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Saúde: Mais sobre adoçantes artificiais

Saúde: Mais sobre adoçantes artificiais
Saúde: Mais sobre adoçantes artificiais

Tudo o que envolve a alimentação é muito difícil de ser estudado. Não é simples conseguir encontrar um grande grupo de pessoas nas quais seja possível controlar os fatores interferentes; e estes são inúmeros, tanto em relação a outros alimentos ingeridos, atividade física realizada, fatores genéticos, sono e vários outros.

No dia 31 de julho, o site Medscape comentou mais um trabalho médico que foi publicado com dados envolvendo adoçantes artificiais.

O primeiro adoçante artificial descoberto foi a sacarina em 1897. Ela foi descoberta por um químico por acidente. Depois veio o ciclamato de sódio, também descoberto acidentalmente em 1937; a seguir o aspartame em 1965 e, mais recentemente, a sucralose e a stévia.

Os adoçantes foram extremamente importantes para os pacientes portadores de diabetes, que tinham restrição do consumo do açúcar em sua dieta. Os adoçantes conseguiam deixar o sabor doce, sem elevar a glicemia. Mas, como tudo que possa estar o mais remotamente possível relacionamento ao controle do peso, os adoçantes passaram a ser usados como uma forma de evitar o ganho de peso sem que as pessoas abrissem mão do sabor doce de alimentos e bebidas.

Sempre houve questionamentos sobre o benefício real dos adoçantes no sentido de evitar ganho de peso. Chegou-se até mesmo a acreditar que eles poderiam ajudar a reduzir o peso; na pior das hipóteses, não haveria alteração no peso de quem substituísse o açúcar por adoçantes artificiais. Entretanto, pesquisas recentes têm indicado que talvez os adoçantes possam contribuir para o aumento de peso e para a piora do perfil metabólico de quem os consuma.

Um estudo publicado pela pesquisadora Meghan Azad e seus colaboradores, da Universidade de Manitoba, Winnipeg, através de metanálise e revisão sistemática, indica que o consumo rotineiro dos adoçantes artificiais pode estar associado ao ganho de peso e ao aumento do risco cardio metabólico. A pesquisadora acha importante que sejam realizados outros estudos para avaliar com mais cuidado o impacto do consumo de adoçantes na saúde das pessoas.

Os dados americanos indicam que mais de 40% dos adultos nos Estados Unidos consomem adoçantes artificiais regularmente, como aspartame, sucralose e stévia. Além disso, quando foram pesquisados metabólitos dos adoçantes no sangue e na urina de pessoas que diziam não usá-los, constatou-se que muitos tinham traços de adoçantes, indicando que as pessoas consumiam sem saber, ao ingeri-los em alimentos processados.

O estudo levantou dados de sete trabalhos randomizados que incluíam 1.003 participantes, com seguimento médio de 6 meses, e de 30 estudos de coorte que incluíam 405.907 participantes, com seguimento médio de 10 anos.

No caso de participantes que tinham obesidade ou sobrepeso, dois estudos longos mostraram redução de peso com o uso de adoçantes por 16 a 24 meses e três estudos mais curtos não mostraram benefício durante 6 meses de uso. Mas os pesquisadores notaram que os estudos longos foram financiados pela indústria dos adoçantes e que havia desvios nos cinco estudos analisados.

Um estudo de coorte grande e com tempo de seguimento mais longo mostrou que o consumo dos adoçantes estava associado a aumento de peso ao longo do tempo, além de aumento da circunferência abdominal. Além disso, o consumo elevado de adoçantes artificiais estava mais associado a maior riso de hipertensão arterial, derrame, eventos cardiovasculares e aparecimento de diabetes tipo 2.

Mas é importante salientar que esses achados podem ter outros fatores interferentes que não tenham sido bem controlados. O médico Lawrence Cheskin, da Johns Hopkins, Baltimore, acha pouco provável que os adoçantes artificias sejam causadores de doenças cardiovasculares e disse ao site Medscape que, provavelmente, as pessoas do estudo já deviam ter um risco aumento para doenças cardiovasculares, uma tendência a aumento de peso e hábitos alimentares ruins.

O foco principal das pesquisas da doutora Meghan Azad é a microbiota intestinal. E ela disse que estudos recentes mostraram que os adoçantes podem alterar a microbiota em animais de laboratório e em humanos e que, talvez, os adoçantes possam estar contribuindo para criar uma microbiota com maior tendência à obesidade.

Eu acredito que ainda falta muito para que se consiga de fato elucidar essa questão. Mesmo assim, minhas orientações para meus paciente é de tentar se acostumar ao sabor menos doce, evitando o consumo tanto de açúcar quanto de adoçantes em excesso. E vale lembrar que, no caso de pacientes que tenham diabetes, o consumo de açúcar deve ser evitado e o adoçante é um aliado para evitar o aumento da glicemia, mas, de preferência, consumido com moderação.

 

Fonte: Artificial Sweeteners Linked to Higher BMI, Cardiometabolic Risk – Medscape – Jul 31, 2017.

 

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