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Perfumaria de Nicho

Perfumaria de Nicho
Perfumaria de Nicho

A distribuição de perfumes chamada “seletiva” é um sistema de comercialização baseada na escolha dos pontos de venta pelo fabricante, a fim de garantir o respeito à imagem da marca dos produtos de luxo. Os critérios de seleção dizem respeito, em especial, ao local de exposição dos produtos de acordo com a visibilidade dos mesmos.

Hoje em dia, essa perfumaria seletiva não tem se mantido tão seletiva assim, porque algumas marcas que desejam alcançar um público maior acabaram expondo seus produtos em grandes perfumarias, como Sephora e Maionnaud, principalmente no caso dos perfumes mais comuns e que agradam com facilidade um grande número de consumidores.

A perfumaria chamada “de nicho” ou também “confidencial”, “rara” ou “alternativa” é definida por uma distribuição ainda mais limitada. Ela surgiu na década de 1970 e vinha como uma perfumaria mais artesanal, ao contrário da perfumaria industrializada que havia. Ele procurava recuperar a arte de criação do Século XIX, com frascos mais sóbrios, nomes inspirados pelos ingredientes principais, composições mais criativas e ausência de publicidade.

Durante muito tempo, ela permaneceu restrita a uma pequena clientela de conhecedores, com maior poder de compra e que valorizava a criação quase exclusiva. Atualmente, essa perfumaria pode ser encontrada em lojas próprias, em algumas perfumarias independentes e nas grandes lojas de departamento (Le Bon Marché, por exemplo).

A primeira marca que surgiu com este conceito foi L’Artisan Parfumeur, fundada em 1976 por Jean-François Laporte. Depois veio Serge Lutens, Annick Goutal e Nicolaï. A maior parte dessas companhias acabou sendo adquirida por gigantes do setor, que tentam manter o conceito inicial, mas precisam suprir as exigências do mercado, com grande número de lançamentos ao ano. No ano de 2015, foram lançados 2.000 novos perfumes, sendo que 500 foram lançados por essas perfumarias ditas “de nicho”. Como um exemplo, para que uma marca possa ser vendida na Barneys, em Nova York, precisa lançar, no mínimo, duas novas fragrâncias por ano.

Ao mesmo tempo em que as pequenas empresas que surgem neste conceito acabam sendo adquiridas pelas grandes (Estée Lauder comprou Le Labo e Éditions de Parfums Frédéric Malle; Puig comprou Penhaligon’s e L’Artisan Parfumeur; Shiseido comprou Serge Lutens; entre outras aquisições), as grandes marcas de perfumes lançaram produtos mais exclusivos, procurando alcançar estes consumidores mais exigentes: Les Exclusifs de Chanel; La Collection Privée de Dior; Hermessence de Hermès, entre outras.

A criação de perfumes é algo absolutamente fascinante. O que me incomoda é este exigência do mercado de consumo; acho, inclusive, que esta associação da perfumaria ao consumismo é que acaba levando a uma certa desvalorização da mesma, como um artigo fútil ou pouco valorizado.

Mas continua sendo minha principal paixão.

 

Fonte: NEZ – La Revue Olfactive

– Sílvia Souza

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