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Perfumaria: Rosa

Perfumaria: Rosa
Perfumaria: Rosa

O segundo volume da revista NEZ traz uma reportagem de Juliette Faliu sobre o uso das essências de rosas na perfumaria. Todo o levantamento feito para a revista é incrível e fala desde o cultivo da flor até a obtenção da essência. Muitas coisas descritas não eram de meu conhecimento. Foi um enorme aprendizado. Tentarei contar um pouco do que aprendi.

Existem apenas duas espécies de rosas usadas na perfumaria: Rosa damascena ou rosa de Damas, a mais importante em volume de produção mundial anual, e a Rosa centifolia ou rosa de maio, menos usada, mas valorizada por causa de sua estética olfativa única. A rosa de maio é cultivada na França e no Marrocos. Em Grasse, o cultivo da rosa centifolia acontece desde 1650; ela e o jasmim acabaram tornando a cidade conhecida como a sede da perfumaria.

Por causa do alto custo da essência de rosas, em decorrência dos cultos de cultivo e produção, muitas empresas produtoras de perfumes acabam optando pelo uso de essências sintéticas, mais baratas. Mas sua qualidade também é inferior, o que acaba refletido no perfume produzido. Essa tendência acabou desestimulando os produtores, que passaram a não ter certeza da venda da produção. Algumas grande maisons passaram a estabelecer acordos com alguns produtores para a compra de toda a produção (ou quase toda); a primeira a fazer isso foi Chanel.

A sequência de produção das rosas segue o que está descrito a seguir:

  1. Colheita: quando as rosas já estão maduras, elas são cortadas abaixo do cálice e vão sendo colocadas em um avental que o funcionário usa amarrado à cintura. Depois, as rosas são colocadas em grandes sacos de lona ou juta.
  2. Chegada à fabrica para extração: as flores são pesadas para controle da produção e para o cálculo da quantidade de solvente a ser utilizada.
  3. Antes do tratamento: as rosas são mantidas dentro dos sacos, estocadas próximas do extrator. Elas devem ser tratadas o mais rápido possível para que conservem o máximo dos elementos voláteis e para evitar o início de fermentação, situação que altera o perfume.
  4. Transformação: as flores são colocadas por camadas nos tanques; as portas são fechadas e os tanques são preenchidos com hexano; são feitos três banhos sucessivos.
  5. Obtenção do absoluto: o concreto de rosas é dissolvido em álcool com a ajuda de uma batedeira. Em seguida, a mistura é congelada de forma a precipitar as ceras. A mistura é filtrada e, após a evaporação do álcool, resta o absoluto.
  6. Chegada ao perfumista: o absoluto de rosas é colocado em pequenos frascos, etiquetado e distribuído para os perfumistas. Eles podem integrar o absoluto às suas composições. Até ser utilizado, o absoluto de rosas deve ser conversado em geladeira.

 

 

A Rosa centifolia em 4 perfumes:

  1. Joy de Jean Patou: criado por Henri Almeras em 1932
  2. Nahema de Guerlain: criado por Jean-Paul Guerlain em 1979
  3. Misia de Chanel: criado por Olivier Polge em 2015
  4. Cologne Fine Rose de Mai de Institut Très Bien: criado por Vanina Muracciole em 2016

 

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3 Comments
  • carlos disse:

    Ola Silvia, e muito interesante. Obrigado. Um abraço.

    • Silvia Souza disse:

      Que bom que gostou.
      Você cultiva rosas também?

      • carlos disse:

        Olá Silvia, plantei uma dúzia de rosais. Por causa do tempo seco e tão frio precisam de cuidados constantes. Meu favorito é o rosa Black Pearl Um abraço.

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