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Oscar 2017: “Florence: Quem é Essa Mulher?” (2016)

Oscar 2017: “Florence: Quem é Essa Mulher?” (2016)
Oscar 2017: “Florence: Quem é Essa Mulher?” (2016)

 

Indicação ao Oscar:

  • Melhor Atriz: Meryl Streep
  • Figurino

O filme Florence: quem é essa mulher, cujo título original é Florence Foster Jenkins, conta a história da socialite americana Florence Foster Jenkins (1868-1944), filha de banqueiro e herdeira do patrimônio do pai. Ela fazia muito bem o papel de mecenas dos artistas na Nova York do começo do século 20.

Ela era apaixonada por música e seu grande sonho era ser uma cantora de Ópera. Ela acaba alugando o Carnegie Hall e canta para a casa lotada. Ela morreu pouco tempo depois. O problema é que ela cantava muito mal, era desafinada, mas ninguém tinha coragem de lhe dizer a verdade, principalmente porque ela era muito generosa e acabava fazendo grandes doações para muitas pessoas.

A relação de Florence com a música não parece a de alguém que busca a fama, mas a de uma pessoa que ama aquilo que faz e – já que o amor é cego – não percebe bem o que realiza. Florence chegou a estudar piano na infância, mas foi desviada do instrumento pelos pais, temerosos do futuro que teria em uma área para a qual não demonstrava grande aptidão. O piano, no entanto, sustentaria Florence quando, ao fim do primeiro casamento, ela se veria sem apoio da família. Obsessão desde o início da vida, a música nunca ficou de fora da trajetória da socialite.

O casamento, aliás, já seria parte do seu plano de se forjar soprano. Florence saiu de casa não só para escapar ao clima ruim instalado com a morte da irmã, vítima de difteria aos 8 anos, mas também para perseguir a carreira de cantora. A união com o médico Francis Thornton Jenkins, no entanto, não deu a ela mais do que sífilis, que a deixaria careca e a faria consumir mercúrio, substância usada na época contra a doença. Uma biografia lançada recentemente levanta a possibilidade, não confirmada, de que o mercúrio tenha prejudicado a sua performance lírica.

Foi o fracasso do primeiro casamento que a fez partir para Nova York, onde conheceria o segundo companheiro, o ator inglês St Clair Bayfield (1875-1967), que a ajudaria a realizar o sonho da música, com apresentações fechadas para amigos e conhecidos, a gravação de cinco discos de 78 rotações e o concerto histórico pouco antes da morte.

Houve um filme anterior, de produção francesa, baseado em sua vida: Marguerite, que já foi comentado aqui no site. A história é a mesma, com pequenas variantes — a começar pelas cidades. Porém, o filme francês tem um roteiro melhor. E temos as protagonistas vividas por duas atrizes pesos-pesados. Se do lado francês está a excepcional Catherine Frot, do lado americano reina a grande Meryl Streep. Catherine tem momentos mais densos (por isso a dramaticidade aflora). Ao contrário do francês, o americano aposta na leveza. Meryl transita entre o drama e a comédia com facilidade. O filme francês também conta com uma belíssima fotografia circunscrita quase sempre a espaços fechados e que ajuda criar a atmosfera de contrastes entre o que é artisticamente bom e ruim.

Aqui um vídeo da verdadeira Florence Foster Jenkins:

 

 

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