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Oscar 2016 “45 Anos” (“45 Years” – 2015)

Oscar 2016 “45 Anos” (“45 Years” – 2015)
Oscar 2016 “45 Anos” (“45 Years” – 2015)

 

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Inicialmente, tenho uma confissão… eu esperava mais do filme. Gosto dos filmes ingleses de modo geral e gosto bastante da Charlotte Rampling. Acho que eu esperava um pouco mais de drama. Mas o drama não é típico dos ingleses… ao menos eu vejo assim.

Tenho uma admiração muito grande pela Inglaterra. Tenho sempre a sensação de que eles estão na vanguarda de todos os movimentos sociais, culturais, musicais que aconteceram no mundo moderno. Por outro lado, eles têm um comportamento extremamente fechado, em que não se comenta a intimidade com ninguém. Uma coisa é a liberdade individual e outra coisa é o que se expõe a outras pessoas.

No filme, o casal Kate e Geof vão completar 45 anos de casados. Não puderam comemorar os 40 anos, porque ele precisou se submeter a uma cirurgia cardíaca. Não tiveram filhos; esse fato fez com que se tornassem companheiros em tudo, vivendo um para o outro, em todas as situações.

Na semana em que farão a festa dos 45 anos, chega uma carta para Geof avisando que o corpo de uma antiga namorada (que morrera nos Alpes havia 50 anos) tinha sido localizado. Ele ficou totalmente transtornado com a notícia e passou a reviver todo o relacionamento que teve com essa namorada, contando para Kate todos os detalhes do namoro, das viagens e da morte dela. Ele não consegue mais falar de outro assunto.

E, de repente, às vésperas de completar 45 anos de casada, sem objetivos na vida, sem outras pessoas além do homem com quem partilhou tantos anos, ela percebe que ela não foi o grande amor da vida dele. Ela descobre inúmeras lembranças que foram guardadas por ele por tantos anos: fotografias, diários, objetos… coisas que ele nunca revelara, que ela nem sabia que existia.

Fiquei tentando imaginar o que ela poderia ter sentido e o que, de fato, representaria tal situação. Ela não foi traída (objetivamente). Mas ela fez a vida com um homem que viveu com a mente no passado, amando uma mulher que tinha morrido, mas que ele nunca tinha esquecido.

Há motivo real para mágoa?

Acho que o que acarretou a mágoa não foi o amor do passado, nem o fato dele não a ter esquecido de fato. Mas a omissão das coisas que ele guardava, das lembranças físicas que ele mantinha dela e que ele buscava em determinados momentos, como uma forma de reviver aquele amor.

De qualquer forma, mesmo que não guardemos objetos de amores passados, não temos todos nós segredos que não verbalizamos? Como se fossem nosso oásis, aos quais recorremos, mesmo que apenas em pensamento, quando queremos tranquilidade e um pouquinho de solidão?

Muitas vezes, não é por mal que se mantém esse pedacinho secreto dentro de nós. Acho que o segredo é mantido como uma forma de não magoar o outro, a pessoa com quem escolhemos dividir nossa vida. Mas o passado não pode ser apagado; ele está lá, vivo, como uma parte do que somos.

Somos um universo desconhecido, um mar de incongruências, de verdades desonestas, de mentiras sinceras, de espaços trancados aos quais nós mesmos não temos acesso. Se nós conosco já é uma relação tão complicada, o que pensar de nós com os outros?

– Sílvia Souza

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2 Comments
  • Eduarda Naidel disse:

    Também esperava mais do filme. Achei que teria um clímax, mas achei ele muito morno, muito linear.

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