Encontro entre amigas
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Ser

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Eu sou.

Atualmente, eu apenas sou. Já fui a neta de… a filha de… a irmã de… a esposa de… a mãe de… Já fui a menina inteligente, a moça bonita, a médica, a apaixonada por perfumes, aquela que lê muito… Já fui definida de muitas formas complementando a pergunta inevitável: você é quem?

Quando eu me separei, o objetivo era me conhecer e ser, independe de qualquer pessoa. Não me separei por um motivo único, sólido e preciso. Não. Eu era dependente dos outros; nunca tinha simplesmente “sido”. Talvez a maioria das pessoas não “seja” e não queira “ser”.

“Ser” dói muito. Foi o processo mais difícil pelo qual passei. “Ser médica” é puxado; exige muito estudo e dedicação. “Ser mãe” é algo para a vida toda, não existe aposentadoria e faz com que percamos muitas noites de sono. Mas nada incomoda tanto quanto o progresso para “SER”. Foram anos e muito sofrimento. Fiquei deprimida, quis morrer, pensei em desistir.

Para “ser”, precisamos olhar para dentro. Temos que escutar todas as vozes confusas e dissonantes que não sabem ao certo o que querem. Precisamos ficar em silêncio e tentar entender cada pequeno desejo, insatisfação ou medo. E, depois de entender, temos que, aos poucos, aprender a acalmá-los para que não surjam as angústias.

Para “ser”, precisamos controlar a necessidade de estar sempre com outras pessoas, sempre falando, sempre convivendo, sempre escutando música ou preenchendo a mente com sons variados que nos evitem ouvir os silêncios. Poucas pessoas querem isso. A maioria das pessoas que eu conheço precisa estar junto de outras pessoas ou ocupada em fazer algo para que os olhos não tenham tempo de olhar para dentro.

Como incomoda olhar para dentro! Existem momentos em que se torna quase insuportável!

Mas hoje, finalmente, posso dizer que “SOU”. É claro que não me conheço completamente. É claro que minha caminhada de auto conhecimento ainda está apenas começando. Mas acho que venci a parte mais dolorosa. Hoje em dia, eu sou independente de qualquer outra pessoa e consigo enfrentar a minha solidão sem medo do que vou encontrar.

Ainda existem pessoas que têm um certo compadecimento por mim, por eu ser divorciada e não ter uma companhia atualmente. Existem pessoas que me acham uma solitária e olham para mim com comiseração ou com desejo de cuidar. Existem pessoas que me tratam quase como uma criança com quem há necessidade de assumir uma responsabilidade, ou, pior, apiedam-se, porque acham que estou desamparada.

Hoje em dia, depois da estrada sofrida em busca de “ser”, posso dizer que estou mais tranquila do que essas pessoas que fogem das próprias angústias e evitam conviver consigo mesmas.

Tenho consciência que terei muitas quedas e posso, inclusive, arrepender-me do que estou escrevendo aqui hoje. Não tenho bola de cristal e desconheço o futuro. Mas posso dizer que hoje estou em paz. E posso afirmar que sou…

Simplesmente sou.

 

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3 Comments
  • carlos disse:

    Olá Silvia é incrível. O que as outras pessoas pensam e a enorme diferença com o que realmente somos. Eu acho que você é acima de tudo uma mulher forte e pronto para enfrentar a vida, como eu. Mãe, profissional ou escritor são apenas diferentes e parciais aspectos. Um beijo.

    • Silvia Souza disse:

      Olá, Carlos!
      Que bom que você gostou do meu texto.
      Precisava escrever sobre mim, sobre meu momento atual. Acho que nunca me senti tão em paz comigo mesma, por mais que os problemas do mundo e do Brasil me incomodem. Mas estar em paz internamente ajuda muito.
      Um grande beijo!

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