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Quando o filho começa a sair

Quando o filho começa a sair
Quando o filho começa a sair

Meu filho mais velho tem 14 anos. Fará 15 anos em breve (10 dias). O ano de 2016 será de muitas festas de 15 anos. Na noite passada, ele teve a primeira. Antevejo que esse ano será de muitas emoções; preciso preparar meu coração e comprar muitos ansiolíticos e relaxantes musculares.

Eu sempre criei meus filhos sabendo que minha função seria prepará-los para o mundo. Não estarei aqui para sempre e quero que eles tenham autonomia, que sejam capazes de fazer as próprias escolhas e traçar o caminho que queiram seguir.

Converso de forma aberta com eles desde que eles eram pequenos. Nunca evitei assuntos e nunca deixei de responder a uma pergunta por achá-la inapropriada. Se a pergunta chegava era sinal de que eles tinham escutado algo que tivesse motivado o questionamento. Isso favoreceu o diálogo e sei que eles têm liberdade de conversar comigo sobre o que tiverem vontade. E se eu não souber algo, vou dizer que não sei.

Até o momento, eles sempre se mostraram responsáveis, bons alunos, carinhosos, amigos, educados… não tenho motivos para impor restrições ou algum tipo de castigo. Eles planejam seus horários de estudo, o tempo de leitura, das tarefas ou outras atividades.

E tudo tem funcionado bem. A mãe está sobrevivendo sem maiores avarias.

Mas não moramos na cidade mais tranquila do mundo. São Paulo é uma cidade grande, com muita violência, um trânsito intenso e muitos perigos. Mesmo assim, não posso colocá-los em uma redoma, nem fornecer imunidade a todos os problemas aos quais estejam sujeitos. Eles terão que enfrentar… e eu terei que me aguentar frente às inúmeras inseguranças e incertezas.

Saímos ontem para comprar uma camisa nova, a ser usada com uma calça que ele já tinha e um blazer que não servirá mais em uma nova oportunidade. Ele se perfumou, se arrumou, ficou lindo (a mãe nunca vai dizer nada contrário a isso) e às 21:30 saímos de casa. Eu fui levá-lo. Não era muito longe.

Voltei para casa. Cuidei do meu caçula. Ele foi dormir. Eu fiquei lendo e esperando pelo telefonema para que eu fosse resgatar meu primogênito na tal festa. O sono veio e me forcei a ficar acordada. Quanto mais o tempo passava, mais o sono fugia… acho que a ansiedade de mãe estava crescendo e mantendo a mente desperta.

À 1:30, resolvi tentar dormir um pouco. Sem chance! À 1:45, recebi o WhatsApp avisando que eu podia sair de casa para buscá-lo. Chegamos de volta em casa às 2:15 ou pouco depois. Ele estava radiante. A festa tinha sido ótima, estavam todos os amigos, ele tinha dançado, conversado, enfim, divertido-se. Tomou água e foi dormir.

A mãe, feliz por ele, exausta e tensa, foi tomar um ansiolítico e, mesmo com o remédio, esperar inutilmente pelo sono que não vinha. A que horas consegui dormir? Não tenho a menor ideia! A que horas acordei? Por volta das 7 horas. Ainda cansada. Ainda tensa. Com o pescoço e as costas contraídos e uma dor enorme na musculatura que quase não permite que eu me movimente.

Nas próximas festas, farei a mesma coisa. Quero que ele aproveite, curta essa fase, divirta-se muito. Eu perderei o sono e ficarei tensa. Mas sei que meu trabalho como mãe estará sendo bem feito: permito a diversão, estou por perto e meu colo estará sempre pronto para acolher depois de algum tropeço que terá na vida.

– Sílvia Souza

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5 Comments
  • Anas há muitas disse:

    Deve ser dureza!!!

    • Não é fácil…
      Fico sempre me lembrando em como era quando eu saía e como era importante participar dessas festas.
      Como mãe, existe uma tendência à superproteção… Mas temos que aguentar e ter a capacidade de deixar que eles vivam…
      Haja coração!
      Beijo grande e um bom início de semana!

  • Virginia Leite disse:

    Lindo texto ! Mãe é e sempre será super protetora com os filhos e quando chega a hora deles alçarem v ôo , toda mãe fica preoc upada , ansiosa e não dorme enquanto eles não chegam em casa sãos e salvos .

    • É a mais pura verdade, Virginia…
      É nosso impasse, não é? Criar para o mundo e prepará-los para caminharem pelas próprias pernas e, ao mesmo tempo, sofrer a vida toda rezando para que eles estejam sempre em segurança e sejam felizes…
      Beijo!

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