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Relação médico-paciente

Relação médico-paciente
Relação médico-paciente

Tenho acompanhado vários debates no meio médico dos Estados Unidos sobre a comunicação digital através de mensagens por aplicativos. Recentemente, o Conselho Federal de Medicina também se posicionou a respeito (o parecer completo pode ser acessado através deste LINK):

DA CONCLUSÃO

O WhatsApp e plataformas similares podem ser usados para comunicação entre médicos e seus pacientes, bem como entre médicos e médicos em caráter privativo para enviar dados ou tirar dúvidas com colegas, bem como em grupos fechados de especialistas ou do corpo clínico de uma instituição ou cátedra, com a ressalva de que todas as informações passadas tem absoluto caráter confidencial e não podem extrapolar os limites do próprio grupo, nem tampouco podem circular em grupos recreativos, mesmo que composto apenas por médicos, ressaltando a vedação explícita em substituir as consultas presenciais e aquelas para complementação diagnóstica ou evolutiva a critério do médico por quaisquer das plataformas existentes ou que venham a existir.

Já escutei opiniões de médicos que são terminantemente contrários a qualquer tipo de comunicação virtual.

A questão é que a internet e o uso destes aplicativos não são passageiros; eles vieram para ficar e a tendência é ampliar cada vez mais a forma de comunicação entre as pessoas. Não dá para ficarmos negando isso e querer ficar parado no tempo.

Precisamos realmente trazer a discussão aos conselhos regulamentadores e usar cuidado e ponderação durante esse tipo de comunicação.

No meu ponto de vista, a maioria das pessoas tem uma noção muito correta de quando acionar o médico através de uma mensagem por e-mail ou por WhatsApp e acho muito fácil fazer uma comparação entre eles e o contato telefônico.

Sempre existem aqueles que querem fazer uma “consulta” sem comparecer pessoalmente; isso já acontecia antes da internet e dos aplicativos. Sempre houve aqueles pacientes que pediam para os exames serem entregues para o médico e ligavam apenas para saber se estava tudo bem. Isso não mudou; apenas surgiram novas formas de acessar o médico. E, nestes casos, a resposta continuou sendo a mesma: precisa passar em consulta para conversar a respeito.

Mas acho que a possibilidade de acessar o médico para tirar uma dúvida, esclarecer a forma correta de tomar um medicamento, perguntar se pode comprar uma medicação similar quando não encontra aquele que consta na prescrição, estas são questões que precisam ser resolvidas de forma ágil e o uso do WhatsApp, mesmo não sendo algo instantâneo, pode ajudar muito.

Também existem os casos de pacientes que moram longe, em outra cidade ou outro estado ou, ainda, outro país e que precisa perguntar algo para saber se deve se dirigir a um pronto atendimento ou se deve comprar uma passagem para voltar em consulta.

E a situação em que o WhatsApp  mais ajuda na minha especialidade: acompanhamento do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Tornou-se muito mais rápido ajudar os pacientes a chegarem ao controle correto já que consigo orientá-los quando começam a ocorrer variações, sem precisar esperar pelas consultas que ocorrem a cada dois ou três meses.

Não tenho dúvidas de que o sigilo médico deve ser cuidado. As mensagens precisam ser bem escritas e não podem gerar dúvidas. Não pode haver erro no remetente. Todos estes são cuidados essenciais.

Mas tendo a manter a mente aberta frente às mudanças. Muitas vezes, elas podem nos ajudar.

 

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