TAG: ESSE OU AQUELE
Previous post
Now reading

Oscar 2016 “O quarto de Jack” – 2015 (“Room”)

Egocentrismo
Next post
Oscar 2016 “O quarto de Jack” – 2015 (“Room”)
Oscar 2016 “O quarto de Jack” – 2015 (“Room”)

O filme recebeu 4 indicações ao Oscar 2016:

  • Melhor Filme
  • Melhor Diretor: Lenny Abrahamson
  • Melhor Atriz: Brie Larson
  • Melhor Roteiro Adaptado: Emma Donoghue

Hoje foi um daqueles dias em que fui ao cinema sem ter ideia de que tipo de filme iria ver. Não tinha lido a sinopse nem nenhuma crítica. Sabia apenas que o filme estava concorrendo na categoria de Melhor Filme e escolhi esse por comodidade de horário e sala de cinema.

O filme inicia em um pequeno quarto onde mãe e filho viviam. Havia uma cama, uma mesa pequena com duas cadeiras, vaso sanitário, banheira, pia, geladeira… tudo dentro desse quarto minúsculo à prova de som. Logo no início, pode-se perceber que eles estavam confinados ali por algum motivo, porque a mãe colocava o menino para fazer exercícios naquele espaço ínfimo, colocando-o para correr de uma parede a outra.

Aos poucos a trama vai sendo esclarecida e a mãe vai contando que há sete anos ela é mantida nesse cativeiro. O menino, que acabava de completar cinco anos, nascera no cativeiro e nunca tinha visto o mundo exterior, nem outra pessoa que não a própria mãe. Quando o sequestrador entrava no quarto para ver a mãe, ela colocava o menino no armário.

Talvez metade do filme aconteça dentro desse espaço minúsculo. Os esclarecimentos, as angústias, o desespero e a depressão dessa mulher que teve a vida roubada aos 17 anos por um completo desconhecido, que acabou engravidando desse homem e tentava criar o menino da forma mais saudável que era possível. Um menino que nunca tinha visto a luz do sol, nem brincado ao ar livre, nem visto outras crianças… não tinha brinquedos e conhecia o mundo apenas através de um aparelho de televisão.

Provavelmente esse filme deve ter entrado como um azarão no Oscar, entre as superproduções de Hollywood. Foi produzido por estúdios canadenses e irlandeses e teve um orçamento de cerca de 6 milhões de dólares (apenas como comparação, o grande indicado “O Regresso” tem um orçamento estimado em cerca de 135 milhões de dólares). É um filme absolutamente emocionante. Não apenas ao mostrar a vida no cativeiro, mas ao mostrar as dificuldades da mãe e do filho ao enfrentarem o mundo exterior; ela depois de sete anos trancada; ele sem conhecer nada.

São inúmeras emoções. A interpretação da Brie Larson é espetacular, assim como do menino, o pequeno Jacob Tremblay, que é o narrador da história. É um filme sensível, delicado e que, apesar do tema tenso e dramático, traz em si mais a sensação de gratidão às pequenas coisas da vida, coisas às quais geralmente nem damos atenção, do que qualquer aspecto de vingança ou ódio pelo ocorrido.

Não assisti a todos os filmes que concorrem a Melhor Filme. Mas dentre todos os que assisti até agora, escolheria esse, pela forma de tratar tantos assuntos difíceis de uma forma sutil e emocionante.

Alguns momentos da narrativa do Jack (a tradução livre é minha):

Há tantos lugares no mundo. Há menos tempo, porque o tempo tem que ficar espremido para passar fino em todos os lugares, como quando se passa manteiga no pão. Então, todas as pessoas dizem “Rápido! Vamos! Apresse o passo! Termine agora!”. A mamãe estava apressada para ir para o Céu, mas ela me esqueceu. Que bobeira, mamãe! Então, os aliens jogaram ela de volta. CRASH! E quebraram ela.

Estou no mundo há 37 horas. Eu vi panquecas e escadas e pássaros e janelas e centenas de carros. E nuvens e polícia e médicos e vovô e vovó. Mas a mamãe disse que eles não vivem em uma casa com rede mais. A vovó vive lá com o seu amigo Leo agora. E o vovô mora longe. Eu vi pessoas com rostos, tamanhos e cheiros diferentes, conversando todas juntas. O mundo é como todos os planetas da TV todos juntos ao mesmo tempo, então eu não sei para onde olhar e o que escutar. Há portas e… mais portas. E atrás de todas as portas, há outro interior e outro exterior. E as coisas acontecem, acontecem, acontecendo. Nunca para. Além disso, o mundo está sempre mudando de brilho e temperatura. E há germes invisíveis flutuando em todos os lugares. Quando eu era pequeno, eu sabia poucas coisas. Mas agora que tenho 5 anos, eu sei tudo!

 

 

– Sílvia Souza

 

Written by

2 Comments
  • Eduarda Naidel disse:

    Um dos meus favoritos da disputa também. Como sempre, disseram que o livro é melhor, mas ainda não tive a oportunidade de lê-lo.

Instagram
  • #jorgeluisborges #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #miguelestevescardoso #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #cesarecantú #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #thubtenchodron #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #albertcamus #citações #reflexõesdesilviasouza