Now reading

Nice

Nice
Nice

Em março de 2011, a programação de uma viagem à França incluiu a região da Côte D’Azur. Partimos de Paris de TGV a caminho de Cannes, onde ficamos por alguns dias. Em Cannes, pegamos um carro e percorremos toda a costa até Nice e Mônaco. Depois voltamos até Marseille, onde o carro foi entregue e pegamos o TGV de volta a Paris. Foi uma viagem maravilhosa, como todas as que fiz para a França.

Quem ainda não sabe que a França é um dos países que mora no meu coração? Não sei explicar o motivo. Mas o fato é que tenho um amor enorme por tudo que se relaciona com a França.

Estávamos em Nice no domingo de Carnaval e vimos o desfile de rua, com os carros alegóricos, as músicas, as máscaras… uma festa alegre, com todas as pessoas na rua, diferente do Carnaval que eu estava habituada a ver no Brasil. O desfile percorria a Promenade des Anglais. E foi onde essa foto minha foi feita, com o céu azul e o Mediterrâneo ao fundo. Uma foto repleta de tons de azul.

Nice é uma cidade linda, com sua parte antiga, a proximidade de Mônaco e da Itália. Durante minha visita à cidade, eu dizia que adoraria morar lá. A atmosfera mais simples de Nice me encantou mais do que a beleza cheia de ostentação de Cannes.

O acontecimento da noite de ontem, durante a celebração da queda da Bastilha na França, com tantos mortos e feridos, ocorrido em Nice fez com que eu revivesse minha viagem. E vem minha tristeza e indignação.

Que ódio é esse, contra um país, uma religião ou o que quer que tenha motivado esse ódio, que faz com que tantas vidas inocentes sejam destruídas? Qual a culpa de cada uma dessas pessoas que foi atingida ou dos familiares que perderam pessoas queridas?

O ódio sempre existiu entre os homens, assim como a intolerância, as rivalidades, a disputa por poder ou o desejo de vingança. Mas os avanços tecnológicos criaram máquinas capazes de destruir centenas de vidas em questão de segundos. E existem essas pessoas que não pensam com remorso nas vidas destruídas; ao contrário, vangloriam-se dessa destruição em massa, da política do medo, em que as pessoas boas e inocentes ficam cada vez mais reféns dos maus e violentos.

Vivemos uma guerra civil diária no Brasil. Acabamos optando por viver alienados das notícias sobre o número de homicídios, assaltos, ameaças e outras agressões. Muitos morrem aqui todos os dias; muitos inocentes também. E fomos aceitando conviver com o medo e com a prisão domiciliar imposta pelo crime organizado que dita as regras. Não questionamos. Não nos rebelamos. Simplesmente aceitamos.

A mesma coisa vem sendo imposta aos países desenvolvidos, democráticos e que não conviviam com a violência em sua rotina diária. Todas as pessoas boas, do bem, corretas estão aprendendo a conviver com o medo constante.

Não consigo aceitar isso. Tem que haver uma forma de mudar. Qual é o sentido da existência humana quando se vive refém do medo?

– Sílvia Souza

nice-pleure-ses-morts_182286

 

Written by

Instagram
  • #JamesJoyce #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #gastonbachelard #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #victorhugo #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #claudeaveline #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #thomasatkinson #citações #reflexõesdesilviasouza