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O marido fiel (Infidelidade 5)

Anonimato
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O marido fiel (Infidelidade 5)
O marido fiel (Infidelidade 5)

Lá estava ele, de novo, sentado na frente do computador. Ele fazia isso todas as noites em que estava sozinho. A esposa tinha viajado com os filhos para a casa de praia, mas ele precisou ficar para resolver algumas coisas da empresa. O fato é que gostava de ter desculpas para ficar em casa algumas vezes.

Já tinham se passado 18 anos desde o casamento. Alguns momentos tinham sido maravilhosos. Outros muito ruins. É claro que houve dias em que ele quis fugir, sumir, desaparecer. E provavelmente, o mesmo aconteceu por parte dela. Ele não era do tipo machista que achava que o casamento era um mar de rosas para as mulheres. Ele tinha sido um bom marido e um bom pai. Nunca tinha traído sua esposa, mesmo tendo havido situações que precisaram de muito esforço.

Ele sentia falta de tempo para si. Dedicava o tempo para o trabalho, a casa, os filhos. E onde ficavam seus sonhos? Fazia muito tempo que não podia se dedicar a eles. E ele foi se embotando pouco a pouco, sufocando todas as suas fantasias, vivendo para os outros.

E foi se apegando àquele vício como a uma tábua de salvação, algo que permitia que ele continuasse vivo. Ele usava os poucos minutos que tinha de isolamento e se sentava à frente do computador. Como se usasse uma droga. Sentia a adrenalina percorrendo seu corpo.

Entrava naquele site que possibilitava conhecer pessoas. Escolhia uma das mulheres, mesmo sem ver a foto. Não era a aparência que lhe interessava, porque sabia que não teria a coragem de se encontrar com ninguém pessoalmente; não teria coragem de cometer o adultério. Iniciava um bate papo. Esperava para ver se a conversa lhe interessaria. Algumas não passavam nem da primeira frase. Outras se tornavam contatos, quase como amigas. Por uma ou outra chegava a sentir uma atração e ia encaminhando a conversa esperando encontrar algo mais excitante.

Umas poucas o conquistaram. Sentia euforia e desejo. Palavras provocantes eram escritas e lidas na tela do computador. Chegou a se expor algumas vezes, ligar a câmera e mostrar quem era e poder ver a mulher com quem conversava. Houve momentos mais ousados.

Houve uma vez em que ele sentira mais do que um frenesi. Fora quase uma paixão. Eles trocaram telefones. Enviavam mensagens um para o outro. Ele ouvia sua voz quando não conseguia se conter. Chegou a pensar em conhecê-la. Viver uma história de verdade, voltar a ser o protagonista principal e não apenas o coadjuvante que tinha se tornado.

Mas parou a tempo. Sua consciência soube freá-lo. Afinal, nunca se perdoaria se traísse sua esposa.

 

– Sílvia Souza

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