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Música, amigos e festa… e nossas decisões…

Música, amigos e festa… e nossas decisões…
Música, amigos e festa… e nossas decisões…

Passei o dia em casa. O dia estava nublado até pouco tempo atrás. Agora é que o sol deu o ar da graça. Eu queria assistir a um filme bem bobo, desses que eu pudesse ver sem precisar pensar. Existem dias em que quero apenas me distrair com bobagens e esquecer os problemas e as tristezas.

Escolhi o filme “Música, amigos e festa” (título original: “We are your friends” – 2015), com  Zac Efron e Wes Bentley. O filme cumpriu seu objetivo. Não tem nada demais. Mas também não achei terrível. Coube bem dentro do que eu buscava. Tem muita música (eletrônica) e algumas daquelas dúvidas dos jovens sobre o que fazer da vida, vida essa repleta daqueles sonhos impossíveis de dinheiro fácil e muita diversão. Está certo que os jovens do filme não são assim tão jovens; representam jovens na faixa dos 25 anos.

Embora eu não seja de baladas, festas, festivais de música (nunca fui) e ache que esteja muito velha para tudo isso, eu gosto da batida dessa música eletrônica e gostei de ver, no filme, o processo de criação delas.

E fiquei pensando um pouco na minha vida.

Às vezes, eu queria ser como algumas pessoas que conheço, absolutamente cheias de certezas sobre suas vidas. Pessoas que afirmam, sem sombras de dúvidas, quais são seus gostos, suas escolhas e decisões, sem aparentar arrependimentos de nenhuma delas. Fico pensando se a postura dessas pessoas é real ou se é apenas uma fachada de firmeza escondendo uma alma tão ou mais turbulenta que a minha.

Eu sinto em mim a presença de muitas mulheres habitando um mesmo espaço interno e cada uma gritando mais alto para conseguir tomar as decisões uma vez que seja. É claro que existem umas 2 ou 3 que são mais fortes e predominam quase todo o tempo. Mas posso dizer que tenho poucas certezas e minhas escolhas não foram tão seguras; alguma dessas mulheres sempre se opunha.

Sempre fui racional nas minhas decisões; sempre pensei demais, ponderei demais, analisei demais. E fico imaginando se não deveria ter deixado as paixões falarem mais alto em alguns momentos, se não deveria ter sido um pouco inconsequente, ter buscado mais sensações, ter corrido mais riscos? Poderia ter dançado mais, viajado mais, visto mais nasceres do Sol, entrado no mar à noite, deitado na grama apenas para olhar o céu estrelado no meio da noite…

Não digo que fiz o certo ou o errado. Não digo que seria mais feliz se tivesse me excedido mais. Eu não sei. Fiz minha escolha em cada bifurcação do caminho. E segui adiante. Talvez os excessos teriam deixado feliz apenas uma entre as centenas de mulheres que coabitam meu corpo.

Às vezes penso que algumas coisas seriam boas se pudessem ser provadas na ordem inversa. Se pudéssemos experimentar essa liberdade após muitos anos de vida já passados; na fase em que não temos mais tantas decisões importantes para tomar; na fase em que não buscamos viver muitos anos a mais; na fase em que não temos mais que prestar contas para ninguém dos caminhos que escolhemos percorrer.

Mas o mundo não acontece assim. Permanecemos com nossas decisões precoces e com as eternas perguntas (que nunca serão respondidas) se deveríamos ter arriscado mais (ou menos).

 

 

– Sílvia Souza

 

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9 Comments
  • Bia Aguiar disse:

    Eu tenho 1 milhão de mulheres dentro de mim!
    Feliz de quem é assim!
    Tava com saudades de passar por aqui e ler teus posts.
    Um super beijo, Silvia!
    E uma linda semana :))

    P.s: espero que os problemas e as tristezas tenham passado. ♥

    • Silvia Souza disse:

      Oi, Bia!
      Muito bom receber sua visita!
      Uma linda semana para você também!
      Sabe, sou uma mulher de fases… de inúmeras alegrias e várias tristezas inexplicáveis… tristezas das dores de todas as pessoas que passam pela minha vida…
      Um beijo grande, com carinho!

  • vileite disse:

    Ótimo post !

  • Tbm sinto que existem várias mulheres dentro de mim. E às vezes me pego assim como VC tbm, triste pensando nas decisões que tomei. Que tudo poderia ter sido diferente…
    O ruim de quando nos pegamos pensando no “e se” é que sempre parece que de outra forma seria melhor, mas o fato é que nunca iremos saber.
    Por isso precisamos fazer que hoje seja melhor, e acredito que MSM os mais fortes tenham seus dias de chorar baixinho á noite confessando suas angústias ao travesseiro.
    Espero que VC já se sinta melhor.
    Bjuss, Luh.

    • Silvia Souza disse:

      Obrigada pelas palavras e por compartilhar seus sentimentos…
      Tenho meus dias melhores e piores… aqueles em que confio nas minhas decisões e aqueles em que sofro pelo que ficou pra trás…
      O importante (eu acho) é que sempre tenho coragem de seguir em frente…
      Um lindo dia e uma ótima semana!
      😊

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