30.04.2016

De São Paulo para Praga

 

Viajar é um dos meus maiores prazeres. Conhecer lugares novos, em especial aqueles repletos de história, é impagável. O mundo é repleto de belezas naturais ou construídas pelo homem e, mesmo havendo fotos lindas dos mais diversos lugares, nada vale a emoção de estar em um lugar diferente (pela primeira vez ou não), olhar para as pessoas à volta, sentir o ambiente, escutar a forma com que falam e se vestem… Viajar é sentir-se vivo, refletir sobre a própria existência, perceber e respeitar diferenças, sentir que o mundo é muito mais amplo do que nosso ser individual e egoísta.

Apenas não viajo mais por causa das limitações: dinheiro e tempo. Mas quando tenho uma sobrinha dos dois (mesmo que seja um pouquinho), viajar é sempre minha escolha.

Há tantos lugares ainda por conhecer… outros tantos para onde eu gostaria de voltar inúmeras vezes…

E há momentos em que me vem um desejo profundo de que as distâncias diminuíssem ainda mais, de que os meios de transporte fossem mais rápidos e mais baratos… de que pudéssemos vencer qualquer distância quando nosso coração pede com muita força e desejo.

Imagino há cerca de 100 anos, quando o oceano precisava ser cruzado a bordo de navios que levavam dias. Qualquer que fosse a urgência de chegar ao destino, nada podia ser feito além de esperar. Às vezes, questiono-me se as pessoas eram menos angustiadas, afinal, a única coisa possível era aceitar o tempo previsto para percorrer a distância entre o ponto de partida e o de chegada. Hoje em dia, já aceleramos tanto, e angustiamo-nos mais, sofremos mais e queremos acelerar mais, porque exigimos que tudo seja imediato. Queremos estar em outro lugar, encontrar as pessoas que amamos, no mesmo tempo em que damos um telefonema ou nos comunicamos pela Internet. Ver uma foto ou escutar um som ou a voz de alguém é maravilhoso. Mas alguns dos nossos sentidos não se satisfazem… queremos o gosto, o cheiro, a sensação da temperatura, do toque… E ainda não chegamos ao tele transporte.

Todas as vezes em que meus filhos me perguntam qual seria o super poder que eu gostaria de ter (acho que a maioria dos meninos deve ter se imaginado com os poderes dos heróis dos quadrinhos), eu sempre disse que queria ter uma super velocidade ou a capacidade de me tele transportar. Não seria maravilhoso? Poder estar em Presidente Prudente ou Praga em um piscar de olhos… conhecer lugares e ver as pessoas que amo e de quem sinto falta…

Já viajei bastante; mas ainda é pouco. Só que mudei. Antes eu queria conhecer o mundo todo. Agora, eu queria ver ou rever lugares com as pessoas que me são importantes e, de preferência, lugares que me sejam significativos.

Como os vinhos de qualidade que ficam melhores com o tempo, estou envelhecendo mais exigente e seletiva; tento valorizar cada minuto do meu dia com o que é importante, porque não sei até quando estarei aqui nessa existência. E as viagens entram nessa categoria… não quero deixar de fazê-las, mas quero que aquelas que eu programar tenham significado.

– Sílvia Souza

Rose Gardens in Prague

Rose Gardens in Prague

  Viajar é um dos meus maiores prazeres. Conhecer lugares novos, em especial aqueles repletos de história, é impagável. O mundo é repleto de belezas naturais ou construídas pelo homem e, mesmo havendo fotos lindas dos mais diversos lugares, nada vale a emoção de estar em um lugar diferente (pela primeira vez ou não), olhar […]



23.04.2016
Espinho, Portugal

Espinho, Portugal

 

Lua de memórias perdidas sobre a negra paisagem, nítida no sossego, da minha imperfeição compreendendo-se. O meu ser sente-te vagamente, como se fosse um cinto teu que te sentisse. Debruço-me sobre o teu rosto branco nas águas noturnas do meu desassossego, mas nunca saberei se és lua no meu céu para que o causes, ou estranha lua submarina para que, não sei como, o finjas.

Bernardo Soares. Fernando Pessoa. Livro do Desassossego.

  Lua de memórias perdidas sobre a negra paisagem, nítida no sossego, da minha imperfeição compreendendo-se. O meu ser sente-te vagamente, como se fosse um cinto teu que te sentisse. Debruço-me sobre o teu rosto branco nas águas noturnas do meu desassossego, mas nunca saberei se és lua no meu céu para que o causes, […]



22.04.2016
Praia de Esmoriz, Portugal

Praia de Esmoriz, Portugal

 

Ocupas o intervalo dos meus pensamentos e os interstícios das minhas sensações. Por isso eu não te penso nem te sinto, mas os meus pensamentos são ogivais de te sentir, e os meus sentimentos góticos de evocar-te.

Bernardo Soares. Fernando Pessoa. Livro do Desassossego.

  Ocupas o intervalo dos meus pensamentos e os interstícios das minhas sensações. Por isso eu não te penso nem te sinto, mas os meus pensamentos são ogivais de te sentir, e os meus sentimentos góticos de evocar-te. Bernardo Soares. Fernando Pessoa. Livro do Desassossego.






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