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Mudança

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Encontrar alguém depois de um tempo de afastamento é algo interessante. Pode ser bom ou uma decepção. Mas seja a impressão negativa ou positiva, o grande problema é que, na minha cabeça (e talvez para a maioria das pessoas), espero encontrar a mesma pessoa que conheci meses ou anos atrás. E isso certamente não é o que acontece.

A gente muda todos os dias. O tempo todo se transformando, vivenciando coisas novas que vão impactando nossas vidas, definindo quem somos. São alegrias, tristezas, mágoas, conquistas, fatos marcantes, escolhas decisivas, acidentes, cirurgias, cabelos que mudam de cor, alterações do corpo por quilos a mais ou a menos, novos gostos, mudanças de opinião. São tantas coisas que podem mudar.

Mas talvez as mudanças mais difíceis de serem notadas e de se aceitar são justamente aquelas que não são captadas pelos olhos.

Tudo o que eu vivi, refleti, mudei, sofri… tudo o que impactou em quem em sou, na forma de encarar a vida depois de algum evento marcante, o otimismo ou o pessimismo, a introspecção, novos medos… Essas coisas não são notadas em um primeiro reencontro. Alguém pode olhar para mim e achar que sou exatamente a mesma mulher de 2 anos atrás. Apenas com os cabelos mais curtos e mais escuros, óculos novos e algumas (poucas) ruguinhas a mais.

Mas nada é mais falso!

E por mais que eu possa avisar: “MUDEI! Não sou a mesma de antes!”, o outro não percebe. Dentro dele (o desejo dele), ele vê a mesma mulher que tinha conhecido.

Eu estaria sendo falsa? Mentindo sobre quem sou? Como se consegue evitar a frustração desse reencontro? Ou o outro é que está errado em não aceitar e reconhecer a mudança?

E vêm as cobranças: “mas você não era assim!!!”.

Não! Eu realmente não era!!! Já tinha falado que mudei! Para melhor? Para pior? Não sei! Aconteceram coisas, aprendi coisas, entendi algumas e questionei infinitas para as quais não encontrei resposta…

Quero pessoas ao meu lado que aceitem que as mudanças acontecem… que queiram mudar também, evoluir, crescer… quero ao meu lado quem passe pelas metamorfoses da vida comigo.

– Sílvia Souza

(17/06/2015)

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8 Comments
  • M.Raydo disse:

    Eu creio, humildemente falando, que a gente muda sim, mas a essência é a mesma desde muito tempo… para não dizer desde sempre! Me lembro de agir, evitar encrencas e tratar as pessoas com uma forma muito parecida da que tenho hoje.
    Se mudei?! Ô!!!
    Mais experiente, mais desconfiado, mais desprezível e chato?! Pra caramba!!!rsrs
    Como diria a música do 14 Bis:
    “Há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração. Toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão” rsrsrs
    Curti de novo!!! Bons textos por aqui!!! 🙂
    Até!

    M.

    • Sílvia Souza disse:

      Eu concordo com você. A essência geralmente permanece a mesma. É até por esse único motivo em que eu ainda acredito (bem pouco) em amores que sejam capazes de durar a vida toda.
      Acho que isso acontece no caso daquelas pessoas que realmente têm uma sinergia genuína.
      Mas mudamos muitas coisas. Eu não saberia descrever as inúmeras transformações interiores que sofri nos últimos 5 anos. Busquei coisas. Precisei saber quem eu era de fato, do que gostava, se preferia movimento ou solidão e muitas outras coisas.
      E acho que algumas pessoas se fixam em algumas características mais superficiais ou em gostos. Isso muda. Muda muito.
      Meus princípios são os mesmos, mas hoje já estou muito mais certa de quem eu sou.
      Como você… mais experiente, mais desconfiada, mais chata, mais exigente…
      😉

      • M.Raydo disse:

        Olha lá! Excelente!!! Eis que você se tornou uma mulher!
        É meio triste se tornar definitivamente algo, né não?! As vezes me pego pensando nisso e… dá uma tristezinha!!!
        É que eu me vejo fazendo coisas, indo a lugares, descobrindo, me iluminando a cada novo assunto! Aí… vem a velharia do tempo que mora dentro de mim e diz: – Muito bem, sabichão… agora você é isso e já era. Sem mudanças!
        Estes tempos eu tenho me descoberto assim: Sou isso e já era!
        Meio complicado, porque se você aceitar, acaba que já era mesmo!!! Ui! ui! ui!
        Meio ruim isso aí, não?!
        Até! 🙂

        • Sílvia Souza disse:

          Posso confessar uma coisa… Não sei quantos anos ainda vou viver (ou meses ou dias… ninguém sabe…). Mas espero nunca mais pensar assim: “Sou assim e já era!”
          Já cometi esse erro…
          Mas as mudanças são inevitáveis…. E quando a gente acha que não vai mudar mais, a gente se acomoda e as pessoas à nossa volta também… E quando a gente acorda, pode ser tarde demais..

  • M.Raydo disse:

    Pois é isso mesmo! Continuar e nem pensar nisso!

  • vileite disse:

    A mudança faz pArte de nossas experiências de vida , pois quando mudamos estamos nos abrindo para novos rumos ou perspectivas melhores na nossa vida . Excelente texto !

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