6.06.2016
Gruta de Alvados, Portugal

Gruta de Alvados, Portugal

 

Quando te vi, amei-te já muito antes. Tornei a achar-te quando te encontrei… (…)
Sim, meu amor por ti já estava em mim, antes que te conhecesse. Então, eu te conhecia sem o saber! Agora, que te encontrei, re-conheci o rosto que eu já amava sem saber. Tu, minha amada, já existias em mim desde antes do começo dos mundos!

Fernando Pessoa

  Quando te vi, amei-te já muito antes. Tornei a achar-te quando te encontrei… (…) Sim, meu amor por ti já estava em mim, antes que te conhecesse. Então, eu te conhecia sem o saber! Agora, que te encontrei, re-conheci o rosto que eu já amava sem saber. Tu, minha amada, já existias em mim […]



19.05.2016
L'Amour et Psyche, enfants de William-Adolphe Bouguereau

L’Amour et Psyche, enfants de William-Adolphe Bouguereau

 

Eu tenho minhas dúvidas sobre a existência de Deus. Acredito em energia, algo intenso que conecta pessoas, animais e tudo mais que existe no mundo. Essa energia poderia ser Deus? Mas não quero colocar essa minha crença (ou descrença) em discussão, porque não tenho como provar a existência ou inexistência e porque não tenho nenhum interesse nisso. O importante é que cada um tenha sua própria fé.

Mas há uma coisa na qual acredito. É na existência de anjos. Quando digo anjo, não penso nesses seres bonitinhos, com asas, que voam e trazem mensagens do céu. Não. Quando digo anjo, penso em outro tipo de ser.

O anjo no qual acredito é aquele que vem como uma pessoa (alguém conhecido, um amigo, um familiar, ou até um desconhecido) em um momento em que precisamos de um abraço, uma palavra de carinho, um aconchego. Imagino que outras pessoas além de mim devem ter tido alguma experiência assim. Depois de ter uma desilusão amorosa, uma enorme tristeza, uma perda, uma mágoa, alguém vem e nos abraça; mas não qualquer abraço… alguém nos dá aquele abraço acolhedor, cheio de carinho e de energia boa. Em um dia de muita tensão, angústia, estresse, ansiedade, de repente chega uma mensagem de alguém que nem é tão próximo, mas mandou uma mensagem carinhosa que chegou naquele momento em que mais se precisava. Uma palavra correta no momento certo. Uma frase em um filme que parece ter sido colocada como um recado para mim. A leitura de um livro quando eu mais preciso da mensagem que ele vai me ensinar.

Será que todas essas pequenas coisas que chegam no momento certo são apenas coincidências? Será que o fato de eu perceber tudo isso no momento em que preciso é apenas porque meu cérebro está preparado para aquela mensagem e dá um significado diferente para ela? Será que preciso ser tão cética? Será que posso continuar acreditando nos meus anjos que me trazem carinho, aconchego, boas energias nos momentos em que mais preciso?

O cérebro é incrível. Mas a vida fica mais bonita quando enxergo alguma mágica nela, algo inexplicável, meio divino, como se tivesse sido colocado por um ser espiritual.

Prefiro, então, continuar acreditando nos meus anjos. E no carinho que recebo nos momentos em que mais preciso.

– Sílvia Souza

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  Eu tenho minhas dúvidas sobre a existência de Deus. Acredito em energia, algo intenso que conecta pessoas, animais e tudo mais que existe no mundo. Essa energia poderia ser Deus? Mas não quero colocar essa minha crença (ou descrença) em discussão, porque não tenho como provar a existência ou inexistência e porque não tenho […]



18.05.2016

equilibrio-das-pedras

 

Não fazemos aquilo que queremos e, no entanto, somos responsáveis por aquilo que somos.

– Jean-Paul Sartre

Houve um momento da minha vida em que passei a olhar para mim mesma como vítima. Quem me escutasse falando, pensaria que eu não tinha tido a chance de tomar minhas próprias decisões, que meus caminhos tinham sido escolhidos para mim por outra pessoa.

Eu representava esse papel e de fato acreditava nisso. E por me sentir a vítima, achava que eu tinha o direito de magoar pessoas que me amavam. Afinal, elas tinham feito escolhas que tinham sido prejudiciais para mim… era o pensamento distorcido que eu tinha!

Aos poucos, conseguindo adotar olhares diferentes para as situações passadas, mudei de opinião. O problema é que eu tenho uma dificuldade enorme de encontrar o equilíbrio. Sinto o meu “eu” em um movimento pendular: vou de um extremo a outro, em um vai e vem, até que o movimento do pêndulo vá parando no meio e vejo a situação de uma forma mais real.

Então, passei a achar o contrário. Que eu (e apenas eu) era a responsável por todas as minhas escolhas e por todas as consequências que tinham decorrido delas. E com essa visão, veio um peso enorme sobre mim. Passei a me sentir culpada por ter feito sofrer pessoas queridas na fase em que me achava vítima. E a culpa é um sentimento horrível. Diferente do arrependimento, que traz em si uma mudança de atitude, a culpa carrega uma passividade, como se ficássemos plantados no lugar do sofrimento e não fosse mais possível seguir em frente.

Comecei a chorar por escolhas feitas e que não podiam ser mudadas. E eu tinha sido a responsável por todas elas! (eu vejo muitas vezes isso colocado na internet, em frases e textos: assuma a responsabilidade por seus atos!!!).

Em vez disso trazer algo positivo para mim, fui afundando cada vez mais nesse pântano de sofrimento, culpa, tristeza, passividade. Veio a depressão e a vontade de morrer. Eu me sentia uma pessoa ruim, má mesmo. E sendo má (como eu me via), o que eu poderia trazer de bom para as pessoas que conviviam comigo?

Mais alguns meses de reflexões e reavaliações da minha vida amenizaram um pouco esse peso excessivo que eu carregava nas costas.

 

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Passei a perceber que, embora eu fosse responsável pelas minhas escolhas, nem sempre havia uma escolha. Alguns momentos e algumas decisões não permitiam que eu tivesse feito algo diferente. Eram estradas que dependiam das escolhas das outras pessoas que estavam à minha volta e que impactavam diretamente na minha vida.

Isso ameniza um pouco o sentimento de culpa e facilita sair da lama e voltar a caminhar em busca dos meus sonhos.

Aceitei, em alguns momentos, abrir mão dos meus desejos e dos meus objetivos por causa do amor que escolhi para dividir minha vida ou por causa dos meus filhos. São escolhas que a gente faz, nessa troca e entrega que envolve todos os relacionamentos.

Tenho tentado também localizar o mais rápido possível esse ponto de equilíbrio, o caminho do meio, a moderação. Isso pode ser usado em tudo na vida. Ainda não encontrei uma exceção. Talvez abraços? Gosto de abraços e talvez não haja um número limite.

O Budismo prega o Caminho do Meio e a moderação nas escolhas.

A Filosofia de Aristóteles também defende a ponderação das atitudes para que se alcance a felicidade. Qualquer extremo pode até gerar um prazer temporário, mas a felicidade (e a tranquilidade que ela traz) vem do equilíbrio. Devemos aprender a virtude e torná-la um hábito, para termos tranquilidade de alma.

Ainda tenho dificuldade nesse equilíbrio. Eu me sinto constantemente em uma corda bamba. E tenho que reencontrar a estabilidade a cada passo que dou, a cada vento que sopra. É algo dinâmico, difícil.

Mantenho a cabeça erguida e o olhar aonde quero chegar.

 

Corda Bamba

(austríaco Heinz Zak)

– Sílvia Souza

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  Não fazemos aquilo que queremos e, no entanto, somos responsáveis por aquilo que somos. – Jean-Paul Sartre Houve um momento da minha vida em que passei a olhar para mim mesma como vítima. Quem me escutasse falando, pensaria que eu não tinha tido a chance de tomar minhas próprias decisões, que meus caminhos tinham […]






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