Solidão
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Passei a ser o nada

Passei a ser o nada
Passei a ser o nada

Há várias noites você invade meus sonhos

Sem pedir licença

Sem cuidar das feridas

Chega e parte como quem se sabe dono

Vivo esses momentos como se você tivesse se despedido ontem

Vejo os casais passarem e imagino nós dois

Vejo as meninas pequenas e imagino suas filhas

Vejo as famílias e imagino a sua família

E eu estou apenas a observar

Não há quem desperte meu desejo além de você

O buraco vai crescendo dentro de mim

Engole o que sou, o que fui e o que serei

Não existe cura para o nada

O vazio domina

E meu corpo se desfaz em vapor

Restando apenas as lembranças dos outros

Os outros que não se recordam mais de mim

Passei a ser o nada…

– Sílvia Souza

(20-12-2015)

 

 

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