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Perfumaria: A Molécula Hedione

Perfumaria: A Molécula Hedione
Perfumaria: A Molécula Hedione

Eu escrevi em uma publicação anterior sobre o aroma de grama cortada que comprei recentemente uma revista chamada NEZ que aborda tudo sobre aromas. Tem sido uma leitura excelente, porque sempre procurei informações de qualidade sobre o universo do perfume, mesmo que eu aprenda apenas na teoria.

Em outro artigo de Olivier R. P. David, existe uma explicação excelente sobre a molécula Hedione (não sei como ela é chamada no Brasil exatamente). Meu intuito é de compartilhar algumas das informações do artigo aqui na minha página.

Entre 1899 e 1950, os químicos conseguiram identificar e analisar 87% das moléculas existentes no absoluto de Jasmim, a substância odorífera por extração da flor.

 

Jasmin

 

Mas algumas dessas moléculas não conseguiam ser identificadas, o que impedia a reconstituição fiel da beleza olfativa do Jasmim.

Na década de 1950, Roger Firmenich envia um jovem estudante, Édouard Demole, para fazer sua tese no laboratório do Professor Edgar Lederer em Paris. Em outubro de 1957, 2 anos após o início das pesquisas, Édouard purifica, separa e analisa 5 kg de absoluto de Jasmim do Egito; da análise deste material, ele consegue isolar a molécula que ele buscava e que se encontrava em uma quantidade mínima (menos de 0,8%), mas com poder olfativo considerável. Ele deu o nome a essa molécula de Jasmonato de Metila.

Entre 1958 e 1959, o jovem químico consegue fabricar a molécula sinteticamente. Inicialmente, ele fabrica uma molécula parecida, mas mais simples, chamada Diidrojasmonato de Metila. Posteriormente, ele consegue sintetizar o Jasmonato de Metila propriamente dito.

Roger Firmenich registra a patente do Diidrojasmonato de Metila em fevereiro de 1960, por ser mais fácil de fabricar, e ele dá o nome a essa molécula de Hedione, que tem origem na palavra grega hêdonê que significa prazer. Essa patente foi mantida em sigilo até 1964.

A partir da segunda metade da década de 1960, a utilização de Hedione aumenta muito; inicialmente era muito cara, mas seu preço foi caindo progressivamente com o avanço das técnicas de fabricação. É uma molécula essencial na perfumaria.

Resume-se essa molécula como aquela do aroma do Jasmim. Mas ela é muito mais do que isso. Ao senti-la sozinha, ela parece delicada, um pouco tímida, até um pouco indefinida, e diferente da flor original. Os perfumistas a descrevem como uma nota floral com alguns aspectos do chá, transparente, luminoso, animal, doce, branco, feminino, sensual, aéreo, etéreo…

O Hedione é menos um aroma que um efeito odorante, uma emanação radiante que transfigura as outras notas de um perfume. Quando ele é acrescentado a uma composição, ele não é facilmente detectado; ele não deixa o aroma do Jasmim necessariamente, mas ele tem um efeito propulsor que embeleza e dá a amplitude a todas as composições, equilibrando suas notas.

Em 1966, foi lançado Eau Sauvage de Dior, criado por Edmond Roudnitska, composto por 2,5% de Hedione.

 

eau-sauvage

 

Outros perfumes em que a molécula Hedione tem grande importância:

 

  • Nº 19 de Chanel – criado por Henri Robert em 1971, com 13% de Hedione
  • First de Van Cleef & Arpels – criado por Jean-Claude Ellena em 1976, com 20% de Hedione
  • CK One de Calvin Klein – criado por Alberto Morillas e Harry Fremont em 1994, com 20% de Hedione
  • Odeur 53 de Comme des garçons – criado por Martine Pallix e Anne-Sophie Chapuis em 1998, com 65% de Hedione.

 

 

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