16.08.2016
Children at Play de Harry Brooker (1888)

Children at Play de Harry Brooker (1888)

 

O bullying é um termo de origem inglesa que significa abuso sistemático de poder. Ele é definido como um comportamento agressivo ou uma violência intencional originário de colegas, que acontece repetidamente e envolve um desequilíbrio de poder, seja real ou percebido, entre a vítima e o agressor. Com frequência, ainda se considera, erroneamente, que sofrer bullying faça parte de um “rito normal da passagem”.

O bullying pode assumir a forma direta, que inclui atos físicos e verbais de agressão, tais como bater, roubar ou xingar, ou a forma indireta, que é caracterizada pela exclusão social (por exemplo, você não pode jogar com a gente, você não foi convidado, etc) e por espalhar boatos. As crianças podem estar envolvidas em bullying como vítimas ou agressores, e também como agressores/vítimas, ou seja, um subgrupo de vítimas que também apresenta um comportamento agressor.

Recentemente, tem havido muito interesse em cyberbullying, que pode ser amplamente definido como qualquer intimidação que é realizada através de meios eletrônicos, como por celulares ou pela internet.

Uma em cada três crianças relata ter sido intimidada em algum momento de suas vidas; e 10-14% relataram agressões crônicas, com duração de mais de 6 meses. Entre 2% e 5% das crianças/adolescentes constituem-se agressores e um número similar são agressores/vítimas.

As taxas de cyberbullying são substancialmente menores, ficando em torno de 4,5% para as vítimas e de 2,8% para os agressores (apenas agressores ou agressores/vítimas), sendo que até 90% das vítimas de cyberbullying também são intimidadas da forma tradicional (cara a cara).

Na maioria dos casos, o bullying contra crianças/adolescentes parte dos colegas, sendo mais raros os casos de agressão dos pais ou outros adultos.

 

Identificação do Bullying

1. O bullying direto refere-se a agredir os outros chegando diretamente a eles. É feito por uma criança ou por um grupo de crianças repetidamente contra alguma outra criança na escola. Estas crianças:

  • são ameaçadas ou chantageadas ou têm suas coisas roubadas
  • são insultadas ou xingadas
  • são expostas ao ridículo
  • são agredidas fisicamente

2. O bullying relacional refere-se a prejudicar as relações entre amigos. Repetidamente, crianças na escola:

  • são, deliberadamente, deixadas de fora de confraternizações, festas ou viagens
  • são ignoradas por outros, que se recusam a continuar amigos ou evitando tê-los por perto no grupo
  • são vítimas de mentiras e boatos

3. Cyberbullyingé quando alguém tenta perturbar ou prejudicar uma pessoa utilizando meios eletrônicos (por exemplo, telefones celulares, mensagens de texto, mensagens instantâneas, blogs, sites como Facebook ou e-mails).

  • Ter suas mensagens de e-mail privado, mensagens instantâneas ou de texto encaminhadas para outra pessoa ou tê-los postado onde outros possam vê-las
  • Ter rumores espalhados online
  • Receber e-mails, mensagens instantâneas ou de texto ameaçadores ou agressivos
  • Ter fotos embaraçosas publicadas on-line sem a sua permissão

 

Para caracterizar o bullying, deve-se responder às perguntas abaixo (escala de 4 pontos) separadamente para A, B e/ou C:

1. Quantas vezes alguma dessas coisas lhe aconteceu nos últimos 6 meses?

  • Nunca
  • Não muito (1-3 vezes)
  • Um pouco (mais de 4 vezes)
  • Muito (pelo menos uma vez por semana)

 

2. Quantas vezes você já fez essas coisas para outras pessoas nos últimos 6 meses?

  • Nunca
  • Não muito (1-3 vezes)
  • Um pouco (mais de 4 vezes)
  • Muito (pelo menos uma vez por semana)

Vítimas: Sofreram “um pouco” ou “muito”; fizeram para os outros: “não” ou “não muito”

Agressores/vítimasSofreram “um pouco” ou “muito”; fizeram para os outros: “um pouco” ou “muito”

Agressores: Sofreram “não” ou “não muito”; fizeram para os outros: “um pouco” ou “muito”

O bullying é encontrado em todas as sociedades, atuais ou antigas. É considerado uma adaptação evolutiva, cuja finalidade é ganhar status e dominância, ter maior acesso a recursos, capacidade de sobrevivência, reduzir o estresse e permitir maiores chances de ter um parceiro. Dentro dessa explicação evolucionária, é possível entender o fato dos agressores serem, com muita frequência, fortes e altamente populares e terem habilidades sociais e emocionais. Portanto, na maioria das vezes, o bullying não é decorrente de um transtorno de comportamento.

Em fevereiro de 2015, foi publicada pela Universidade de Warwick (Inglaterra) uma grande revisão sobre os efeitos do bullying na saúde das crianças e adolescentes.

Os resultados estão descritos a seguir.

As crianças que foram vítimas de bullying apresentam maior risco de desenvolver problemas somáticos comuns, tais como resfriados, ou problemas psicossomáticos como dores de cabeça, dores de estômago ou problemas de sono, e são mais propensos a começar a fumar. Ser vítima de bullying também esteve relacionado a maior frequência de problemas emocionais, transtornos de ansiedade e episódios depressivos. Além disso, as vítimas de bullying apresentam maior risco de automutilação e de pensamentos suicidas na adolescência. As crianças que sofreram bullying no ensino fundamental ficaram mais propensas a alterações do comportamento e sintomas psicóticos, como alucinações, na adolescência. Os agressores apresentam, com maior frequência, associação com comportamentos delinquentes e violência com o parceiro na adolescência.

Quando o bullying é praticado contra adolescentes, continuam sendo verificadas associações com distúrbios emocionais, como ansiedade e depressão, mantidos na idade adulta (dos 18 aos 50 anos de idade). Além disso, as vítimas apresentaram risco aumentado para experiências psicóticas (alucinações), ideação suicida, tentativas de suicídio ou suicídio consumado.  Elas tiveram também mais problemas de saúde relatados, como problemas de saúde geral, incluindo dores no corpo, dores de cabeça e recuperação mais lenta de doenças. Aqueles que sofreram bullying na infância tiveram desempenho educacional mais baixo, pior performance na gestão financeira e ganhos menores do que seus pares ao longo da vida adulta. As vítimas também sofreram maiores dificuldades para fazer ou manter amigos e foram menos propensos a viver com um parceiro e ter apoio social.

Quanto aos agressores, com maior frequência, estão associados a comportamentos agressivos, antissociais, maior chance de estarem desempregados, mais propensos a serem acusados de crime grave, roubo ou uso de drogas ilegais na idade adulta. No entanto, muitos desses efeitos sobre a delinquência podem desaparecer quando são ajustados os fatores envolvendo circunstâncias familiares adversas.

Os efeitos de ter sofrido bullying excedem as consequências de outras adversidades na infância ou de abuso na vida adulta; seus efeitos se fizeram presentes até 40 anos depois. Em segundo lugar, há uma relação dose-efeito entre ser agredido pelos colegas e os efeitos adversos na adolescência e idade adulta. Aqueles que sofreram agressões com maior frequência, com maior gravidade e por mais tempo tiveram as piores consequências tardiamente. Em terceiro lugar, mesmo aqueles que deixaram de ser agredidos na escola apresentaram efeitos adversos na saúde, autoestima e qualidade de vida anos mais tarde quando comparados àqueles que nunca sofreram agressões. Em quarto lugar, quando são considerados separadamente as vítimas e os agressores/vítimas, esses últimos mostraram piores condições de saúde mental, adaptação econômica, relações sociais e idade precoce ao se tornar pai ou mãe. Por último, os agressores mostraram-se manipuladores sociais altamente sofisticados, insensíveis e pouco empáticos.

Devido a alterações de estresse crônico naquelas crianças que foram vítimas de bullying, com algumas alterações hormonais e neurológicas, eles tendem a apresentar respostas inflamatórias crônicas na vida adulta, aumentando o risco de doenças cardiovasculares, doenças metabólicas e problemas de saúde mental, tais como a depressão.

Além disso, as experiências de ameaça experimentadas pelas vítimas podem alterar as respostas de reconhecimento de situações ameaçadoras. As respostas alteradas ao estresse e a cognição social alterada (por exemplo, estar hipervigilante para pistas hostis) podem afetar as relações sociais com os pais, amigos e colegas de trabalho. Finalmente, a vitimização afeta a escolaridade e está associada ao absentismo escolar.

O bullying na infância tem efeitos graves sobre a saúde, resultando em custos substanciais para os indivíduos, suas famílias e a sociedade em geral.

Muitas crianças vítimas de bullying sofrem em silêncio e ficam relutantes em dizer a seus pais ou professores sobre suas experiências, por medo de represálias ou por vergonha. Até 50% das crianças dizem que raramente ou nunca contariam a seus pais, enquanto entre 35% e 60% não diria a seu professor.

Considerando-se estas evidências dos efeitos nocivos de sofrer bullying na infância e do fato de que as crianças passarão muito mais tempo com seus colegas do que com seus pais até que atinjam 18 anos, é surpreendente que o bullying na infância não tenha uma atenção maior como um problema de saúde. Raramente, as crianças são questionadas pelos profissionais de saúde sobre suas relações com seus colegas. Pode ser por despreparo dos profissionais; mas é um fator importante a ser considerado, uma vez que o bullying está associado a faltas escolares e maior incidência de problemas de saúde.

 

Apresentação2

  O bullying é um termo de origem inglesa que significa abuso sistemático de poder. Ele é definido como um comportamento agressivo ou uma violência intencional originário de colegas, que acontece repetidamente e envolve um desequilíbrio de poder, seja real ou percebido, entre a vítima e o agressor. Com frequência, ainda se considera, erroneamente, que […]



9.08.2016

Pokémon GO

 

Eu sou uma mãe de 45 anos com filhos de 15 e 12 anos. Venho acompanhando a história do Pokémon e, especificamente, do Pokémon GO há mais de 1 ano. Acredito que a maioria das pessoas que passe pelos blogs seja composta de jovens e que devem saber tudo sobre o fenômeno Pokémon GO. Mas eu quis saber um pouco mais a respeito e fiz uma entrevista com 2 jovens muito bem informados: meus filhos.

Eu não conferi pessoalmente as informações que coloco aqui. Apenas organizei tudo o que eles me contaram.

A franquia Pokémon foi lançada pela primeira vez em 1996 como um jogo de videogame. Após o sucesso inicial, criou-se o anime, o jogo de cartas e o mangá. O sucesso permaneceu até 2002 ou 2003, quando estava na 3a. Geração. Mas, mesmo com a diminuição das vendas, a Nintendo não desistiu de desenvolver novos jogos e de investir na franquia.

A partir de 2007, aproximadamente, as gerações mais novas voltaram a se interessar pelos Pokémons, favorecendo a novos investimentos da Nintendo e da Pokémon Company International. Por conta desse novo crescimento, eu convivo neste mundo dos Pokémons há bastante tempo. Meus filhos colecionam as cartas e compram todos os novos jogos que são lançados. Ainda assim, o único Pokémon que eu conheço é o Pikachu.

Meu filho mais velho vem acompanhando o desenvolvimento do Pokémon GO desde que ele foi anunciado. Ele foi lançado inicialmente na Austrália e na Nova Zelândia em 06 de julho deste ano. E foi um sucesso imediato, como era de se esperar.

O novo jogo foi desenvolvido pela Pokémon Company International e pela Niantic Labs Inc., cujo CEO é John Hanke. A Niantic era da Google e Hanke era seu funcionário; entre os projetos que ajudou a desenvolver está o Keyhole, que era patrocinado por um dos braços da CIA; também trabalhou no Google Maps.

Por causa desse currículo de Hanke, ainda existe muita polêmica sobre uma possível fiscalização dos jogadores pela CIA. Houve casos de jogadores que leram os Termos de Licença do jogo e constava que a CIA poderia usar imagens capturadas pelas câmeras de seus celulares em possíveis investigações. Mas o mesmo também está presente em outros jogos e aplicativos como o Instagram. A verdade é que somos monitorados através de vários meios diferentes e, talvez, este jogo seja apenas mais um deles.

Em 03 de agosto, às vésperas do início dos Jogos Olímpicos, o jogo foi lançado no Brasil. Momento de euforia na minha casa. Na mesma noite de lançamento, meus filhos saíram para pegar alguns Pokémons.

Os Pokémons capturados servem apenas para este jogo. O jogador deve usar uma bola para conseguir capturá-lo quando o vê, utilizando o mapa que aparece na tela do celular ou do iPad. Existem formas de atrair Pokémons, como o uso de incensos. Neste caso, apenas o jogador que utilizou o incenso consegue vê-lo e capturá-lo. Nos outros casos, os Pokémons aparecem para todos os jogadores que estiverem próximos. Além dos Pokémons, eles podem pegar ou comprar itens que serão usados para reviver um Pokémon, para ajudar na sua evolução ou frutas que ajudam na captura. No jogo, também aparecem Ginásios, onde ocorrem as batalhas entre Pokémons de jogadores diferentes.

Eu não acho que o jogo seja ruim. Acho que é uma nova forma de jogar, ajudando inclusive a tirá-los de casa. Os problemas que vejo e sobre os quais oriento meus filhos:

  1. Segurança: é um risco em todos os lugares, mas aqui no Brasil, a preocupação com a segurança tem que ser ainda maior. Muitas pessoas já foram roubadas e todo cuidado é pouco.
  2. Atenção: houve casos de pessoas que se machucaram, caíram, foram atropeladas por falta de atenção, por ficarem olhando apenas para o celular e se esquecerem do mundo.
  3. Vício: jogar durante as aulas ou deixar de fazer outras coisas ou de cumprir as obrigações por causa do jogo são coisas que não devem acontecer. Tudo na vida pede moderação.

 

  Eu sou uma mãe de 45 anos com filhos de 15 e 12 anos. Venho acompanhando a história do Pokémon e, especificamente, do Pokémon GO há mais de 1 ano. Acredito que a maioria das pessoas que passe pelos blogs seja composta de jovens e que devem saber tudo sobre o fenômeno Pokémon GO. […]



24.07.2016
"Woman Reading on a Settee" de William W. Churchill (1858–1926)

“Woman Reading on a Settee” de William W. Churchill (1858–1926)

 

Publicações da Semana:

 

– Sílvia Souza

Rosa

  Publicações da Semana: Viagem a Buenos Aires Aniversário Museu de Belas Artes de Buenos Aires Medicina e Saúde: Tratamentos para emagrecer Monseigneur Bienvenu Myriel Filme “Truman” (2015) ZOO de Luján (Argentina)   – Sílvia Souza






%d blogueiros gostam disto:
DESIGN POR JESS