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Mulher (1)

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Hoje é o Dia Internacional da Mulher.

O Fórum Econômico Mundial de 2014 apontou que a desigualdade entre homens e mulheres diminuiu na maior parte dos países do mundo. Pelo sexto ano consecutivo, a Islândia foi considerado o país mais avançado em termos de igualdade entre os gêneros, seguida por Finlândia, Noruega, Suécia e Dinamarca.

Segundo Saadia Zahidi, principal autora do relatório, os países nórdicos continuam sendo exemplo porque têm uma longa história de reconhecer e investir no talento individual, que pode estar nos homens e nas mulheres igualmente.

O Brasil, que em 2013 ocupava a 62a. colocação, caiu para 71a. em 2014.

A organização avaliou as diferenças entre homens e mulheres na saúde, educação, economia e indicadores políticos em 142 países. Apesar de ter mantido a igualdade entre homens e mulheres nas áreas de saúde e educação, o Brasil perdeu posições nos índices que medem participação feminina na economia e na política. A maior queda ocorreu na avaliação que considera salários, participação e liderança feminina no mercado de trabalho.

Esse é um indicador importante, que tenta colocar critérios objetivos nessa avaliação.

Mas estou aqui tentando deixar meu desabafo, minhas reflexões, e colocar em palavras algo que grita dentro de mim.

Esses indicadores captam o empenho da mulher, sua dedicação, sua luta para frequentar escolas, trabalhar, expor sua opinião, lutar por seus direitos através de cargos públicos. Estamos nessa batalha.

Mas o que é ainda muito difícil, algo utópico, é a mudança da mentalidade machista da maioria das sociedades, em especial aqui no Brasil. Mesmo que hoje em dia a mulher seja maioria em grande número de cursos universitários, ela ainda sofre o preconceito velado, aquele embutido em comentários e piadas. O homem ainda impõe sua força física e gosta de manter um terrorismo psicológico, que a maioria das mulheres aceita, talvez em virtude dos séculos de opressão que sempre viveu.

Às vezes, eu sinto um desânimo muito grande. Sinto-me fraca nessa batalha contra o mundo.

Tento apoiar todas as iniciativas de valorização da mulher e vejo o quanto é difícil. Talvez seja o preconceito mais difícil de ser quebrado, porque a própria mulher aprendeu a se sentir inferior ao homem, a não brigar por seus direitos, a não exigir igualdade. Não tenho dúvida de que o fato da mulher ser aquela que dá a luz e amamenta favorece esse sentimento. As obrigações maternas são exigidas pela sociedade como uma corrente amarrada à sua perna que dificultará sua caminhada.

Eu sofri muito. E ainda sofro muito. Mas me orgulho imensamente por ser parte desse gênero de seres humanos; um sexo forte e lutador.

 

 

 

– Sílvia Souza

(08/03/2015)

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8 Comments
  • Lari Reis disse:

    Ei, Silvia!
    Obrigada por essas informações, eu estava desatualizada!
    Sobre se engajar na luta, apoiar iniciativas, minha dificuldade maior tem sido em lidar – pasme! – com outras mulheres. Infelizmente, tenho visto muita agressividade por parte de quem acredita já deter o conhecimento e saber o caminho para a busca da igualdade. Pessoas que acabam sendo hostis ao dialogar (?) com quem ainda não se engajou, ou não se engajou tanto quando deveria nessa luta. Vejo isso afastando homens, como é de se imaginar, mas afastando mulheres também. Não sei o quanto esse assunto te interessa, mas te deixarei aqui o link para um post que joga uma luz sobre isso que estou dizendo. Fique à vontade para ler ou não: https://www.facebook.com/cynthiasemiramis/posts/10207113255124112?pnref=story

    Um abraço, Feliz Dia e obrigada por seguir firme!

    • É sempre bom ler seus comentários, Lari.
      Não sei se você viu os vídeos que indiquei lá no grupo do Facebook.
      Eu não gosto dessas certezas absolutas que você mencionou e da hostilidade ao dialogar. Nem acho que as mudanças na cabeça das pessoas ocorrerá de um dia para o outro. Vivemos há séculos com a cultura da diminuição da mulher, falta de valorização, abusos… Isso está quase no DNA das pessoas (homens e mulheres).
      Minha visão é que tenho sim que continuar batalhando pelo meu espaço e criar meus filhos com uma visão diferente. Não gosto quando eles repetem essas piadas e jargões preconceituosos contra a mulher (contra nenhum grupo, na verdade, mas parece que a mulher é a única que escuta essas coisas e não fica indignada). Mostro para eles que as mulheres são extremamente eficientes, inteligentes, dedicadas e eles já percebem isso na escola. Essa é uma realidade com a qual o homem tem que lidar e não sofrer a respeito: as mulheres estão se destacando cada vez mais e ganhando mais e mais espaço nas universidades e mercado de trabalho.
      O calcanhar de Aquiles da mulher, na minha opinião, é a maternidade. Quando o filho vem, mudamos e as prioridades são revistas. Nesse momento ficamos fragilizadas e vulneráveis. Por isso vem caindo tanto a natalidade em tantos países, principalmente na Europa.
      Já escrevi muito, né?
      É isso… acho que estou nessa batalha há bastante tempo… e vou continuar enquanto estiver nesse mundo…
      Beijo grande!

      • Lari Reis disse:

        Pode escrever muito, eu não ligo! Hehe
        Essa questão da maternidade é interessante… Eu (ainda) não sou mãe, mas já reconheço que ter um filho é algo que muda muita coisa na mulher. Há até – e ai partindo para um outro extremo que também não me agrada – uma ex-feminista que mudou radicalmente após ser mãe. Não tenho certeza de que essa tenha sido a causa principal, mas me lembrei do caso dela enquanto pensava sobre o impacto de um filho na vida de alguém. Ainda no tratamento da mulher, vejo muitos homens que se tornaram pais de meninas criando uma nova visão… Ter um ser humano sobre seus cuidados é algo poderoso!
        Sobre os vídeos que você me indicou, eu ainda não vi 🙁 Tirei um print de seus posts pra eu não esquecer, mas ainda não consegui ver com calma! Hoje estou mais tranquila, então verei em breve! Beijos

        • Depois me conta o que achou…
          Beijo grande!

          • Lari Reis disse:

            Consegui assistir e até comentei lá no grupo!
            Eu gostei de ambos. O primeiro, porque fala dessa cobrança que muitas sofremos – feitas tanto por outras mulheres quanto por homens – de seguir uma linha e sermos “boas feministas”. Uma imposição que não faz muito sentido para quem busca um ideal de igualdade e liberdade. O segundo foi meu favorito. Gostei da forma como ele expôs, apontando questões do universo masculino, vantagens do feminismo para os homens. Precisamos que os homens saibam disso e se engajem. E precisamos também que mulheres parem de ignorar ou até recusar o papel dos homens nessa luta! Esse eu até compartilhei nas minhas redes 🙂

          • Que bom que você gostou…
            Não consegui ver seu comentário no grupo… 🙁
            Vou procurar novamente…
            Beijo grande!

          • Lari Reis disse:

            Achei ele pra você!
            ” Finalmente, assisti! Gostei de ambos os vídeos, sobretudo do segundo. Temos poucos homens aqui no grupo, mas acho bom que todos – isso inclui todas – saibamos que feminismo deve ser tratado como “coisa” de homem também. Inclusive por nós, mulheres, que muitas vezes pedimos um tratamento igualitário, pedimos respeito, mas desdenhamos dos outros personagens dessa história…”

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