

Jamais houve alma mais amante ou terna do que a minha, alma mais repleta de bondade, de compaixão, de tudo o que é ternura e amor. Contudo, nenhuma alma há tão solitária como a minha – solitária, note-se, não mercê de circunstâncias exteriores, mas sim de circunstâncias interiores. O que quero dizer é: a par da minha grande ternura e bondade, entrou no mau carácter um elemento da natureza inteiramente oposto, um elemento de tristeza, egocentrismo, portanto de egoísmo, produzindo um efeito duplo: deformar e prejudicar o desenvolvimento e a plena ação interna daquelas outras qualidades, e prejudicar, deprimindo a vontade, a sua plena ação externa, a sua manifestação. Hei-de analisar isto; um dia hei-de examinar melhor, destrinçar, os elementos que constituem o meu caráter, pois a minha curiosidade acerca de tudo, aliada à minha curiosidade por mim próprio e pelo meu caráter, conduz a uma tentativa para compreender a minha personalidade.

Fernando Pessoa, in ‘Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação’

  Jamais houve alma mais amante ou terna do que a minha, alma mais repleta de bondade, de compaixão, de tudo o que é ternura e amor. Contudo, nenhuma alma há tão solitária como a minha – solitária, note-se, não mercê de circunstâncias exteriores, mas sim de circunstâncias interiores. O que quero dizer é: a […]






%d blogueiros gostam disto:
DESIGN POR JESS