A irmã
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Novas carreiras

Novas carreiras
Novas carreiras

Vivo em um mundo muito diferente daquele em que nasci. Naquela época, não havia computador pessoal, nem celular, nem estávamos conectados o tempo todo e com as distâncias tão encurtadas. Eu lia apenas em livros, escrevia em cadernos, enviava cartas para as pessoas que moravam longe, telefonava para meus amigos quando precisava combinar alguma coisa.

No momento de escolher minha profissão, embora existissem profissões menos procuradas, como Matemática ou Biblioteconomia, sempre houve a tríade tradicional das profissões: Direito, Medicina e Engenharia. Não era tão complicado escolher a carreira, porque parecia que cada área era muito individual de todo o resto.

Hoje em dia, vejo as pessoas conectadas o tempo todo, sendo o celular quase uma extensão do indivíduo. Podemos ler instantaneamente uma revista que tenha sido publicada na França e tomar conhecimento de todos os eventos que acontecem no mundo em tempo real.

As profissões estão cada vez mais inter relacionadas. O design entra em muitas carreiras exatas. Novas profissões surgiram de acordo com as necessidades da sociedade, da tecnologia, da busca por sustentabilidade e inovação. A criatividade é o desejo de todas as empresas.

E de repente, nesse momento tão diferente, vou buscando me integrar em um mundo que não compreendo bem. Minha relação com meus filhos não é unilateral como costumavam ser as relações dos pais com os filhos há algumas décadas. Hoje em dia, aprendo tanto quanto (ou mais do que) ensino. Eles me apresentam a novas soluções para os problemas. E passam a me incentivar e estimular quando eu me deparo frente a um novo desafio: como satisfazer os espaços vazios que vão surgindo frente a tanta novidade que a vida moderna nos traz.

Eu cursei uma das faculdades mais tradicionais. Sempre fui apaixonada pela minha vida profissional. Mas as possibilidades atuais trazem consigo o desejo de mais. Passei a explorar novas formas de expressão e de dar vazão a outras partes curiosas de quem eu sou. Há um momento certo da vida para isso? Há uma idade máxima para se inserir nesse universo gigantesco da tecnologia e redes sociais?

Vejo os rapazes que meus filhos seguem em canais do YouTube. São adultos jovens inteligentes e criativos, alguns formados e com pós graduação, e que encontraram sua forma de manifestação nesse universo virtual e fizeram disso sua profissão. Ganhando mais ou menos, são pessoas capazes de manter seu sustento com uma carreira que não existia até bem pouco tempo. Como mãe, olhava incrédula para essa novidade. Até o momento em que percebo que eu também tenho buscado novas formas de exteriorizar o que sinto e o que penso e de atingir pessoas que tenham afinidades ao meu jeito de ser.

Mesmo havendo muita coisa no mundo virtual que não acrescente em valor, por outro lado, é um ambiente que pode ser democrático. Ele permite às pessoas que tiverem ideias boas de irem atrás de sua forma de expressão, sem que tenham que ter um padrinho ou alguém influente para lançá-los em um meio que antes era muito mais restrito.

Eu ainda tenho inúmeros questionamentos, receios, angústias. Mas, ao mesmo tempo, sinto que não seja possível querer ficar de fora dessas mudanças. Não há uma forma de barrar essa evolução. Então, estou buscando a melhor maneira de usá-la a meu favor.

– Sílvia Souza

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11 Comments
  • Tatiana disse:

    gostei muito desta reflexão. O mundo hoje é uma loucura, cheio de mudanças e ou tentamos nos adaptar ou ficamos para trás.

  • vileite disse:

    Muito bom ! Concordo com a sua visão sobre a maneira de vida atual que temos de nos adaptar .

  • Beatriz Aguiar disse:

    Só li verdades! E esse texto veio na hora certa, eu com meus 31 anos de idade, casada e com a vida “aparentemente” ganha, gravei meu primeiro vídeo para o Youtube semana passada. E quer saber? Não me sinto com 31 anos como quando os meus pais tinham 31 anos. Antes, as pessoas eram mais (não sei o termo certo para escrever) “maduras” e as responsabilidades só vinham se você tivesse filhos para sustentar. Hoje em dia o adulto continua jovem, mesmo com filhos ele se atualiza e vai atrás de coisas novas. E sabe, acho ótimo!

    Um beijo, Silvia! E viva a relação bilateral com os filhos! 🙂

    • Olá, Bia!
      Eu vejo com bons olhos essa juventude que se mantém com o passar dos anos. Tenho a impressão que as pessoas precisavam parecer “maduras” para serem respeitadas em gerações passadas. Hoje em dia as pessoas podem ser mais autênticas.
      Fiquei feliz em saber sobre seu video para o YouTube. É vinculado ao seu blog? Você tem um canal?
      Beijo grande, com carinho!

      • Beatriz Aguiar disse:

        Sim! Vai ser o canal do blog, uma extensão para TAGs, livros e quem sabe opiniões! Vou adorar recebê-la por lá.
        Quem sabe inspire você a gravar também!

        Um beijo, minha querida!

  • Carlos Moya disse:

    Olá Silvia, eu acho que não há limite de idade para aprender, mesmo essa possibilidade nos faz crescer pessoalmente e profissionalmente. Embora seja verdade que no meu caso domino novas tecnologias com um pouco menos de velocidade e mais esforço do feito pelos meus filhos. Elas são muitas vezes meus professores. Um beijo.

    • Não dá para ganhar sempre, não é Carlos? Com o passar dos anos, continuamos aprendendo, ganhamos maturidade e alguma sabedoria, mas perdemos agilidade. Não seria justo com os mais novos se não perdêssemos nada, você não acha?
      Essa troca entre pais e filhos é algo muito bom! Eu adoro!
      Beijo!

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