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O mundo dos meus filhos: Mundial de LoL

O mundo dos meus filhos: Mundial de LoL
O mundo dos meus filhos: Mundial de LoL

Infelizmente, por falta de tempo, não tenho conseguido escrever tanto aqui na minha página. A maioria dos textos acaba sendo escrita com antecedência de 1 a 2 semanas e é publicada automaticamente com a data marcada. Não foi assim que eu idealizei, mas atualmente está difícil de fazer de outra forma.

Por conta disso, faz muito tempo que não escrevo sobre filhos. Acho que o mais gostoso sobre filhos é contar as novidades logo que elas acontecem. Então, hoje, resolvi separar meia hora da minha manhã para contar sobre o Mundial de LoL que foi ontem à noite. Meu Deus!!! Do que se trata isso???

Eu vejo meus filhos jogarem LoL (League of Legends) quase todos os dias. Para os não iniciados, vou explicar.

Primeiro, relembrando, tenho 2 meninos adolescentes, de 15 e 12 anos.

O LoL é um jogo online, que eles jogam pelo computador. São formadas equipes e eles se reúnem para jogar (cada um na sua casa e no seu computador). Uma equipe combate contra a outra e cada partida dura, em média, 40 minutos. Até aqui, não havia novidades para mim, já que os jogos virtuais, sejam no computador ou nos consoles de videogame ou no celular, fazem parte da vida deles.

Na semana passada, descobri que havia um Mundial de LoL e que a final aconteceria neste sábado (29 de Outubro). Este Mundial acontece todos os anos. Em 2016, a final aconteceu no Staples Center, em Los Angeles, onde reuniu mais de 15 mil pessoas para assistir à disputa ao vivo pelos telões… isso mesmo, mais de 15 mil pessoas! No ano passado, em Berlim, o número de pessoas conectadas para assistir à final foi de 334 milhões de pessoas no mundo (!!!) e superou a audiência da NBA.

 

Staples Center recebeu mais de 15 mil pessoas para a final. Mapa do jogo foi reproduzido no centro do palco (Foto: Divulgação / Riot)
Staples Center recebeu mais de 15 mil pessoas para a final. Mapa do jogo foi reproduzido no centro do palco (Foto: Divulgação / Riot)

 

Meu filho mais velho se reuniu com amigos na casa de um deles, desde às 20 horas, para assistir à transmissão pelo canal SporTV 3 (isso mesmo, foi televisionado). Meu caçula ficou em casa, assistindo pelo computador.

A final foi entre duas equipes sul coreanas: Sk Telecom versus Samsung Galaxy. A disputa teve início às 20 horas e seriam disputados de 3 a 5 confrontos, porque a vitória seria da equipe que ganhasse 3 batalhas. E foram necessários os 5 confrontos, com a vitória da equipe Sk Telecom, que conquistou o tricampeonato e levou para casa o Troféu do Invocador e mais de US$ 2 milhões.

Fui buscar o Gabriel na casa do amigo eram mais de 2 da madrugada e a disputa ainda estava na quarta batalha. Os dois terminaram de assistir aqui em casa. Não sei exatamente a que horas acabou, porque eu já estava dormindo. Não adiantava tentar acompanhar com eles, porque não conheço o jogo e os critérios de vitória.

Eu ainda vejo muitos pais criticando os jogos virtuais ou tentando impedir que os filhos tenham acesso. Eu sei que temos que educar, limitar o tempo, propor atividades diferentes. Mas não há uma forma de isolá-los do mundo e esta é a realidade em que eles vivem e viverão cada vez mais.

Meus filhos são meninos inteligentes, aplicados na escola, curiosos, interessados, responsáveis e muitas outras qualidades (sei que tem meu lado “mãe coruja” falando aqui). Eles discutem política, problemas do meio ambiente, sustentabilidade, participam da Feira de Ciências na escola e fazem trabalho voluntário. Nada foi imposto. Eles fazem as coisas porque gostam, porque se interessam. E, dentre todas as atividades do dia, também estão os jogos virtuais. E, na minha opinião, com moderação, eu acho que eles também são bons. Ajudam a desenvolver estratégias, a resolver problemas, a lidar com a derrota, a trabalhar em equipe (no caso do LoL), a melhorar a coordenação motora e os reflexos. Como tudo na vida, a questão central é a moderação. Ter um tempo para isso. Mas faz parte da vida deles e faz parte do mundo atual.

Não sou dona da verdade. E creio que muitas pessoas podem discordar da minha opinião. Eu gosto de passar minha experiência como mãe. Por enquanto, tem dado certo.

– Sílvia Souza

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5 Comments
  • Monica disse:

    Meu espanto foi maior. A abertura desse campeonato mundial de LoL surgiu na tela por acaso, tocando no controle para achar um jogo de vôlei. Quantos efeitos especiais e quantos jovens! Sim, esses jogos fazem parte da vida de muitos deles. Mas tive uma dificuldade enorme em lidar com isso porque o meu único filho, por um tempo, foi “abduzido”. Nada mais o interessava, quis largar os estudos, parecia hipnotizado. E ele foi estudioso, disciplinado, parecia feliz bem antes disso. A tal fase da “hipnose” foi surreal, ele já era adulto e nem sabia como iniciar a vida, todas as convicções anteriores pareciam embaralhadas, confusas, chegava a ficar raivoso diante da hipótese de não jogar em equipes diante da tela. Como se estivesse mesmo viciado em alguma droga. Foi um sufoco! Tive que ser muito dura e desagradável até chegar ao ponto de sumir com os fios do computador e cortar a mesada. Bem, passou. Aos poucos, fomos equilibrando as conversas, as horas de estudar, as horas de jogar e as nossas vidas. Ele se formou, iniciou sua carreira, trabalha bastante e fez dos jogos um hobby ocasional. A integridade de caráter para defender o que acredita se consolidou ainda mais. Tenho um orgulho imenso dele. Mas ontem, diante daquela juventude toda lotando cadeiras para assistir combates virtuais confesso que estremeci: meu filho tem amigos adultos que continuam grudados na tela do computador até hoje sem saber o que fazer na vida real.

    Querida Sílvia, a coincidência gerou o desabafo. Beijo na alma!

    • Fico muito grata por você compartilhar sua experiência, Monica… meus filhos são mais novos e ainda consigo manter algum controle, mas como disse, minha experiência como mãe tem dado certo por enquanto… ainda não sei o que virá.
      Uma coisa que penso e que converso muito com eles é a questão da moderação. Tudo em excesso faz mal, até água.
      Acho que a questão dos games traz um incômodo porque parece errado desde o início; não fazia parte da nossa infância como fez da infância deles. É algo novo e estamos aprendendo a lidar com isso. Como pais, não temos respostas.
      Mas pensando, por exemplo, em pessoas dedicadas ao corpo e que vivem em academias, usando anabolizantes e outras substâncias obtidas no mercado negro, também é algo horrível. E eu vejo isso com muita frequência no consultório. Da mesma forma, o uso abusivo de álcool e drogas; recebo várias meninas de 14 anos (por incrível que pareça, tenho visto este comportamento mais nas meninas) que se negam a abrir mão de beber nas festas (geralmente tomam vodca)…
      Estamos vivendo um momento muito complicado… e acho que os jogos virtuais constituem apenas um dos aspectos.
      Temos que ficar perto, atentos, conversar, prestar atenção aos comportamentos, às mudanças… e pegar na mão quando houver necessidade. Não é fácil.
      Parece que tudo vai em um movimento pendular de um extremo ao outro, até que se encontre o ponto de equilíbrio.
      Eu me angustio muito. Arrisco esperando estar certa. Mas a gente não sabe, não é mesmo?
      Eu, pessoalmente, vivi algo assim. Houve um momento da minha vida (eu já era casada e tinha filhos) em que tinha uma angústia muito grande; e passei a ocupar meu tempo livre com um jogo do PS2 (era o melhor que existia naquela época). Eu jogava de madrugada e passava meu tempo livre naquele jogo. Por que? Porque eu não precisava pensar nos problemas… adiava minhas decisões… acabava me alienando do mundo. Até que um dia eu vi que isso estava acontecendo e não podia adiar mais tomar as rédeas da minha vida.
      Viver não é nada fácil! E educar os filhos é ainda mais difícil…
      Gosto muito de trocar experiências e ideias com você…
      Espero não ter me estendido demais nos meus comentários.
      Beijo grande e um lindo domingo!

  • Carlos Moya disse:

    Olá Sílvia acho que há muita literatura sobre a influência nefasta de jogos para a juventude, é uma maneira de se divertir e compartilhar passatempos com seus amigos. Uma fase que deve ser monitorado de forma discreta, e muito em breve aberto a novas expectativas. As crianças evoluem e crescem de forma imprevisível. O importante é que eles são boas pessoas amanhã. Um abraço.

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