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Saúde: Entendendo um pouco mais sobre o metabolismo

Saúde: Entendendo um pouco mais sobre o metabolismo
Saúde: Entendendo um pouco mais sobre o metabolismo

Tenho a sensação de que entendo cada vez menos o controle metabólico do corpo humano. Não faz tanto tempo, achávamos que bastava realizar uma conta simples: quantidade de calorias ingerida menos a quantidade de calorias gasta. Pronto! O cálculo estava feito. E quem ousasse falar que não comia tanto assim para justificar o aumento de peso era taxado como mentiroso.

Mas quem trabalha com isso no dia a dia percebe que as coisas não se resumem a isso. Deveria haver algo mais, algo que fizesse com que cada pessoa tivesse um determinado ritmo de ganho ou de redução de peso.

Hoje em dia, alguns anos depois daquela crença inicial, percebemos que existem inúmeros outros fatores e provavelmente não conhecemos todos os interferentes no processo metabólico de cada organismo e tudo o que vem favorecendo a epidemia de obesidade. Já escrevi sobre isso alguns meses atrás (segue o link).

Hoje, vou abordar novamente a questão do horário da última refeição, mostrando os resultados de um trabalho pequeno, mas bastante interessante. O trabalho foi apresentando no simpósio SLEEP 2017, realizado em Boston há cerca de 2 semanas.

São fatos conhecidos que a privação de sono e a falta de alinhamento do ritmo circadiano favorecem o ganho de peso. O estudo que foi apresentado, embora pequeno, foi bem desenhado e reforça a ideia de que o consumo de refeições ou lanches de forma mais tardia, especialmente à noite, predispõe à obesidade de forma independente do tempo de sono noturno. Ele foi realizado pelo grupo de Namni Goel da Universidade da Pensilvânia.

Foram selecionados oito voluntários saudáveis (4 mulheres e 4 homens), com média de idade de 26 anos e índice de massa corporal (IMC) médio de 22,39 (nenhum deles tinha sobrepeso ou obesidade). Eles foram divididos em dois grupos e mantiveram suas vidas normais, controlados do ponto de vista de atividade física; os grupos diferiam entre si em relação aos horários das refeições, sendo semelhantes em termos das calorias ingeridas diariamente.

Na primeira fase, quatro pessoas seguiram horários diurnos das refeições (3 refeições e 2 lanches consumidos entre 8 horas e 19 horas) e quatro pessoas seguiram horários mais tardios das refeições (3 refeições e 2 lanches entre meio dia e 23 horas). As dietas foram semelhantes em termos de calorias e de conteúdo de macro nutrientes. E todos os participantes dormiram cerca de 7 horas por noite, das 23 horas às 7 horas.

Essa primeira fase durou 8 semanas. A seguir, houve um período de 2 semanas sem controle nenhum. Após esse tempo, chamado de washout, os grupos foram invertidos e aqueles que comeram durante o dia na primeira fase passaram a comer do meio dia até às 23 horas na segunda, e aqueles que comeram mais tarde na primeira fase passaram a comer das 8 às 19 horas na segunda fase. E o estudo seguiu por mais 8 semanas.

Foram verificados alguns parâmetros no início e no final de cada uma das fases: peso, adiposidade, metabolismo energético e marcadores hormonais.

Os resultados preliminares mostraram que, durante a fase em que os voluntários comeram do meio dia às 23 horas, houve maior tendência a aumento do peso; além disso, eles metabolizaram menos gordura com esse padrão alimentar, tendo sido encontrados valores mais elevados de insulina e de colesterol.

O estudo fornece algumas evidências experimentais de que comer até mais tarde pode promover o ganho de peso e um perfil metabólico menos saudável em pessoas com peso normal, havendo tendência a processos oxidativos, além de redução do metabolismo e do gasto energético e de piora dos níveis de marcadores hormonais. Resultados semelhantes e até mais intensos podem ser imaginados no caso de pessoas que já sejam portadoras de sobrepeso ou de obesidade.

Outros resultados que foram encontrados foram de picos mais precoces do hormônio ghrelina e mais tardios do hormônio leptina naqueles que comeram mais cedo, sugerindo que esse padrão de alimentação favoreça a saciedade por um tempo mais longo.

Embora o estudo tenha sido pequeno, os pesquisadores conseguiram controlar bem fatores interferentes, como o nível de atividade física, o padrão e tempo de sono e a quantidade de calorias ingeridas durante a duração do estudo.

Ainda existe muita coisa a ser estudada e compreendida. Mas podemos usar alguns dados já disponíveis (como este) para melhorar o padrão alimentar e os horários das refeições, objetivando manter uma vida mais saudável e com melhor qualidade.

 

Fonte: MedPage Today

 

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