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Saúde: Adoçantes artificiais e Ganho de Peso

Saúde: Adoçantes artificiais e Ganho de Peso
Saúde: Adoçantes artificiais e Ganho de Peso

Se um paciente pergunta se é recomendável o uso de adoçantes artificiais, como em refrigerantes dietéticos, para pessoas que querem emagrecer, as informações que temos atualmente são as seguintes:

  1. Estudos controlados mostram que refrigerantes dietéticos podem ajudar na redução do peso se estiverem associados a um programa alimentar adequado e à prática de atividades físicas.
  2. Não existem dados suficientes para dizer que o uso de adoçantes artificiais ajudem efetivamente na perda e na manutenção do peso.
  3. Reduzir a ingestão de bebidas doces ou adoçadas é bom para a saúde.
  4. Alguns estudos observacionais associaram o uso de adoçantes artificiais de baixa caloria ao aumento de peso; e alguns estudos animais sugerem que eles podem perturbar o metabolismo.

 

Um estudo publicado na revista Obesity avaliou 303 pessoas com sobrepeso ou obesidade que foram divididos entre consumo de água ou de bebidas com adoçantes. Todos seguiram um plano para redução do peso ao longo do estudo e os participantes de ambos os grupos reduziram o peso após 12 semanas: 6 kg em média nos participantes que ingeriram bebidas com adoçantes e 4 kg em média naqueles que ingeriram água.

“There is an overwhelming amount of evidence that [artificial sweeteners] can be useful as a tool for weight management, when people are actually cognitively engaged in trying to lose weight … as part of a program or following a plan.”

[Existe uma grande quantidade de evidências de que [edulcorantes artificiais] podem ser úteis como uma ferramenta para o controle de peso, quando as pessoas estão realmente cognitivamente envolvidas em tentar perder peso… como parte de um programa ou seguindo um plano.]

— John C. Peters, PhD, University of Colorado Anschutz Health and Wellness Center

Este benefício é atribuído à capacidade das bebidas satisfazerem a necessidade pelo sabor doce sem adicionar calorias.

“However, such studies may not reflect all of the ways that consumers actually use the sweeteners and cannot account for counterproductive behaviors that may be prompted by consumer beliefs or expectations about the product, for example, giving themselves permission to eat the hot fudge sundae because they had a diet soda. Most people actually add these to their diet. They don’t substitute them for regular sugar beverages.”

[No entanto, esses estudos podem não refletir todas as maneiras pelas quais os consumidores realmente usam os edulcorantes e não podem explicar os comportamentos contraproducentes que podem ser provocados pelas crenças ou expectativas dos consumidores sobre o produto, por exemplo, dando-se permissão para comer o sundae porque eles beberam uma soda dietética. A maioria das pessoas realmente adiciona estes produtos à sua dieta. Eles não irão substituí-los por refrigerantes com açúcar.]

— John C. Peters, PhD

 

Pode ser que essa situação realmente aconteça e pode ter interferido nos resultados de alguns estudos observacionais. Como exemplo, em um estudo da Universidade do Texas, foram avaliadas 3.700 pessoas entre 25 e 65 anos. Aqueles que tinham peso normal ou sobrepeso no início do estudo e que consumiam mais de 3 refrigerantes dietéticos por dia tiveram um risco duas vezes maior de se tornarem obesos nos oito anos subsequentes, em relação a aqueles que não consumiam refrigerantes dietéticos.

“The more of those studies that get published, the more evidence we have that people who have chosen to consume diet sodas really don’t end up with better health outcomes, and in many cases, their risks are elevated. Accumulating evidence suggests that frequent consumers of these sugar substitutes may be at risk of excessive weight gain, metabolic syndrome, type 2 diabetes, and cardiovascular disease.”

[Quanto mais desses estudos forem publicados, mais evidência temos de que as pessoas que optam por consumir refrigerantes dietéticos realmente não acabam com melhor saúde e, em muitos casos, apresentam riscos são elevados. As evidências sugerem que os consumidores freqüentes desses substitutos do açúcar podem estar em risco de ganho excessivo de peso, síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e doença cardiovascular.]

– Susan Swithers, PhD

 

Com a microbiota intestinal recebendo maior atenção nos últimos anos, os estudos sobre os efeitos dos adoçantes têm levantado preocupações nesta área. Em um estudo de 2014 publicado na Nature, os pesquisadores adicionaram sacarina, sucralose e aspartame à água potável de camundongos. Depois de uma semana, o grupo que ingeriu água com os edulcorantes artificiais desenvolveu intolerância à glicose, enquanto que os grupos que beberam água pura ou água com açúcar não. Quando os pesquisadores trataram os ratos com antibióticos projetados para matar as bactérias intestinais, a intolerância à glicose desapareceu.

Pesquisadores também analisaram as bactérias do intestino de quase 400 pessoas, e descobriu que os usuários regulares de adoçantes artificiais tinham diferenças na sua microflora que foram associados com diabetes tipo 2.

Analisar os efeitos dos edulcorantes é complicado pelo fato de que há uma meia dúzia deles, e cada um tem seu próprio caminho metabólico. Por exemplo, o aspartame é metabolizado rapidamente em seus componentes. O adoçante mais estudado é a sacarina, mas foi suplantado como líder de mercado pela sucralose. Sucralose é em grande parte não metabolizado e excretado na sua forma original, o que significa que ele ainda está se comportando como um edulcorante no trato gastrointestinal inferior e outras partes do corpo.

 

Recomendações

Dadas as complexidades e as respostas ainda desconhecidas, devemos nos basear em diretrizes recentes. Em 2012, a declaração conjunta da American Heart Association (Associação Americana de Cardiologia) e da American Diabetes Association (Associação Americana de Diabetes) diz:

“There are insufficient data to determine whether the use of [nonnutritive sweeteners] to displace caloric sweeteners in beverages and foods reduces added sugars or carbohydrate intakes, or benefits appetite, energy balance, body weight, or cardiometabolic risk factors.”

[Não há dados suficientes para determinar se o uso de adoçantes não-nutritivos para substituir o açúcar em bebidas e alimentos reduz a quantidade de açúcares ou carboidratos consumidos, ou se beneficia o apetite, o balanço energético, o peso corporal ou fatores de risco cardio metabólico.]

 

Resumindo:

  1. Estudos controlados mostraram um benefício modesto no peso das pessoas que consumiram adoçantes artificiais quando esse uso fazia parte de um programa de redução do peso, mas existem questionamentos se as pessoas usam estas substâncias desta forma.
  2. Os fabricantes de adoçantes dizem que é melhor substituir o açúcar por uma alternativa que não tenha calorias; mas essa afirmação isolada não pode ser levada em conta. Novos estudos são necessários para que se verifique se ela é verdadeira e se não existem riscos para a saúde.
  3. As recomendações de associações médicas e nutricionais dizem que as evidências são insuficientes para indicar o uso de adoçantes para ajudar na redução do peso.

As fontes dessas informações vieram do Endocrine News.

Eu gostaria de acrescentar uma observação importante aos dados apresentados aqui.

Tudo o que foi mencionado diz respeito ao uso dos adoçantes como um adjuvante na redução do peso. Mas é importante lembrar que os pacientes diabéticos e que, portanto, não conseguem metabolizar o açúcar ingerido, devem fazer uso dos adoçantes em substituição ao açúcar. Caso não o façam, correm o risco de apresentarem elevação importante da glicemia e piora do Diabetes, com aumento do risco de complicações.

 

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2 Comments
  • Carlos disse:

    Olá Silvia são sempre interessantes seus artigos sobre os cuidados de saúde. Eu acho que existe muito abuso de adoçantes para a indústria alimentar. Um abraço.

    • Silvia Souza disse:

      Obrigada, Carlos!
      De fato, o uso dos adoçantes está excessivo.
      O que falta é as pessoas comerem de forma mais natural, com uma comida feita em casa, sem tantos produtos químicos e industrializados.
      Beijo!

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