Entrevista
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Mutilação

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Mutilação

A dor é intensa demais. Excessiva. Dilacerante. Não aguento mais!

Grito. Choro. Peço ajuda. Permanece o silêncio e a solidão. E essa dor lancinante que não sei definir. Uma coisa que aperta meu peito como se houvesse uma pedra de uma tonelada sobre mim, massacrando-me.

Tantas vezes pedi: socorra-me! ajude-me! A resposta foi o nada. O vazio.

E a cada indiferença, a dor aumenta. E assim foi: aumentando, aumentando, aumentando… até o ponto do intolerável.

Pego a faca e perfuro meu peito buscando o alívio. O sangue escorre, mas não sofro, porque a dor que eu já sentia suplanta todas as outras.

Arranco o coração e o seguro nas minhas mãos. Um coração todo ferido, machucado, remendado, suturado em tantos lugares numa tentativa inútil de curar as lesões.

Esmago aquele coração usando a força da dor que me angustia. Espremo até que não haja mais músculo pulsando. A massa disforme escorre entre os dedos, destruída pela força animal que havia em mim.

Não há mais coração. Não há mais dor.

Não preciso mais pedir: ampare-me! proteja-me!

A dor passou. O peito está vazio e um curativo esconde o sinal da automutilação.

Já posso sorrir… o sorriso falso de quem não sente.

E agora todos se chegam, simplesmente porque sorrio.

– Sílvia Souza

 

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