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Medos cotidianos

Medos cotidianos
Medos cotidianos

Se eu grito pedindo sua ajuda, você vem. O problema é que não grito. Eu não peço ajuda. Vivo minha vida calada. Caminho sem fazer ruído, sem chamar atenção.

Digo que não quero olhos voltados para mim. Que prefiro viver no anonimato. Não sei se realmente é assim que sinto. Às vezes acho que lá no fundo eu queria que você me escutasse sem que eu tivesse que gritar. E simplesmente estivesse por perto, escutando minha voz muda; aquela que não fala, mas diz mais do que as palavras conseguem expressar.

Seria mais fácil se a vida tivesse um manual. Talvez eu pudesse achar em que momentos posso gritar, quando posso pedir sua presença, o momento de falar e de calar. Talvez o manual explicasse como se constrói uma amizade, daquelas bem equilibradas, em que os amigos ficam juntos pelo prazer da amizade e não por interesses ocultos.

São tantas pessoas diferentes que têm o meu bem querer. Penso em todas elas. Todos os dias. Queria simplesmente dizer: “penso em você!”. E completar: “gostaria de saber de você, ter notícias suas”. E não digo. Por que sempre me calo? Por que antevejo reações que não aconteceram? Por que imagino que as pessoas do meu bem querer não irão acreditar em um carinho sincero e desinteressado? E continuo muda.

Eu tenho esse medo de quebrar. É como se algo dentro de mim fosse excessivamente frágil e poderia se estilhaçar se recebesse uma palavra rude em retorno. Ou pior ainda, se recebesse simplesmente indiferença. É esse o medo… o maior medo… da indiferença.

E, por isso, não grito. E você não vem.

Permaneço sozinha, no meu silêncio. Apenas o desejo da sua presença.

– Sílvia Souza

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8 Comments
  • laynnecris disse:

    Silvia, esses dias pensava comigo ao olhar as pessoas ao meu redor e ao conhecer o que há dentro de mim – pensei: “As pessoas não fazem a menor ideia do que somos, do que sentimos, do que precisamos, do que sonhamos ou simplesmente se estamos bem…”. E, realmente as vezes queria que com aquela pessoa que você tanto quer bem fosse assim, uma frequência telepática, que fosse possível ouvir na ausência de palavras ou no silêncio o chamado… Belas palavras.

    Grande abraço! Amei ler esse post <3

  • Sofrer calado , realmente não é bom.
    Eu falo , falo mesmo , rs nem que for através da escrita

  • M.Raydo disse:

    Se aquele alguém lhe faltou… olhe para o lado! Deve ter um outro ainda mais interessante e disposto a saber de vc! Não perca a chance! Não se cale! O que vc tem a perder mesmo?! Vai tentando todos os dias, até se tornar algo natural! 🙂

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