10.06.2016

 

Faz bastante tempo que não comento algum filme aqui. Tenho ido pouco ao cinema. E os filmes que tenho visto em casa não têm me agradado em especial a ponto de eu desejar comentá-los.

No último domingo, assisti a esse filme no Now. É uma produção associada da Dinamarca, Brasil, França, Portugal e Suécia.

Logo no início, Olívia, uma atriz de teatro de origem italiana, descobre que está grávida do namorado, Serge, um ator francês, seu companheiro de palco. Seus planos seriam de continuar interpretando seu papel até que precisasse se afastar por causa do parto. Mas, como sempre, as coisas acontecem de tal forma a nos mostrar que não temos o controle de tudo: um risco de abortamento faz com que Olívia tenha que fazer repouso absoluto. Ela não pode mais atuar durante a gravidez e, praticamente, não pode sair de casa, já que o prédio onde moram não tem elevador.

De repente, há aquela mulher que sempre teve uma história de rebeldia e de ir atrás dos seus sonhos, no auge de sua carreira como atriz, tendo que ficar presa em casa, sozinha o dia todo, sentindo algo crescer dentro dela… algo que lhe é estranho.

E tudo isso acontece em meio a um relacionamento que não estava totalmente estabelecido, no qual não havia um comprometimento total, nem planos de uma vida juntos. Serge continua na peça, precisa viajar, deixar Olívia sozinha; ele tenta ter paciência para lidar com sua justificada irritação.

A maternidade é uma coisa maravilhosa. Mas não gosto da aura de santidade que se coloca em volta dela. Nem todos os sentimentos da gestante ou da jovem mãe são nobres. Ficamos cansadas, quase nada no corpo funciona bem, sentimos algo que se mexe dentro do nosso corpo e temos que amar aquele ser, quando, muitas vezes, estranhamos esses movimentos incontroláveis, que nos acorda no meio da noite, que empurra nossas costelas e causa dor. A maternidade é algo natural; mas não é algo celestial. E abrimos mão de muitas coisas para acolher o novo ser que chega.

O filme mostra tudo isso. Mostra os aspectos nem sempre nobres e bonitos da gestação. Mostra os pensamentos mais secretos que, geralmente, a grávida não tem coragem de verbalizar, porque não se aceita quem possa criticar um momento tão especial. Gostei muito do filme por causa dessa sua sinceridade, sem ser grosseiro ou perder seu encanto.

E o interesse aumenta ainda mais, porque logo se percebe que aquilo tudo é real. Olívia Corsini e Serge Nicolaï interpretam eles mesmos. A evolução da gravidez é real. O corpo que vai se transformando é real. A realidade da gestação na forma de um documentário mistura-se a trechos interpretados por atores desempenhando seus papeis. A pequena Nina nascerá e também estará presente no filme.

Não é um filme de ação. Não é um drama. É apenas a história da vida real, com seus aspectos bons e os não tão bons.

Vale muito a pena assistir.

 

– Sílvia Souza

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  Faz bastante tempo que não comento algum filme aqui. Tenho ido pouco ao cinema. E os filmes que tenho visto em casa não têm me agradado em especial a ponto de eu desejar comentá-los. No último domingo, assisti a esse filme no Now. É uma produção associada da Dinamarca, Brasil, França, Portugal e Suécia. […]



7.06.2016

Benefit

 

Meu filho mais velho tem 15 anos. Esse ano é o ano das festas… antigamente, eram festas de debutantes… hoje em dia, nem sei se essas festas de 15 anos têm um nome específico ou um significado especial.

A cada convite que ele recebe, eu agradeço por não ter filha. Os convites são mais suntuosos que a maioria dos convites de casamento que eu já recebi. E, se os convites são assim, as festas não são muito diferentes.

Acontecem sempre em Buffets elegantes, com inúmeros seguranças na porta. E o convite pede traje social completo; então, investimento em sapato social, camisa social, calça social, blaser, gravata. Ainda assim, é muito mais simples do que as moças, porque acho que ninguém vai notar se a camisa e a gravata foram as mesmas usadas na festa anterior.

Ele era bastante relutante a tudo isso. Na primeira festa à qual foi convidado, queria ir totalmente esporte. Consegui convencê-lo a ir um pouquinho arrumado. Quando ele viu como era, passou a querer investir na própria elegância. Também sempre foi resistente em usar perfumes. Atualmente, perfuma-se espontaneamente usando um perfume que ganhou do pai: Terre de Hermès, um dos melhores perfumes masculinos que conheço.

Mas, no meio dessa história, há um grande problema: o presente. Comecei perguntando para ele o que eu deveria comprar (na primeira festa). Como ele não soubesse, sugeri de irmos juntos escolher algo. Nenhum interesse.

Eu não tenho filhas e fui adolescente há 30 anos! Não sei o que se dá hoje em dia nessas festas extremamente elegantes. Apelei… Perguntei para minhas pacientes da mesma faixa etária quais seriam suas sugestões. Encontrei 2 tipos de respostas: charms da Pandora e maquiagem. E se a menina não tiver uma pulseira da Pandora, perguntei. A resposta: ela terá! Mesmo assim, achei que um estojo de maquiagem jovem e bonito faria presença (eu ADORO maquiagem).

Fui à Sephora e escolhi um estojo da Benefit que me pareceu agradar meninas adolescentes (será que estou tão por fora de tudo assim?).

Benefit 2

A cada festa, escolhia um desses estojos, com cores diferentes, finalidades diferentes, embora fossem todos muito bonitinhos e com aspecto bem jovem.

Eis que no sábado, antes de mais uma festa, meu filho demonstrou preocupação se as meninas conversavam entre elas e falassem que ele estava dando o mesmo presente. Ele nem mesmo demonstrou interesse em VER os presentes antes de dá-los!!! Puxa, fiquei meio chateada! Tenho o trabalho de sair, escolher, comprar e ainda escuto críticas.

Será que minhas escolhas estão sendo tão ruins? Eu absolutamente não sei!

Até agora ele estava gostando, porque todas as meninas vieram agradecê-lo pelo presente e se mostraram muito satisfeitas.

Como sempre, com esse meu lado extremamente sensível, eu chorei, falei que me esforçava para fazer o melhor… então ele deveria me falar o que queria que eu comprasse… ou escolhesse… E seguem as chantagens de mãe, que são as coisas mais insuportáveis do mundo!

Como é difícil a construção desse relacionamento com os filhos. Como todos os relacionamentos, não é algo fixo e imutável. Transforma-se todos os dias. E temos que manter o diálogo e tolerar as descompensações uns dos outros.

(P.S.: Se houver alguma menina mais jovem que leia o que eu escrevo e tiver algum sugestão de presente, agradeço! ;))

 

– Sílvia Souza

 

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  Meu filho mais velho tem 15 anos. Esse ano é o ano das festas… antigamente, eram festas de debutantes… hoje em dia, nem sei se essas festas de 15 anos têm um nome específico ou um significado especial. A cada convite que ele recebe, eu agradeço por não ter filha. Os convites são mais […]



31.05.2016
Sleeping Baby de Guillaume Fouace

Sleeping Baby de Guillaume Fouace

 

Acho que uma das maiores dificuldades da maternidade (na minha opinião) é a privação do sono; especialmente a que ocorre nas primeiras semanas após o nascimento do bebê. O Gabriel acordava a cada 3 horas e sempre foi uma criança fácil. Mas entre acordar, amamentá-lo, trocar a fralda (geralmente eles fazem cocô depois de mamar), fazê-lo dormir de novo e eu conseguir me aquecer na cama e pegar no sono, as noites ficavam longas e o descanso era quase nenhum. E eu não tinha ajuda durante o dia. Precisava entrar no ritmo dele e ainda cuidar das atividades da casa.

Quando ele passou a dormir a noite inteira, com cerca de 40 dias, senti como uma bênção. Finalmente, conseguiria descansar um pouco mais. A partir de então, o tempo de sono foi aumentando progressivamente, de 6 até 9 horas de sono ininterrupto. Essa fase durou cerca de 1 ano.

Por algum motivo que não sei explicar, quando ele tinha cerca de 14 meses, ele passou a acordar todas as noites e pedia a minha presença até que conseguisse dormir de novo. Eu me sentava na poltrona que ficava ao lado do berço, segurava sua mãozinha até que o sono viesse. O problema é que eu acabava dormindo ali, sentada na poltrona, até o horário de levantar para trabalhar. Acordava cansada, com dor nas costas e no pescoço, com as pernas inchadas e precisando enfrentar o dia todo de múltiplas atividades.

Em momentos assim, normalmente, aparecem muitas pessoas dando as mais diversas opiniões sobre como lidar com esse despertar noturno. Naquela época, fazia sucesso um pequeno livro chamado “Nana, Nenê – o Verdadeiro Método Estivill Para Ensinar Seu Filho A Dormir Bem” do autor Eduard Estivill. Uma amiga disse que tinha feito uso da técnica e que tinha dado certo. Comprei o livro, li e resolvemos aplicar.

O livro recomenda que o bebê seja deixado chorando durante esse despertar por tempos progressivamente mais longos; esperam-se 3 minutos, inicialmente, vai até o quarto e fala que está tudo bem e que ele deve dormir… e assim a cada 3 minutos na primeira noite. Na segunda noite, a cada 5 minutos… e assim progressivamente. (Posso não estar sendo precisa, afinal, usei essa técnica há 15 anos!).

E o Gabriel chorava, chorava… até o ponto de perder o fôlego. E chamava por nós, pai e mãe. E nós dois ficávamos sentados na sala ou no quarto, ignorando o choro, até que o tempo fosse completado. De acordo com o livro, em uma semana, ele estaria dormindo sem ajuda e a noite toda. Mas eu não aguentei uma semana! Meu coração chorava junto com ele! Não era possível que deixar a criança ali, sozinha, desamparada, não acabasse causando algum mal do ponto de vista emocional para ela.

Resolvi conversar com a pediatra. Ela nos disse que abominava esse método e achava que a criança precisava de acolhimento e não de abandono. Sua orientação foi para que deixássemos um colchão em nosso quarto, onde ele pudesse ser colocado caso acordasse à noite. Assim, estaria ao nosso lado, mas não em nossa cama. Adotamos esse método. Foram cerca de 4 anos em que o Gabriel acordava praticamente todas as noites e ia para seu colchão no meio da madrugada. Aos pouquinhos, esse hábito foi interrompido. Parabenizávamos quando ele dormia a noite toda em sua própria cama.

Mas simplesmente não consegui lidar com a possibilidade de ele se sentir sozinho e abandonado. Não sei se fiz certo. Mas ser mãe implica em errar infinitas vezes, geralmente fazendo o melhor, geralmente tentando acertar. Ao menos, sei que ele se sabe amado, sabe que sempre tem alguém para ampará-lo. É um adolescente seguro de si e que, hoje em dia, dorme muito bem, a noite toda, sem dificuldades.

– Sílvia Souza

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  Acho que uma das maiores dificuldades da maternidade (na minha opinião) é a privação do sono; especialmente a que ocorre nas primeiras semanas após o nascimento do bebê. O Gabriel acordava a cada 3 horas e sempre foi uma criança fácil. Mas entre acordar, amamentá-lo, trocar a fralda (geralmente eles fazem cocô depois de […]






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