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Quando eu prestei Vestibular

Quando eu prestei Vestibular
Quando eu prestei Vestibular

Quando terminei o segundo ano do Ensino Médio, estava em uma fase em que me era muito mais divertido bater papo com as amigas, namorar e tomar sol do que ter que me sentar para estudar. Aquelas férias foram leves e divertidas.

Assim que iniciei o terceiro ano, minha mãe me avisou: se você pretende passar no vestibular para Medicina, não pode continuar nesse ritmo.

As aulas começaram. Montei um esquema de estudo diário, inclusive nos finais de semana. Continuava namorando; saía quando havia festas, mas mantinha minha programação de estudo e leitura.

Pouco tempo após o início das aulas, tive uma hepatite por Mononucleose Infecciosa e precisei ficar de licença médica, em repouso absoluto, por 4 semanas. Após o período inicial, em que eu me sentia muito mal, meu primo passou a me levar as matérias que eram dadas em sala de aula. E fui colocando em dia por minha conta. Quando voltei para a escola, eu estava muito à frente dos outros alunos, porque acabei me adiantando à programação de aulas dos professores.

O ano inteiro foi nesse mesmo ritmo. Dormia cedo. Fazia meu dia render. Seguia meu cronograma. Em períodos de prova, aproveitava para revisar todos os tópicos de todas as matérias.

Sou do interior de São Paulo. A escola em que eu estudava não chegava aos pés dos melhores colégios da capital do estado. Eu sabia que tinha que fazer o meu melhor se quisesse cursar uma Universidade Estadual. E eu me recusava a cursar uma particular, porque tinha consciência que seria muito difícil para os meus pais pagarem a faculdade e ainda me manterem morando fora de casa. Não cheguei a me inscrever nas particulares. Prestei apenas USP, UNESP e Unicamp.

Naquela época (1988), não havia ENEM. Não havia cotas de nenhum tipo. Éramos desconhecidos que concorriam dentro das mesmas condições por uma vaga em uma Universidade Estadual. A Unicamp estava em alta. Tinha sido a primeira universidade a mudar seu vestibular, reduzindo a necessidade de decorar e aumentando o raciocínio durante as provas. Era meu desejo cursar a Unicamp.

Lembro-me como se fosse hoje quando saiu no jornal a lista dos aprovados na primeira fase da Unicamp. Estava na casa dos meus avós; era um domingo. Meu nome estava na lista! Eu pulava e gritava! Para mim, aquilo valia como a aprovação na Unicamp, porque a primeira fase dependia da redação, que poderia ter uma avaliação mais subjetiva. (No final, quando as notas saíram, tirei nota 8,8 nessa redação da Unicamp!).

Prestei Unesp, segunda fase da Unicamp e segunda fase da Fuvest.

A primeira a soltar o resultado foi a Fuvest. Quem me informou sobre a minha aprovação na Fuvest (USP) foi uma amiga que veio até São Paulo para olhar a lista que saía nos cursinhos antes de sair nos jornais. Era assim… tínhamos que procurar pelo nome em listas gigantescas… Estava aprovada! Em dois dias, tinha que estar em São Paulo, com todos os documentos para fazer a matrícula na Faculdade de Medicina da USP. Meu pai veio para São Paulo comigo. Era a segunda vez na minha vida em que eu percorria a maior cidade do estado. Fomos direto para a Faculdade e fizemos minha matrícula. Voltaríamos no ônibus da tarde, mas tínhamos algumas horas para andar pela Faculdade e pelo Hospital.

Quando eu vi aquela faculdade centenária, o complexo hospitalar (Hospital das Clínicas), deixei de ter dúvidas. Era ali mesmo que eu iria estudar, independente do resultado da Unicamp.

Quando estávamos em São Paulo, saiu o resultado da Unesp. Mais uma aprovação.

Dois dias depois, o resultado da Unicamp. Aprovada também.

Meu esforço, minha organização, minha programação de estudo e leitura, toda minha dedicação tinha sido recompensada.

Chegaram a ligar da Unicamp na minha casa para saber o porquê de eu não ter comparecido para fazer a matrícula. Posteriormente, fiquei sabendo que eu tinha sido a primeira colocada em Medicina Unicamp. Na USP, fui a quinta colocada na carreira.

Não sei se existem gênios que entram sem muito esforço. Eu tenho consciência que tive que estudar muito, não ter preguiça, manter o ritmo e a dedicação. Meus pais foram personagens importantíssimos, apoiando-me e ajudando-me. E alguns dos meus professores também.

Ah! Ia me esquecendo… Por que a foto da Universidade de Coimbra? Uma amiga que também fez Medicina sugeriu de irmos estudar em Portugal e fazer Medicina em Coimbra. Chegamos a nos informar sobre o sistema de ingresso. Mas acabamos desistindo por causa da distância…

– Sílvia Souza

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4 Comments
  • Tati Iegoroff disse:

    Posso confessar uma coisa? Fiquei arrepiada lendo essa história! Parabéns (:
    Belíssimas conquistas, que com certeza rendem boas lembranças!

    • Obrigada, Tatiana!
      Não sou muito do tipo de ficar exaltando minhas conquistas… Mas fiquei com vontade de escrever minha história para comparar com o que eu tinha escrito anteriormente sobre os jovens de hoje em dia que escolhem suas carreiras.
      Beijo!

  • Adoro saber de pessoas que tiveram seu mérito reconhecido devidamente. É uma honra estar falando com uma aprovada em primeiro lugar para medicina *-*

    Eu sou economista, meu vestibular foi em 2009. Queria estudar em alguma das boas instituições privadas do Rio, pois não queria aturar a militância de alunos e professores típica dos cursos de humanas das federais, tampouco greves e ensino que não priorizasse cadeiras de finanças, mas tinha consciência de que meus pais não teriam condições de pagar. Antes de fazer as provas das federais, eu já estava matriculada no Ibmec, onde fiquei entre os primeiros e consegui uma bolsa integral. Ainda fui aprovada em outras duas instituições privadas, uma estadual e 4 federais, tendo ficado no top 10 para economia nas 4 federais. Compensou muito cada minuto dispendido com estudos ao longo da minha vida 🙂

    Beijos!

    • Olá, Thaís!
      Obrigada por compartilhar sua história também! E certamente você merece os parabéns!
      Sei que no Brasil há muita gente que conta com um empurrãozinho para dar certo e algumas pessoas boas não conseguem seu lugar ao sol. Mas prefiro acreditar que as pessoas que se esforçam de verdade ainda conseguem ser reconhecidas. Se um dia eu deixar de acreditar nisso, acho que desanimo de vez…
      Um beijo grande, com carinho!

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