21.06.2016
Maryanne Jacobsen

Maryanne Jacobsen

 

Em 31 de maio, publiquei um texto falando da minha experiência como mãe para fazer meu filho mais velho dormir (Experiências de mãe: O sono do bebê – Parte I). Hoje, vou escrever sobre meu caçula. A história não poderia ser mais diferente. Apenas uma comprovação de que não existem regras quando se trata de filhos.

O Guilherme nasceu de parto cesárea (diferente do Gabriel, cujo parto foi normal), com 38 semanas de gestação. Desde a primeira mamada, senti que estava lidando com uma criança completamente diferente do irmão. Ele era mais agressivo ao mamar e sempre sugou com mais força.

O Guilherme tinha crises de choro ininterruptas. Era uma aventura sair com ele para onde quer que fosse, porque, se ele começasse a chorar, esse choro poderia durar 1 a 2 horas, sem pausa, independente do que se fizesse. Não era fome. Não era fralda suja. Não era sede. Ele simplesmente chorava.

E, no meio da madrugada, era a mesma coisa. No início, eu tentava amamentar. Quando percebi que esse choro nunca era de fome, deixei de oferecer leite. Achamos que poderia ser cólica. Ele usava chicória na chupeta, dávamos simeticona, paracetamol, dipirona, chá de erva doce, de camomila, de ameixa e de qualquer outra coisa que alguém dissesse que poderia ajudar. Todas as noites, sem exceção, por volta das 2 horas, ele começava a chorar. Alternávamos eu e o pai, uma noite cada um, e dormíamos sentados na poltrona da sala com o Guilherme no colo.

Tinha aprendido na faculdade que as cólicas do bebê aconteciam por alguma imaturidade do sistema digestivo e costumava durar cerca de 3 meses. Quando completaram 4 meses desses choros diários e intensos, resolvi falar com a pediatra. Não podia ser normal.

Eu me lembro como se fosse hoje. Liguei para a pediatra, que é meu modelo de médica, uma pessoa incrível, em que me espelhei na minha vida profissional. Ela me disse: “Silvinha, quando a criança chora muito assim quando é colocada deitada, pode ser otite ou refluxo. Como não parece otite, porque não tem história nem febre, vamos tratar como refluxo. Compre o remédio e comece a dar hoje.”

E assim foi feito. Naquele mesmo dia começamos a dar a medicação. E naquela mesma noite, o Guilherme dormiu a noite inteira, sem choro, no berço dele, sem despertar uma única vez. O remédio continuou sendo administrado até que ele tivesse cerca de 3 anos. Eu tinha medo de interromper.

Desde aquela noite da medicação, o Guilherme sempre dormiu na própria cama; nunca gostou de ficar no colo para poder dormir. Só acorda à noite quanto tem pesadelo ou se estiver doente. Nunca mais deu trabalho à noite.

Alguns choros e birras persistiram por muitos anos. Ele continuou sendo bravo. Mas dorme como um anjo. Até hoje.

– Sílvia Souza

Rosa

 

 

  Em 31 de maio, publiquei um texto falando da minha experiência como mãe para fazer meu filho mais velho dormir (Experiências de mãe: O sono do bebê – Parte I). Hoje, vou escrever sobre meu caçula. A história não poderia ser mais diferente. Apenas uma comprovação de que não existem regras quando se trata […]



17.06.2016
Adolescent by Cliff Strother

Adolescent by Cliff Strother

 

Meu filho mais velho tinha uma atividade na escola no sábado de manhã. Os pais poderiam participar, porque haveria várias apresentações sobre voluntariado. Fomos caminhando juntos até a escola. No trajeto, perguntei sobre as atividades que seriam apresentadas e qual seria a necessidade da minha presença.

Ele me disse que eu não precisava ir; que eu que tinha assumido que deveria ir. Senti, por seu comentário, que talvez ele não quisesse minha presença. Perguntei se ele preferia que eu não fosse, se achava que teria vergonha de entrar comigo na escola. A resposta foi pronta: SIM. Ele preferia que eu não fosse. E complementou que ficava, sim, envergonhado da minha presença… que todos os adolescentes ficam.

Caminhamos mais um pouco juntos e, antes do portão da escola, dei algum dinheiro para que ele pudesse tomar um lanche, dei um beijo e me despedi. Voltei para casa. Falei para que ele me ligasse se precisasse de alguma coisa.

Se eu fiquei chateada? Não.

Meu filho é um menino maravilhoso. Carinhoso, comunicativo, bom aluno, inteligente, tem um ótimo grupo de amigos e tem 15 anos. Ele fala da sua vida, das suas conquistas, do seu aprendizado, dos problemas que enfrenta. Ele sabe que estou aberta para falar de todos os assuntos que quiser. Falamos sobre drogas, sobre bebida, sobre carreira, sobre meninas.

Eu sei que a colocação dele sobre minha presença na escola não foi ofensiva ou querendo me agredir. Ele apenas foi sincero e usou a liberdade que eu sempre dei a ele para falar o que sentia, sem precisar se sentir melindrado ao dizer o que quer que seja.

Faz 30 anos que passei por essa mesma idade. E, mesmo após tanto tempo, lembro-me exatamente como era. O adolescente não deixa de amar os pais ou de admirá-los. Ele precisa saber que os pais estão próximos e disponíveis para conversar ou ajudar a resolver os problemas. Mas eles precisam de espaço. Precisam ganhar autonomia. Eles têm necessidade de sentir que são capazes de resolver os próprios problemas, criar vínculos com os amigos. E desejam evitar qualquer tipo de situação vexatória ou que possam pensar que ele vive sob supervisão ou superproteção ou opressão.

Eu passei por tudo isso. É uma parte importante. Tenho que me policiar o tempo todo; afinal, como mãe, tenho uma tendência a querer resolver os problemas por ele, tomar a frente, proteger, cuidar em excesso. Os pais parecem entender a necessidade de independência com mais naturalidade. As mães sofrem mais. Mas estou aprendendo. Tento sempre recorrer à minha própria história, às minhas lembranças e sensações daquela época. Isso facilita muito.

Espero estar acertando.

– Sílvia Souza

Sonnenblume_02_KMJ

 

 

 

Vergonha dos pais na adolescência

  Meu filho mais velho tinha uma atividade na escola no sábado de manhã. Os pais poderiam participar, porque haveria várias apresentações sobre voluntariado. Fomos caminhando juntos até a escola. No trajeto, perguntei sobre as atividades que seriam apresentadas e qual seria a necessidade da minha presença. Ele me disse que eu não precisava ir; […]



12.06.2016
Reading Woman de Pierre-Auguste Renoir

Reading Woman de Pierre-Auguste Renoir

 

Essas foram as publicações da semana:

 

– Sílvia Souza

Rosa

  Essas foram as publicações da semana: De Livro para Filme: “Persuasão” de Jane Austen Livro “A vida está em outro lugar” de Milan Kundera Festas de 15 anos Obesidade – Alguns aspectos sobre as dietas TAG Cheia de História Filme “Olmo e a Gaivota” (“Olmo & the Seagull” – 2015) Prêmio Camões de Literatura […]


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