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Surpresas

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Surpresas

Quanto, efetivamente, sabemos das pessoas que convivem conosco? Das que estão próximas, vivendo dentro de casa, dormindo na mesma cama? Será que conhecemos a história de vida, tudo aquilo que ela passou? E os sonhos, desejos, medos?

Como saber os pensamentos mais secretos de outra pessoa se, geralmente, não sabemos nem mesmo os nossos? Porque, por mais que achemos que temos plena certeza do que queremos, das nossas reações e das nossas escolhas, não conseguimos perceber as voltas que nosso pensamento racional dá para atender a um desejo inconsciente (ou subconsciente).

Fico pensando quantas vezes não julguei alguém, classifiquei, fiz pré concepções, baseados em nada! Às vezes mediante uma palavra, um comportamento, uma atitude. Sem saber sobre a história da pessoa, sem conversar um pouquinho que seja, como posso concluir alguma coisa?

E a situação contrária? Quantas vezes não aconteceu? Quantas vezes fui julgada, classificada, analisada, baseado apenas na aparência, nos silêncios, nos olhos observadores?

Se houver um desejo verdadeiro de se conhecer alguém, o ideal seria esvaziar a mente de todos os conceitos pré estabelecidos sobre essa pessoa. Como uma tela em branco, que será preenchida pouco a pouco com cada pedacinho que for sendo revelada da personalidade desse alguém. Haverá partes lindas e iluminadas; outras serão escuras e pouco nítidas. Talvez uma vida inteira de convivência se passe sem que a tela possa ser completamente preenchida. Pode acontecer das tonalidades mudarem.

Isso não seria o suficiente para nos abrirmos para conhecer melhor novas pessoas?

Não constituiria evidência clara que qualquer tipo de pré conceito é muito prejudicial para nossa vida e pode, potencialmente, evitar que conheçamos pessoas maravilhosas?

Uma das coisas que me encanta nessas observações sobre os caminhos desertos dentro de cada um de nós é observar meus filhos. Às quintas-feiras, eu os levo para uma atividade extra curricular. Há dias em que conversamos o trajeto todo, dentro do carro. Há dias em que cada um de nós está em silêncio, conversando com os próprios pensamentos. Quando pergunto para eles o que estão pensando, os dois me respondem com a maior naturalidade: “estamos filosofando”.

Eles sabem que estou aberta para escutar o que eles quiserem dividir. Mas também sabem que vou respeitar o espaço e o tempo deles; esperar que eles desvendem cada um dos caminhos secretos do pensamento e que façam suas próprias análises da vida, das pessoas, procurando, apenas, nunca pré julgar ninguém.

– Sílvia Souza

(27-08-2015)

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19 Comments
  • mariel disse:

    A ideia do quadro em branco é algo que pratico diariamente, a cada trabalho que faço. Mentalizo isso, um quadro em branco e deixo que as soluções que existem para aquele desafio específico sejam pintadas ali. Quando tu usaste a metáfora que pratico, pensei “taí uma alma que parece dessas que a gente gosta de graça”.

    • Silvia Souza disse:

      Obrigada por suas palavras!
      É algo incrível quando surge alguma identificação com outra pessoa ou pessoas.
      Eu gosto de perceber que não estou solitária nas minhas ideias e sentimentos.
      Um grande abraço!
      😊

  • M.Raydo disse:

    Se me visse na rua, andando de bobeira, neste meu corpo que Deus me deu, talvez, é bem provável que nunca trocaríamos sequer uma palavra!
    Primeiro que sou uma pessoa discreta e de beleza duvidosa!kkkk
    Segundo que dificilmente eu conversaria com qum eu não conheço! Pois é, tenho estas dificuldades! :p
    Porém, sou um cara aberto a muitas conversas, risadas e filosofias sem fim! Agradeço por te conhecer por aqui e encontrar em você uma boa amiga! 😉
    Hoje, minha mulher colocou umas roupas do meu lado e me pediu para guardá-las no lugar, ela me disse que respondi que sim… as guardaria!
    Confesso que não estava ali naquela hora. Estava com a mente em outro lugar!
    Aquele cara disponível e solícito em ajudar nos afazeres da casa, não era eu! Eu nunca disse que faria, eu não estava presente naquela hora! Sendo assim… como posso saber do outro, se nem de mim dou conta?!kkkk

    • Silvia Souza disse:

      A gente deveria fazer como quando conhece alguém nesse mundo virtual: não ter uma ideia pré concebida.
      Falo com pessoas, passo a admirar e ter carinho, sem nunca ter visto uma foto.
      Talvez seja eu que seja assim… acho que me encanto e me apaixono mais pelas ideias e pela sensibilidade ou senso de humor das pessoas do que por qualquer aspecto físico.
      Um lindo dia!
      Beijo!

      • M.Raydo disse:

        Já fui mais atento e querido quando menino! O tempo deixa a gente mais receoso! :p

        • Silvia Souza disse:

          Não entendi…
          Receoso de que???

          • M.Raydo disse:

            Gato escaldado tem medo de água fria! Conheci muita gente nesse mundo e confesso que uma boa parte foi “um pouco” rasteira e interesseira! Norma?! Talvez! Mas, isso me deixou com um pezinho lá atrás com as pessoas! Coisas da vida! :p

        • Silvia Souza disse:

          Escrevi alguma coisa que te chateou?

          • M.Raydo disse:

            De jeito nenhum! Acho que lembrei de coisas da minha própria vida! Seu texto ficou lindo! E você é ótima! 🙂

          • Silvia Souza disse:

            Eu queria poder dizer que só vamos encontrar pessoas maravilhosas em nossos caminhos… mas estaria mentindo pra você e me enganando.
            Mas me recuso a deixar de acreditar em boas surpresas…
            Quando eu perder toda a esperança em coisas boas, não terá sentido continuar vivendo.
            😊

          • M.Raydo disse:

            Eu não disse que não acredito nas coisas boas! Elas são muitas em minha vida! Só sei que tenho um pé atrás… é diferente! 🙂
            Realmente você tem razão, se não fosse por estas milhares de coisas maravilhosas, não teria sentido!
            Se você tivesse participado desse meu dia, iria entender o quanto puto passei por ele!
            Mas, agora está tudo bem! Almoçado, em minha casa e com uma bela multa de rodízio! :p

  • Acho que que não dá pra conhecer ninguém a fundo , há tanto na mente das pessoas , no coração … acho que por mais que elas tentem mostrar tudo que são de algum modo , ainda haverá algo que há muito tempo nasceu no seu interior , e vai morrer lá dentro sem nunca ter saído pra fora.

    Os segredos , os mistérios do outro ser , talvez seja justamente o que nos cative nas pessoas.

    • Silvia Souza disse:

      Concordo 100%.
      Por isso, ainda fico admirada com pessoas que dizem conhecer alguém a fundo.
      Se tem uma coisa que tenho aprendido cada vez mais, é que a vida é repleta de incertezas. A única certeza é a impermanência das coisas e das pessoas.
      Um lindo dia e um excelente final de semana!
      🙂

  • leandro disse:

    Quem lê os seus posts tão descolados e sinceros não acredita que você seja extremamente tímida. Por isso que nunca se pode avaliar alguém com apenas uma ótica. Boa noite.

    • Silvia Souza disse:

      Boa noite, Leandro!
      Tive que fazer um exercício progressivo para conseguir me expor um pouquinho…
      Não sei se estou certa ou errada, mas passei a achar que eu podia ajudar outras pessoas ao falar das minhas dúvidas, das minhas reflexões, dos meus medos… porque vi que não eram uma exclusividade minha.
      Obrigada por você estar sempre por aqui…

      Aproveitando… ainda não encontrei aquele filme (Energia Pura). Procurei no Netflix, no Now, no iTunes e em DVD. Continuo procurando… Se tiver alguma sugestão de onde eu poderia encontrar, assistirei com prazer…

      Um grande abraço!

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