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Ponto de Vista

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Ponto de Vista

O que existe de real na vida?

Um mesmo objeto pode nos parecer completamente diferente dependendo da forma de olharmos. Ao nos colocarmos em uma posição diferente. Ao mudarmos a iluminação. Ao usarmos diferentes sentidos. Ao olhar para ele em momentos distintos da nossa vida.

Estou me referindo aqui a um objeto concreto, palpável, daqueles que a gente consegue pegar na mão, sentir, dimensionar.

E se o substantivo passa a ser algo abstrato, como amor, mágoa, alegria, tristeza?

E se adicionarmos ao abstrato a passagem do tempo? E tentarmos retomar os sentimentos que carregávamos em um tempo passado? O que haverá de dado concreto? Se eu pensar nesse mesmo momento da minha vida, hoje, amanhã, daqui a uma semana ou um mês? Ele vai mudar! Certamente vai mudar!

Como algo que já foi, já passou, “um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado” pode mudar na lembrança e no sentimento?

São perguntas intermináveis, para as quais não tenho resposta.

Meu estado de espírito presente contamina (ou contagia) minhas lembranças, focando nas coisas boas que se passaram quando estou alegre, e focando nas mágoas e tristezas quando estou melancólica. Hoje, posso ser grata por ter tido um grande amor. E amanhã, me entristecer por todo o sofrimento que restou quando o amor acabou.

Há momentos em que essas mudanças na perspectiva me parecem absurdas.

Depois percebo que a vida é assim. Nada é linear e lógico. Ao viver experiências variáveis, e ao mudar minha percepção de fatos e sentimentos passados, um mundo muito mais rico vai crescendo dentro de mim. Meu caráter, minha personalidade, quem sou de verdade passa a ser uma pessoa mais bonita, com mais cores, mais vivências. Vou, pouco a pouco, me tornando mais tolerante, mais compreensiva. E meu olhar para o mundo muda.

Assim como o mundo passa a hospedar uma pessoa muito melhor.

– Sílvia Souza

(20-08-2015)

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9 Comments
  • gustavoesaude disse:

    O ser humano vai sempre se lembrar das maiores e mais importantes alegrias e tristezas da sua vida passada. Inclusive as mágoas perdoadas ficarão na nossa lembrança para sempre (uma cicatriz eterna). Mas ainda bem que Deus é um ser que perdoa e é o único que consegue, em sua onipotência, esquecer os nossos erros. Isso é bom, porque para Ele é como se nós nunca tivéssemos cometido sequer um equívoco em toda nossa existência.

    “Perdoarei seu erro e não me lembrarei mais do seu pecado.” (Jeremias 31:34)

  • Que delícia de texto Sílvia, que delícia mesmo… a questão que você levanta no seu texto sempre me incomoda muito, me inquieta. Eu acho que tudo depende muito da bagagem de cada um, da história de vida, da personalidade, da idade. Imagine que eu, minha avó e minha mãe, temos visões tão distintas sobre a mesma coisa, sobre o mesmo acontecimento. E ao mesmo tempo, concordamos em tantas outras. Acho que é isso que nos une, o amor e o respeito.

    Beijos!

    • Sílvia Souza disse:

      Obrigada por ler e pelo seu comentário, Thais!
      Eu sempre acho interessante esse assunto. A gente tem uma tendência de achar que um fato é algo real, objetivo, concreto.
      E a verdade é que nada é.
      Tudo depende da bagagem, como você escreveu.
      Tenha um ótimo dia! Beijo!

  • Diogo Pontes disse:

    Como eu sempre costumo dizer: não existe nada absoluto, existem várias perspectivas sobre a mesma coisa!

  • M.Raydo disse:

    Que lindo texto, Sílvia!
    Adorei esta nova forma de observar, ou esta nova forma de expôr seus sentimentos. Menos radical, mais flexível e amorosa. Percebe-se que, de alguma forma, você encontrou uma mulher mais ponderada ao dizer que sim, você poderia ter visto outros momentos de uma outra maneira, mais leve e tranquila. Mesmo admitindo para si mesma que o Amor poderia, até mesmo, nem ter acontecido, já que sua visão atual sobre muitas questões do passado nem sequer permitiria isto.
    Adorei de verdade e senti este texto desta maneira, pois é o que eu sinto aqui. Ou pelo menos, é o que percebi!
    Somos uma bela experiência divina e nada é perfeito, concrteo e fechado!
    E como uma bela experiência estamos aí, “nas pistas” (rsrsrs) Descobrir sentimentos, testá-los, quebrar a cara e absorver o melhor!
    Bem vinda ao meu mundo! 🙂
    Adorei!

  • vileite disse:

    Belo e reflexivo texto !

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