1.05.2016

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Inicialmente, assisti ao filme. Um drama absolutamente emocionante envolvendo a invasão soviética ao Afeganistão e a amizade entre dois meninos, sendo um deles rico (Amir) e o outro muito pobre (Hassan), filho do empregado da casa.

Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e está sempre em busca da aprovação de seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido por coragem e bondade. Os dois são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas.

Durante um desses campeonatos de pipas, quando Hassan vai tentar resgatar a pipa que caiu longe, acontece uma das cenas mais perturbadoras do filme, quando Hassan é atacado por outros garotos; Amir fica à distância e não defende o amigo. Essa cena ainda acontece no início da história; pouco depois ocorre a invasão soviética e Amir e o pai mudam-se para os Estados Unidos, fugindo da guerra.

Achei o filme muito tocante, mas não é do tipo de filme ao qual eu assistiria novamente, porque dá um pouco de náusea, ao vermos tanto sofrimento e tanto desrespeito pela vida humana.

Mesmo assim, como eu tinha gostado muito do filme, pedi o livro de presente, na expectativa de que ele trouxesse mais detalhes históricos. Mas tenho que confessar que me desapontei.

O filme é exatamente igual ao livro, sem tirar nem por. Talvez, se eu tivesse lido antes, pudesse ter construído os cenários e os personagens do livro usando minha própria imaginação. Mas como vi o filme antes, os personagens já estavam construídos, assim como os cenários. Tudo veio pronto quando a história do livro começou na minha frente.

Esse fato me causou desapontamento. Afinal, o que eu acho mais incrível nos livros é poder usar minha própria criatividade para adentrar o mundo criado pelo escritor. E fiquei impossibilitada. Não houve nenhum espaço, nada que acrescentasse.

Continuo achando a história linda, bastante indigesta, mas linda e comovente. Acho que para aqueles que não levam o livro nem viram o filme, valeria a pena ler o livro. Permitir-se entrar nesse mundo através da sua própria mente, e não pela visão do diretor. Mas, para quem optar pelo filme, o livro não traz mais detalhes e não se perde muito da história nem da caracterização.

 

– Sílvia Souza

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  Inicialmente, assisti ao filme. Um drama absolutamente emocionante envolvendo a invasão soviética ao Afeganistão e a amizade entre dois meninos, sendo um deles rico (Amir) e o outro muito pobre (Hassan), filho do empregado da casa. Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e está sempre em busca da aprovação de seu próprio […]



24.04.2016

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Fico sempre receosa de comprar um livro que seja um best seller. Tenho opiniões e gostos que destoam daqueles da maioria das pessoas e, geralmente, mesmo que um best seller possa me entreter, não é o tipo de leitura que eu mais aprecio. Em sua maioria, são leituras leves, fáceis, escritas para fazer sucesso e não para acrescentar algo de valor para o mundo literário. Será que estou sendo muito dura? Provavelmente. Sei que muitas vezes tenho uma visão rígida e um pouco preconceituosa quando se trata de avaliar uma obra literária; desprezo um pouco (ou muito) os livros extremamente comerciais.

Mas esse livro me provocou com seu título envolvendo uma paixão por livros e com seu tema envolvendo a Segunda Guerra, em especial com uma visão de alguém que viveu a Guerra do lado alemão. Acabei me interessando ainda mais pelo fato dos pais do autor terem vivenciado a Guerra. Então, mesmo ele sendo australiano e nascido em 1975, imaginei que ele tenha escutado vários relatos reais da Guerra. Acabei cedendo e comprando esse livro. E confesso que foi uma das melhores surpresas literárias da minha vida.

A leitura ocorreu em Setembro de 2012, antes que eu soubesse que haveria um filme sobre a história do livro. O livro é lindo, com a história da Guerra muito presente, com todo seu sofrimento, a fome, os bombardeios, o massacre dos judeus e, em meio a tudo isso, a história da pequena Liesel, contada pela própria Morte. Uma menina que ficou órfã e passou a ser criada por uma família desconhecida. Seu maior desejo era aprender a ler e ela tomava para si livros que tivessem sido perdidos, esquecidos ou que encontrasse abandonados.

O livro consegue reunir tantos aspectos diferentes e trata tudo com tanta sensibilidade que é impossível não se apaixonar pela menina e torcer por ela e pelas pessoas à sua volta em meio ao caos que a Alemanha vivia.

Gostei quando o filme estreou em 2013. Mas desde o início, imaginei que o filme não me agradaria tanto quanto o livro. E não errei. O filme tentou ser fiel ao filme na medida do possível. Mas os desfechos não foram respeitados e houve mudanças essenciais em relação à história contada no livro. Eu entendo que a indústria do cinema goste de amenizar algumas histórias relatadas, fazendo com que elas se tornem mais palatáveis. Mas as guerras não são facilmente digeridas… elas fazem sofrer, angustiam, incomodam cada célula do nosso corpo. E deveriam ser retratadas dessa forma, para mostrar os horrores que os homens são capazes de fazer uns com os outros.

Então, por mais que o filme seja bonitinho e bem feito, não chega aos pés do livro. E quem tiver a chance, deveria ler essa obra.

 

 

– Sílvia Souza

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  Fico sempre receosa de comprar um livro que seja um best seller. Tenho opiniões e gostos que destoam daqueles da maioria das pessoas e, geralmente, mesmo que um best seller possa me entreter, não é o tipo de leitura que eu mais aprecio. Em sua maioria, são leituras leves, fáceis, escritas para fazer sucesso […]



17.04.2016

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Eu tenho minha fixação particular por tudo o que envolve a Segunda Guerra. Costumo assistir a todos os filmes que saem a respeito.

O filme “Desejo e Reparação” (“Atonement” de 2007) não foi diferente. E ainda tinha o grande atrativo de incluir atores de que gosto muito: James McAvoy e Keira Knightley

 

 

O filme é absolutamente arrebatador. Mostra uma história de amor praticamente impossível, interrompida pela guerra e pelas mentiras da irmã mais nova (papel da jovem Saoirse Ronan). Não é uma história feliz e deixa-nos um pouco inconformados com todos os percalços pelos quais eles passam; as dificuldades, sofrimentos, superações. Posso afirmar que foi um dos filmes mais tocantes a que assisti.

A leitura da obra foi posterior. Aconteceu quando eu participava de um Clube de Leitura, cerca de 4 anos após o filme. Na verdade, eu nem mesmo sabia que havia um livro que tivesse dado origem ao filme.

Embora o livro seja tão emocionante quanto o filme, atrevo-me a dizer que esse é um dos raros casos em que gostei mais da adaptação para as telas do que da história contada no texto. O filme foi bastante fiel à história e os atores deram vida e emoção reais aos personagens.

Mas talvez a parte que mais incomode na leitura seja o sucesso que a pequena Briony Tallis (a irmã caçula) alcança enquanto escritora e certa redenção e o perdão que ela parece oferecer a si mesma pelos erros do passado. Ela é a narradora da história e está a caminho de receber um prêmio literário. Além disso, evolui, no fim dos seus dias, com um quadro demencial que está fazendo com que se esqueça das coisas. Mas antes do total esquecimento, resolve contar a história de amor que a irmã viveu e que ela atrapalhou com várias mentiras por causa de erros de percepção de quando era jovem. E narra a história quase como um pedido de desculpas, um desejo profundo de se libertar da culpa que a perseguiu por toda a vida.

O livro é também uma obra maravilhosa. Mas o filme é absolutamente extasiante e imperdível.

A quem puder, recomendo os dois.

– Sílvia Souza

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  Eu tenho minha fixação particular por tudo o que envolve a Segunda Guerra. Costumo assistir a todos os filmes que saem a respeito. O filme “Desejo e Reparação” (“Atonement” de 2007) não foi diferente. E ainda tinha o grande atrativo de incluir atores de que gosto muito: James McAvoy e Keira Knightley.      O filme é […]






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