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Não me peça nada

A rosa solitária
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Não me peça nada
Não me peça nada

O que eu tenho a dizer? Não me peça nada!

Você sabe que eu não sei negar. Como aprender a dizer NÃO? Vou me desdobrar, perder horas de sono, deixar de fazer minhas atividades de lazer ou aquelas importantes destinadas a mim mesma, porque não saberei negar seu pedido, mesmo que minha alma e minha consciência estejam gritando no mais alto som da sua mudez: NÃO, NÃO, NÃO.

Não me peça para mentir, para fazer algo contra os meus princípios, para dar um jeitinho. Olhe para mim e veja uma pessoa e não uma máquina. Saiba respeitar meu momento, meu silêncio, meu repouso. Perceba que tenho sentimentos e sofrimentos, angústias e tristezas, sono e cansaço.

Não vou ao shopping porque não sei dizer não quando me oferecem um produto. Não sei dizer não a quem pede uma ajuda. Não sei dizer não ao pedido de um favor. Não sei dizer: “você não está vendo que está passando dos limites? Que o que está me pedindo não se pede? Você deveria ter vergonha de me pedir isso!”.

E quando você chega, depois de tantos meses (ou mesmo anos) sem entrar em contato e me liga… e eu, tola e ingênua, atendo feliz a chamada, digo “nossa, quanto tempo! Que saudades!”. E você, depois de perguntar como estou, um pouco envergonhado, diz que gostaria de me pedir um favor…

Porque você sabe que eu não sei negar. Vou engolir as lágrimas, dar uma tossida para tentar tirar aquela angústia que me tapa a garganta, respirar fundo e dizer “Claro que sim! Estou à disposição. Faço o que você precisar.”

Onde está o respeito a mim mesma? O que eu espero? Acho, de verdade, que serei amada ou admirada por fazer o que me pedem sem nunca questionar? Deveria ser punida por violentar a mim mesma nesse processo contínuo de desrespeito consentido.

Estou rompendo com você. Não aceitarei mais isso. Viverei isolada na minha solidão, mas não quero mais estar cercada por quem tenta me corromper, aproxima-se apenas para pedir favores, não se interessa por mim, mas apenas pelo que posso dar.

Eu sei que a vida é feita de trocas. São trocas de carinhos, de afetos, de cuidados, de silêncios, de alegrias e tristezas. São estas as trocas que quero. Troca daquilo que não pode ser quantificado. Você me dá um pouquinho, que para você não é nada, mas eu recebo muito, o que para mim representa um sopro de vida. Quero que você continue ao meu lado apenas se estiver disposto a aceitar esse tipo de troca. Posso até te entregar muito… minha alma inteira… todo o amor do meu coração. Este é o único tipo de pedido que aceito.

De resto… não me peça nada… porque tudo mais será negado desse momento em diante.

– Sílvia Souza

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4 Comments
  • Carlos Moya disse:

    Ola Sílvia, parece que você deve aprender a atrasar as respostas o suficiente tempo para refletir sobre as consequências de comprometer-se, dizendo que antes de responder deve consultar com sua família, porque você tem uma atividade programada ou qualquer outra desculpa similar. Um abraço.

    • Ah! Carlos… gostaria de ser assim…
      Eu acho que vim ao mundo com alguns defeitos de fabricação… um deles é a ausência de malícia (ou, como dizemos aqui, jogo de cintura…).
      Sou uma boba ingênua e isso me destrói emocionalmente…
      Mas agradeço sua dica e sua preocupação.
      Beijo!

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