Dia Mundial do Livro
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Qual o sentido de tudo?

Qual o sentido de tudo?
Qual o sentido de tudo?

Meus pais lêem tudo o que escrevo e sei que, depois desse texto, será um dos dias em que minha mãe vai me ligar e dizer que eu penso demais nas coisas… Até pensei em escrever algo diferente, mas deve haver uma pessoinha dentro de mim que fica me ditando o que escrever… A Rosa Montero, escritora espanhola, chama essa “pessoinha” dentro dela de “a louca da casa”. Vou pensar numa forma de nomear a minha também.

Hoje acordei cedo, como costumo fazer em quase todos os dias. Segui minha rotina diária. Embora cada dia seja único e nada aconteça exatamente da mesma forma, não houve nenhum evento novo ou que tenha fugido do habitual.

E me veio uma pergunta que me incomoda com frequência cada vez maior e para a qual não tenho resposta… Afinal, qual o sentido de tudo? De tudo o que fazemos, dessa rotina diária, de tanto sofrimento, tanta batalha?

Meu dia é motivado por pessoas (pessoas que amo ou pessoas por quem me importo): meus filhos, meus pais, minhas irmãs, meus sobrinhos, meus amigos, meus pacientes… E sofro porque fico longe da minha família. Escutar a voz pelo telefone é bom; até dá para ver a imagem. Mas e o contato? O abraço? O toque? O carinho? Eu preciso disso. Por que não os vejo mais? Por que não vivemos mais perto uns dos outros? Por que seguimos nessa rotina sem sentido, tentando ignorar a saudade que ocupa um espaço enorme dentro da gente?

Converso com pessoas que vivem para o trabalho, sem que destinem um tempo para a família ou para si próprios… Para quê? Sei que há necessidade de ter um salário, uma forma de ganhar a vida, uma programação para o futuro… Quando será o “futuro”? Quando a pessoa tiver 80 anos? Quando houver dores e doenças?

Vejo as pessoas que guardam mágoas ou que magoam os outros, que são egoístas ou maltratam ou ignoram, pessoas intolerantes, mesquinhas… Vale a pena? A vida passa tão rápido! Há pessoas que se afastaram de mim, com quem tento contato, que não me retornam e, em alguns casos, eu nem mesmo sei o que fiz (se fiz alguma coisa). Ou mesmo que eu tenha feito alguma coisa que magoasse alguém, será que a sensação do perdão, de esclarecer os mal-entendidos, não é muito melhor do que guardar aquele sentimento venenoso dentro de si?

Algumas pessoas tentam encontrar um sentido para a vida e acabam se contentando em algo tão pequeno e superficial quanto se esforçar para ter um corpo perfeito passando horas na academia ou tomando remédios de forma inconsequente, remédios que fazem mais mal do que bem. Outras que passam fome a vida toda, porque acham que serão felizes se forem magras. Alguns vivem uma vida de mentira, tentando não ver o sofrimento, a miséria e a doença. Outros ignoram sua própria miséria (a miséria da alma) e preenchem suas vidas criticando os outros e negando-se a ver suas próprias falhas e defeitos.

As relações se tornaram superficiais. Tenta-se obter do outro alguma vantagem, o sexo casual, um favor, sem nem perguntar se está tudo bem. Ninguém quer saber dos problemas e a vida vai sendo apresentada pelo Facebook como se fossem todos ricos, bonitos e felizes. Afinal, é essa vida de mentira que conta? É nela que temos que encontrar sentido? Se eu estiver bonita, jovem, magra e sorridente na foto, posso me considerar realizada?

Fazia meu Pilates de manhã e pensava em tudo isso. Tive vontade de chorar. Aliás, algumas lágrimas chegaram a surgir, mas engoli o choro a seco para que não mostrasse minha tristeza e minha indignação para os outros.

Queria cercar minha existência de pessoas que se importam comigo e por quem tenho carinho. Gostaria de me desculpar com aquelas a quem causei alguma mágoa. Quero desculpar todos aqueles que me fizeram chorar. Quero uma vida mais simples, sem desentendimentos, nem brigas, onde as diferenças possam ser esclarecidas e toleradas.

A vida passa tão rápido… o que vem depois ninguém sabe… É aqui e agora que temos que resolver nossos conflitos e tentar dar algum sentido para essa nossa existência, algum sentido maior do que bens materiais, vaidade excessiva ou a programação para um futuro que pode nunca chegar.

– Sílvia Souza

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9 Comments
  • Xandy Xandy disse:

    Não derrame lágrimas por estas pessoas. Elas não merecem você, Silvinha.
    Eu noto que hoje é só o “eu futebol clube”, ou seja, todos preocupando-se com si mesmos e não se importando com o próximo. Não sei porque motivo isso, mas temos que conviver com seres assim, infelizmente.
    Um grande beijo para você e esqueça estes vermes.

    • Olá, Alex!
      Eu juro que eu queria que fosse simples assim… Mas eu fico tão inconformada, sem conseguir entender… Por que será que existem pessoas que parecem ter prazer em ignorar ou se desfazer de outras pessoas?
      Sei que vou morrer sem ter a resposta…
      Um beijo grande e uma linda tarde!

  • Lari Reis disse:

    Querida Silvia,
    compreendo sua angústia e questionamentos. Gostaria de saber exatamente o que te dizer, mas acredito que, por mais coletiva que a vida possa ser – ou que gostaríamos que fosse – ela é uma experiência individual (ou pessoal, caso soe melhor) e, no fim das contas, a opinião dos outros serve apenas de caminho para a nossa…
    Reflexão inicial feita, eu gostaria de dizer para que não se sinta na obrigação de pedir perdão às pessoas que magoou na vida. É nobre o seu desejo, mas não deixe que isso se torne uma preocupação. Como você disse, algumas pessoas preferem cultivar a amargura, então se perdoe primeiro e, caso seja necessário, a vida se encarregará de te dar uma nova chance com pessoas que realmente seguirão importantes na sua jornada.
    Aliás, é justamente isso que acredito que fazemos aqui, percorremos uma jornada em busca de evolução. O meu foco é a evolução do lado humano de nosso ser e do lado espiritual. Nosso mundo parece evoluir muito em tecnologia (o que é ótimo), mas involuir justamente nesse lado humano, no contato com o outro e na percepção da vida. Deve ser algo pelo que precisamos passar. Minha expectativa é que encontremos um equilíbrio logo. Nisso, se você sente a necessidade de estar mais perto, siga procurando as pessoas, mas não se prenda àquelas que negarem. Cada pessoa está numa jornada diferente e isso pode levá-las a comportamentos que não compreendemos, sejam eles negativos ou positivos. Sempre haverá alguém carecendo do contato humano, assim como você 🙂
    Não duvido que você saiba de tudo isso o que eu disse, pelo contrário. Ainda assim, quis dizer! Espero que você siga em paz com seu coração.
    Beijos!

    yellowevershine.com.br

    • Agradeço muito por tudo o que você escreveu, Lari…
      Nem sei se há muitas mágoas pessoais, acho que não, porque nunca gostei de deixar situações desconfortáveis na minha vida.
      O que não entendo bem é algumas pessoas cultivarem essa amargura, a superficialidade, uma vida de aparências…
      É o que você citou: “Nosso mundo parece evoluir muito em tecnologia (o que é ótimo), mas involuir justamente nesse lado humano, no contato com o outro e na percepção da vida.”
      Acho que vem daí meu inconformismo… alguns não fazem questão de evoluir espiritualmente…
      Um beijo grande!

  • Esse sentimento é como um buraco negro que vai aos poucos consumindo tudo que existe de bom dentro de nós. Faça assim, se lembre de quando era criança, e viva como se fosse uma criança, mas com responsabilidade de um adulto, como vc mencionou, a vida é muito curta! Por isso devemos abraçar as pessoas que compartilham as mesmas coisas que nós da melhor maneira possível, ser deixar a vida se torar um fardo pesado!

    Grande abraço!

    • Olá, Eder! Tudo bem?
      Eu concordo com você… E tento fazer isso… Tento fazer com que minha vida tenha um sentido e procuro a cada dia perceber que tenho feito fazer valer a pena…
      Acho que não me conformo de tantas pessoas seguirem sem olharem para si mesmos, guardando mágoas, vivendo de forma automática…
      Fiquei contente que você deixou seu comentário aqui… Você é um grande incentivador do meu trabalho aqui no Blog.
      Um grande abraço!

  • Eduarda Naidel disse:

    “Queria cercar minha existência de pessoas que se importam comigo e por quem tenho carinho. Gostaria de me desculpar com aquelas a quem causei alguma mágoa. Quero desculpar todos aqueles que me fizeram chorar. Quero uma vida mais simples, sem desentendimentos, nem brigas, onde as diferenças possam ser esclarecidas e toleradas.” Resumiu todo meu pensamento. Que maravilhoso seria se estivéssemos rodeados o tempo todo de sentimentos e pessoas boas!

    • O que falta mais, no meu ponto de vista, é respeito pelas outras pessoas… a gente sempre deveria fazer aquilo que gostaríamos que fosse feito conosco… Uma regra tão simples e que ajudaria tanto no convívio social, não é?
      Beijo!

  • H. Lavin. M. disse:

    Em tão pouco, lendo e me questionando sobre o sentido das coisas, tive uma experiência dura e árdua, de uma melhor amiga que deixou de falar comigo por “não ter tempo”. Então, por muito tempo passou-se e a falta de tempo permaneceu entre nós, a distância também permeava no vale da amizade e com o tempo fui me afastando; sempre que sentia aquela saudade ou todas as vezes que eu me deparava sem aquele dia a dia conversando com essa pessoa querida, mandava uma mensagem para falar de alguma novidade ou pelo menos um “oi, estou aqui”. A vida prosseguiu, ela não me retornada também e até que um dia, ela me apareceu dizendo “Olá, nossa, você viu fulano com quem você namorou época atrás? Ele me mandou mensagem”. Aquilo foi o estopim, pra desentalar todas as minhas saudades, minhas angústias, mágoas e principalmente meu ódio ao ouvir aquilo, afinal, ela só lembrou de mim diante de uma pessoa que pertenceu ao meu passado. Esclareci a ela que não tinha nada contra essa pessoa, mas, por ora, tantas maneiras de iniciar uma conversa e veio com um papo tão mesquinho e sem sentimento, voltado tanto para “fofocas” ou “observações”. Nossa amizade, se rompeu? Não, pelo contrário, ela ouviu tudo que eu tinha a dizer, ficou brava, chorou e se chateou, mas depois veio pedir desculpas para mim, pela lição árdua que eu também havia ensinado ela.

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