6.05.2016
"Garden sculpture of child reading" de Nita Leger Casey

“Garden sculpture of child reading” de Nita Leger Casey

 

Tenho dois filhos. Dois meninos maravilhosos. Uma das coisas que fiz questão de incluir na educação deles (e o pai também) foi estimular sua autoestima. Eles sempre foram elogiados e incentivados. Às vezes, questiono-me se faço isso excessivamente. Afinal, não me canso de dizer o quanto eu os amo, o quanto os admiro, o quanto eles são especiais.

Mas não são mimados. Eles têm muitas responsabilidades, entendem o quanto custa pagar cada conta que chega e o tempo de trabalho necessário para comprar qualquer coisa que queiram. Valorizam o que têm; não costumam pedir coisas supérfluas apenas pelo desejo do consumo.

Eles são educados, respeitam as pessoas, não ultrapassam os limites individuais que possam comprometer a espaço dos outros. Prezo por ensiná-los tudo isso. Mas se não for eu a pessoa a enchê-los de beijos e abraços, de muito carinho, de elogios e olhar de admiração, quem será?

Sei que transbordo emoções e sentimentos. Preciso passar isso para eles. Tenho certeza de que eles não têm nenhuma dúvida do tamanho do meu amor. E, mesmo com essa quantidade exagerada de afeto, eles sabem reconhecer suas fraquezas, os pequenos defeitos, os pontos que precisam ser trabalhados. Não houve necessidade de que eu apontasse as falhas para que eles as identificassem. E eles tentam trabalhar esses pontos, buscam alternativas para superar as dificuldades, pedem ajuda.

Eu acho que fiz a coisa certa. Pode ser que o futuro comprove isso ou me condene. De qualquer forma, sinceramente, não acho que eu tenha que ser a pessoa a limitar a expansão dos dois; tenho que ser aquela a deixar livres todos as frentes para que haja o menor número possível de obstáculos. Quero que eles encontrem os próprios caminhos, persigam seus sonhos e tentem ser felizes.

Os dois são brilhantes na escola; são bons em línguas; são curiosos, esforçados e têm prazer em saber coisas. Sei que pecam em algumas coisas: não são apaixonados por esportes. Mesmo sendo a mãe, sei que eles não são perfeitos. Mas não vou apontar os defeitos. Quando eles pedem alguma opinião sobre uma dessas fraquezas, eu digo, da forma mais gentil e carinhosa que encontro. Mas não há motivo para repetir dia após dia cada imperfeição.

Ao menos, essa é minha opinião. E continuarei sufocando os dois de carinhos e amor.

– Sílvia Souza

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  Tenho dois filhos. Dois meninos maravilhosos. Uma das coisas que fiz questão de incluir na educação deles (e o pai também) foi estimular sua autoestima. Eles sempre foram elogiados e incentivados. Às vezes, questiono-me se faço isso excessivamente. Afinal, não me canso de dizer o quanto eu os amo, o quanto os admiro, o […]



26.04.2016
Blue Gugatti Vintage Car de Vaclav Zapadlik

Blue Gugatti Vintage Car de Vaclav Zapadlik

 

Venho de uma família que sempre valorizou a educação. Meus pais não podiam me dar muitos bens materiais, mas nunca deixaram de investir em livros e escolas de qualidade. Ambos eram matemáticos e professores da UNESP (atualmente aposentados). Sempre fui a melhor aluna da classe durante os anos de colégio. Na faculdade, continuei com bom desempenho.

Meus filhos nasceram no mesmo tipo de ambiente: com pai e mãe que sempre colocaram o aprendizado e a cultura acima de tudo. Passei para eles muito do que aprendi com meus pais: aplicar as ciências e aquilo que era ensinado na escola no dia a dia. Entender a matemática, a física, a química, a biologia, geografia, história, língua portuguesa… tudo dentro do contexto de vida, em cada pequena coisa onde podemos aplicar aquilo que aprendemos.

Eles se consideram nerds… E, por algum motivo que desconheço, têm orgulho de se autodenominarem dessa forma. Competem para ver quem faz os cálculos de forma mais rápida, quem sabe maior número de decimais do π, quem sabe mais detalhes sobre o Império Romano e assim por diante.

Eles gostam de perceber as reações químicas que acontecem quando estamos cozinhando, têm curiosidade sobre as doenças e seus agentes, sobre os eventos políticos, as necessidades de nutrientes do nosso corpo, a composição dos planetas e as leis que regem o universo.

Uma música bobinha como a que a Varig usou em seu comercial nos anos 1990 fez com que meu filho mais velho fosse fazer o cálculo de qual teria que ser a velocidade para que fosse possível percorrer 10 km no tempo da canção.

 

 

Talvez muitos pais achem um absurdo e pode parecer que meus filhos sejam forçados a esse tipo de comportamento. Forçados, definitivamente, não. Mas estimulados sim. A curiosidade é um dos principais motores do desenvolvimento humano; tentar resolver problemas, vencer obstáculos e desafios é a base para termos um mundo melhor, desde que haja sempre os valores éticos e morais.

Eles acham divertidas piadas nerds e inteligentes; dão risada, competem de forma positiva (apenas algumas vezes a competição passa dos limites e preciso parar a discussão).

Acho divertidíssimo ver meus filhos crescendo assim, procurando solucionar os problemas e aplicar o que aprendem no dia a dia.

Apenas um último comentário… Foi meu filho mais velho que me pediu para escrever esse artigo sobre esse tema…

– Sílvia Souza

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  Venho de uma família que sempre valorizou a educação. Meus pais não podiam me dar muitos bens materiais, mas nunca deixaram de investir em livros e escolas de qualidade. Ambos eram matemáticos e professores da UNESP (atualmente aposentados). Sempre fui a melhor aluna da classe durante os anos de colégio. Na faculdade, continuei com […]



19.04.2016
Mother and Child de Pablo Picasso (1901)

Mother and Child de Pablo Picasso (1901)

 

Meu ex marido costumava dizer uma frase (não sei se é um ditado ou uma citação de outro autor) sobre a diferença entre ser mãe e ser pai: a mãe se joga para amortecer a queda do filho, enquanto o pai espera que ele caia e depois estende a mão para ajudá-lo a se levantar. Independente da autoria, acho que essa frase contém muita verdade, mesmo que haja suas exceções.

Se eu pudesse, tomaria para mim todas as dores dos meus filhos, todas as doenças, sofrimentos, dificuldades da vida. Eu sei que isso evitaria que eles tivessem suas próprias experiências que levam ao crescimento, ao amadurecimento e que permitem que eles se transformem em homens autônomos. Por isso, contenho-me. Evito interferir. Sofro eu, junto com eles, mas permito, a muito custo, que eles enfrentem sozinhos cada uma das dificuldades, sabendo que estou ao lado, disponível para desabafos, oferecendo meu ombro e meu colo para um abraço ou para consolar o choro.

O filho vai cair quando começar a andar. Vai sofrer na escola quando tiver contato com outras crianças e quando disputarem um brinquedo ou um livro. Passará por resfriados, diarreias e viroses diversas. Deverá ser contrariado, obrigado a se alimentar da forma correta. Terei que dizer mais “NÃO” do que “SIM”.

Eles terão que fazer as próprias amizades, enfrentar os preconceitos, achar o próprio espaço na sociedade e perceber se serão parte de algum grupo ou iniciarão um movimento próprio. Irão brigar, notar que há muita falsidade, que aqueles que acreditam ser amigos vão falar pelas costas, puxar o tapete e fazê-los sofrer.

Como ensiná-los a se aproximar das pessoas? A sentir aqueles que são confiáveis ou não? A se proteger da violência, mas continuar admirando o mundo e suas belezas, não se privando de tudo por causa do medo?

Como ensiná-los a vencer a timidez e os receios todos, para que possam se aproximar das meninas, dar o primeiro beijo e perceber que essas pequenas coisas são tão mais simples do que pensamos e que os monstros são criados apenas nas nossas mentes? Eu passei por tudo isso há 30 anos; muitas coisas mudaram. As festas não são como eram. Garotos e garotas não dançam juntos, não conseguem a mesma privacidade que permite uma aproximação. As garotas são mulheres aos 15 anos e, geralmente, já viveram muito mais experiências do que os garotos, que são ainda crianças maiores.

Eles têm medo. Angustiam-se. Sofrem. Retraem-se. Tentam ganhar confiança nas bobagens que falam com os amigos, mas as mudanças do mundo não conseguiram esperar pelo tempo de adaptação dos garotos.

E eu como mãe, olho e preocupo-me. Adoraria ter o poder de resolver todos os problemas e todas as dificuldades, mas não o tenho. Desabafo com outras pessoas as inseguranças que não posso demonstrar aos filhos nesses momentos. Para eles, estou ali, forte e observadora, pronta a me atirar para amortecer a queda quando esta acontecer.

E aguardo. Espero o tempo resolver tudo, fazer com que as inseguranças diminuam, com que eles cresçam e cerquem-se de pessoas de bom caráter como eles. Desejo que todos os momentos difíceis passem sem deixar muitas cicatrizes. E que, quando adultos, possam se lembrar de todas essas fases da vida com saudades.

– Sílvia Souza

Sonnenblume_02_KMJ

 

  Meu ex marido costumava dizer uma frase (não sei se é um ditado ou uma citação de outro autor) sobre a diferença entre ser mãe e ser pai: a mãe se joga para amortecer a queda do filho, enquanto o pai espera que ele caia e depois estende a mão para ajudá-lo a se […]






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