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Saúde: Estresse crônico e Obesidade

Saúde: Estresse crônico e Obesidade
Saúde: Estresse crônico e Obesidade

Quando enfrentamos uma situação de perigo, são desencadeadas algumas reações em nosso corpo para que possamos tomar uma decisão rápida para nossa proteção. Essas reações são provenientes do estímulo do sistema nervoso simpático e da liberação de alguns hormônios, entre os quais cortisol e adrenalina. Acredito que todas as pessoas já devem ter percebido a sensação causada nestes casos; é muito nítido o aumento da frequência cardíaca, mas podem haver outros sintomas.

O estresse agudo que acontece nestas ocasiões não é o maior problema em nossa vida nem acarreta maiores consequências para nossa saúde. O grande vilão é o estresse crônico, aquele que enfrentamos todos os dias e não percebemos de forma tão nítida. O estresse crônico é ocasionado pela nossa forma de lidar com nossos problemas diários, como trânsito, trabalho, violência, entre outros.

Existem testes de avaliação do estresse e sabe-se que as pessoas mais tensas têm maior risco de desenvolver doenças, entre elas o diabetes e problemas cardiovasculares.

O cortisol é um hormônio que aumenta em situações de estresse. Mas sua dosagem eventual não ajuda a dar ideia se a pessoa é estressada diariamente, porque o cortisol pode ter picos normais diariamente e sua meia vida é de cerca de 1 hora; ou seja, um valor normal ou elevado não é capaz de indicar como o indivíduo se comporta ao longo dos dias.

Há alguns anos vem sendo desenvolvida a quantificação do cortisol no fio de cabelo, que permite dar uma ideia da produção do cortisol nos últimos 2 meses. Se o valor se mostra elevado, isso acontece em decorrência de um aumento constante dos níveis do cortisol. Dessa forma, conseguem-se identificar as pessoas que vivem sob um estresse crônico.

Um estudo recente publicado na revista Obesity desenvolvido pela Dra. Sarah E. Jackson e colaboradores, da Universidade de Londres, relacionou os níveis elevados de cortisol no fio de cabelo com a ocorrência de obesidade, definida por um Índice de Massa Corporal (IMC) maior ou igual a 30. E os níveis eram ainda mais elevados em pessoas com obesidade persistente com duração dos 4 anos do estudo.

Hair cortisol is a relatively new measure which offers a suitable and easily obtainable method for assessing chronically high levels of cortisol concentrations in weight research and may therefore aid in further advancing understanding in this area.

[O cortisol do cabelo é uma medida relativamente nova que oferece um método adequado e facilmente obtido para avaliar os níveis cronicamente elevados de concentrações de cortisol na investigação do peso e, portanto, pode ajudar a melhorar a compreensão nesta área.]

– Sarah E. Jackson

A coleta do cabelo para a dosagem é feita cortando-se uma amostra de fios de cerca de 2 cm de comprimento próximo ao couro cabeludo. Deve-se obter uma quantidade de cerca de 10 mg de fios de cabelo. Uma amostra como essa vai representar cerca de 2 meses de exposição aos níveis de cortisol.

No estudo, além da coleta do cabelo, foram avaliados o IMC e a circunferência abdominal no início do estudo e após 4 anos de seguimento dos indivíduos. Foram acompanhados 2.527 indivíduos, entre homens e mulheres, com idades maiores ou iguais a 54 anos.

Os níveis elevados do cortisol se relacionaram à obesidade (IMC >30), ao peso mais elevado e a maiores medidas de circunferência abdominal. Como estes fatores estão associados ao diabetes e à ocorrência de doença cardiovascular, existe grande probabilidade de o estresse crônico realmente se associar a esses problemas de saúde, embora o estudo não tenha sido capaz de avaliar essa associação.

Os níveis mais baixos de cortisol foram encontrados em participantes com peso normal e os mais elevados naqueles que se mantiveram obesos durante os 4 anos do estudo. Embora estes dados possam sugerir que exista uma relação causal do cortisol e do estresse para a manutenção da obesidade, mais estudos são necessários para que se estabeleça essa correlação de fato.

Ainda não existe dosagem de cortisol no cabelo para uso clínico em consultório. Assim como o estudo publicado tem falhas e precisa de mais dados. Mas ele comprova algo que já era suposto por testes de estresse e pela avaliação do risco de doenças em pessoas com maiores níveis de tensão.

Tomar atitudes para reduzir o estresse e melhorar o equilíbrio emocional sempre traz benefícios, mesmo que ainda não existam estudos conclusivos. E não há contra indicações para mudanças comportamentais e de estilo de vida como atividade física e meditação.

 

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2 Comments
  • carlos disse:

    Olá Silvia, acho que o estresse engorda forma surpreendente. Ajudam o exercício e editação para reduzir o peso corporal. Mas com a vida de hoje é difícil evitar situações de produção de ansiedade no campo profissional. Além disso os ansiolíticos apenas sáo suficiente para manter o ritmo, sem sofrer de distúrbios insônia. E têm efeitos secundários. A melhor terapia, na minha opinião, deve vir da mão de medicina do trabalho. Um abraço.

    • Silvia Souza disse:

      O que eu tento fazer na minha vida e tento orientar os pacientes, Carlos, é adotar algumas mudanças na vida, como ter um hobby, algo que a pessoa realmente goste de fazer para aliviar a rotina.
      Na minha vida pessoal, a escrita, a leitura e a meditação ajudam a reduzir o estresse.
      Não é fácil não. Mas cada pessoa precisa buscar esse momento de tranquilidade dentro da rotina diária estressante.
      Beijo grande e uma ótima sexta-feira!

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