Now reading

O Carnaval da minha vida

O Carnaval da minha vida
O Carnaval da minha vida

O Projeto “Vai um Café?”, que reúne vários blogueiros, criado a partir de uma iniciativa da Beatriz Aguiar do Blog Since85, propôs uma publicação coletiva sobre “o carnaval da minha vida”.

Achei um tema muito, muito difícil. Mas acredito que todo desafio seja bom para quem tem na escrita uma necessidade e um objetivo de vida. Pratico todos os dias, escrevendo sobre vários assuntos e usando “objetos” e ideias diferentes como ponto de partida.

Eu nunca gostei de Carnaval. A única coisa boa é o feriado em si, que nos dá alguns dias de descanso. Não gosto de barulho, nem de bagunça. Sou introvertida e não gosto de muita gente.

Quando era pequena, ia ao baile de Carnaval na cidade onde moravam meus avós. É uma cidade pequena e todos nos conheciam. E eu odiava ficar no meio do salão nas matinês, com barulho, serpentinas e confetes. Minha irmã simplesmente dormia. E eu escutava as marchinhas antigas e torcia para aquele tormento acabar logo.

Quando era adolescente, ficava em casa, vendo o Carnaval na TV, com as festas mais populares e os desfiles das escolas de samba. O que eu achava daquilo? Uma orgia. Para alguém que estava despertando sexualmente, via aquelas mulheres se expondo, cercadas por homens com cara de bêbados e depravados. E, nas festas fechadas de clubes, havia várias imagens quase explícitas de sexo, masturbação e da exposição da mulher como um objeto.

Com 16 anos, tive minha primeira (e única) experiência de frequentar um clube na minha cidade, em um bloco de meninas. Fizemos camisetas para todas as noites e íamos juntas (e com os respectivos namorados, que serviam como guarda-costas). No início achei divertido. Na terceira noite, já estava exausta. E no meio disso tudo, a avó da minha melhor amiga faleceu… e nosso Carnaval acabou (o que eu achei ótimo!).

Em 2011, meu Carnaval foi na França, mais especificamente na Côte d’Azur. E assisti ao desfile dos carros alegóricos em Nice, no seu Carnaval de rua, que não chega nem perto da ostentação das escolas de samba do Rio e de São Paulo. Lá, os carros pareciam ser os mesmos todos os anos e valia apenas pela animação das pessoas nas ruas, sem nenhuma conotação sexual. Eu até pensei em falar sobre esse Carnaval. Mas não posso afirmar que tenha sido o Carnaval da minha vida. Poderia ser a viagem da minha vida… o Carnaval foi uma coincidência.

E aí? O que eu poderia considerar como o Carnaval da minha vida afinal de contas?

Depois de pensar e pensar, lembrei-me do Carnaval de 2004, que foi no dia 24 de Fevereiro. Passei essa data em casa, quase sem dormir, com um corte na barriga, mantendo um certo repouso e aproveitando um dos momentos mais mágicos e maravilhosos da vida de uma mulher. No dia 15 de Fevereiro, meu filho caçula nascera.

O Guilherme chegou em um domingo, de parto cesárea, depois de uma tentativa de parto normal. Nasceu com muito cabelo, a pele muito clara e os olhos de um azul muito escuro. Ele era impaciente, tinha muita fome, mamava com força e acordava muitas vezes à noite.

O Carnaval de 2004 certamente foi um dos mais especiais. Foi o primeiro que passei com a minha família completa. Com as bênçãos da minha vida.

Meus bailes eram em casa. Fiquei exausta pelas atividades de mãe de recém nascido. E não há nenhum cansaço mais compensador do que esse.

 

FullSizeRender (8)

– Sílvia Souza

image

Written by

8 Comments
  • laynnecris disse:

    Adorei… Também não sou nenhum pouco fã de Carnaval e acho que não tem um que tenha sido parte da minha vida. Tento o máximo que posso ficar bem longe de tudo isso. Adoro o silêncio e o aconchego do lar doce lar.

  • Lindo relato, Silvia! *-* Também não sou entusiasmada com o Carnaval, mas, ocasionalmente, meu aniversário, que é em 24/02, cai no feriado. Em 2004, o 24/02 que você relatou, eu comemorava meu décimo segundo aniversário.

    • Silvia Souza disse:

      Oi, Thaís!
      Então seu aniversário está chegando… 😀
      Meu caçula, Guilherme, já vai fazer 12 anos… E eu me lembro como se fosse ontem o dia em que ele nasceu…
      Amor de mãe é algo que não tem igual…
      Um beijo grande!

  • Lari disse:

    Entendo bastante essa relação com o carnaval, Silvia. Por anos, me incomodei bastante com toda a conotação sexual, com a exposição, com os olhares. Atualmente, vivemos um momento em que a mulher tem o direito de se expor sendo defendido, ao passo que também nos posicionamos veementemente contra as condutas de assédio. É uma “confusão” interessante e talvez seja produtiva para a sociedade… Veremos!
    Reflexões à parte, sem dúvida alguma seu Carnaval de 2004 foi muito especial.

    • Silvia Souza disse:

      Oi, Lari!
      Eu concordo com você sobre essa “confusão”.
      Acho que a mulher tem que ter os mesmos direitos que os homens. O problema é que, na maioria das vezes, essa exposição não é por um desejo pessoal ou vaidade, mas para chamar a atenção, em especial do público masculino.

      Sobre meus filhos… Trouxeram luz pra minha vida!!!!
      😘

  • Carol Naves disse:

    Acho que vou montar o clube d”Os Odiadores de Carnaval” (esse vai ser o nome do clube :P)
    Também não sou nem um pouco chegada nas festas de Carnaval, embora defenda a liberdade da exposição do corpo da mulher (quando esta permite) 😛
    Seu Carnaval conseguiu superar os níveis de felicidade e alegria da maioria das pessoas que passaram a noite pulando e bebendo. Eu não sou mãe de pessoas -só de bichinhos-, então não entendo bem como alguém consegue ficar feliz com um corte enorme na barriga, mas minha mãe -quemedeuumpeteleco- super entendeu e compartilhou dessa mesma felicidade sua 😛
    Bjoo e muitas felicidades mais :**

    • Silvia Souza disse:

      Oi, Carol!
      Adorei o que você escreveu…
      Mas você sendo mãe de 1 cachorro e 7 gatos deve entender o tamanho do amor que surge por um ser que entra em nossa vida, nos conquista sem fazer quase nada e nos ama incondicionalmente! Isso é maravilhoso!
      O corte na barriga a gente releva… Às vezes precisa fazer um corte na barriga por algo muito menos nobre do que ter um filho…
      Esse início de bebê pequeno é muito cansativo… mas é o início do amor…
      Curto muito mais meus filhos hoje em dia: um com quase 15 e o outro com quase 12 (esse que nasceu 1 semana antes do Carnaval de 2004).
      Se você montar o clube, pode me avisar!
      Beijo!

  • carlos disse:

    Olá Sílvia nunca participou no carnaval, eu fico em casa. Eu acho que o seu foi grande e inovidable, Obrigado por compartilhar conosco. Um abraço

Instagram
  • #thubtenchodron #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #albertcamus #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #lamatseringeverest #citações #budismo #reflexõesdesilviasouza
  • #honorédebalzac #citações #trechosliterarios #amulherdetrintaanos #reflexõesdesilviasouza
  • #edmundburke #citações #reflexõesdesilviasouza